Zuckerberg responde hoje em tribunal por vício em redes sociais
O CEO da Meta é interrogado pela primeira vez perante júri popular em caso que pode redefinir a responsabilidade civil das Big Techs.
- Publicado: 17/02/2026
- Alterado: 18/02/2026
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Serginho Lacerda
Zuckerberg será o centro das atenções hoje em um tribunal de Los Angeles, onde enfrenta um interrogatório decisivo sobre a segurança de suas plataformas. O bilionário precisa explicar, pela primeira vez diante de um júri, como o Facebook, Instagram e WhatsApp lidam com a proteção dos usuários.
Iniciado em 9 de fevereiro, o julgamento coloca na mira a Meta e a Alphabet, controladora do Google e YouTube. Além do fundador do Facebook, o tribunal deve ouvir Adam Mosseri, responsável pelo Instagram, e Neil Mohan, diretor do YouTube. A presença de Zuckerberg no banco das testemunhas marca um momento crítico para o setor de tecnologia.
O caso que desafia as Big Techs
A ação judicial gira em torno de uma jovem de 20 anos, identificada apenas pelas iniciais K. G. M. A acusação sustenta que ela sofreu severos danos mentais devido a uma dependência desenvolvida ainda na infância.
“A mulher começou a usar o YouTube quando tinha seis anos e passou a usar outras redes aos 11, virando usuária compulsiva.” — Agência AFP
O júri popular tem a missão de determinar se as empresas projetaram seus algoritmos deliberadamente para viciar crianças. Caso a resposta seja afirmativa, cria-se um precedente inédito sobre a responsabilidade civil dos operadores, algo que Zuckerberg e outros líderes do setor sempre evitaram.
O impacto do depoimento de Zuckerberg
Advogados de acusação replicam uma estratégia histórica utilizada contra a indústria do tabaco nos anos 1990: provar que o produto foi desenhado para ser nocivo. Em contrapartida, a defesa se apoia na Lei de Decência nas Comunicações dos EUA para buscar isenção de culpa pelo conteúdo gerado por terceiros.
O resultado deste embate jurídico pode desencadear uma onda de processos que ligam o uso de redes a graves problemas de saúde pública:
- Depressão e ansiedade em adolescentes.
- Transtornos alimentares disseminados por algoritmos.
- Aumento nas internações psiquiátricas.
- Casos de suicídio relacionados ao cyberbullying e isolamento.
A expectativa do mercado e de especialistas jurídicos é que o desfecho altere permanentemente o curso de ações legais nos Estados Unidos. O veredito não apenas julgará a Meta, mas definirá o futuro da regulação digital e a responsabilidade corporativa de Zuckerberg.