Wagner Moura denuncia boicote ao cinema em entrevista

Ao lado de Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura critica sabotagem a 'Marighella' e revela ataques por apoio político.

Crédito: Reprodução/Instagram

O ator e diretor Wagner Moura e o cineasta Kleber Mendonça Filho concederam uma entrevista contundente ao jornal britânico The Guardian, publicada nesta sexta-feira (6). No centro da conversa, os artistas denunciaram uma “sabotagem cínica” contra o filme Marighella, obra dirigida por Moura que retrata o guerrilheiro assassinado pela ditadura militar. Segundo Mendonça Filho, o processo de impedimento da estreia no Brasil foi kafkiano: “Wagner nunca vai receber uma explicação”, afirmou, referindo-se à burocracia invisível que travou o lançamento por dois anos.

O relato de Wagner Moura expõe a perplexidade diante da censura velada. “Não dá para se defender, porque você não sabe exatamente o que aconteceu”, descreveu o ator, lembrando que o filme já circulava com sucesso na Europa desde 2019 enquanto era barrado em solo brasileiro.

Acusações de financiamento e pressão política

Durante a entrevista, Wagner Moura abordou a onda de desinformação que o atinge atualmente no Brasil. O ator revelou estar sendo alvo de ataques que afirmam, falsamente, que ele e Kleber teriam recebido milhões de dólares para apoiar o governo Lula. Essas acusações, segundo Moura, fazem parte de um clima de hostilidade que tenta deslegitimar a produção cultural independente.

A pressão sobre Wagner Moura ultrapassa as fronteiras nacionais. O ator baiano, que consolidou uma carreira internacional de sucesso, afirmou estar sendo incentivado a não tecer críticas ao ex-presidente americano Donald Trump. “Estou sendo muito incentivado a não falar nada. Mas vou continuar falando, né?”, declarou com a irreverência que marca seu posicionamento público.

‘O Agente Secreto’ e as nuances da ditadura

A parceria entre os dois artistas agora se materializa em O Agente Secreto, novo filme de Kleber Mendonça Filho. Na trama, Wagner Moura interpreta um professor universitário perseguido por um empresário com trânsito no governo. O diretor explicou que buscou fugir dos clichês gráficos da tortura para mostrar como o autoritarismo se entranha no cotidiano.

“Eu poderia ter mostrado o personagem recebendo choques elétricos a noite toda. Mas a ditadura se manifestou de muitas formas diferentes”, pontuou Kleber. A atuação de Wagner Moura busca traduzir esse sufocamento institucional, onde a perseguição é sutil, mas implacável.

O legado de Wagner Moura no cenário internacional

Consolidado como um dos nomes brasileiros mais influentes em Hollywood, Wagner Moura utiliza sua visibilidade no The Guardian para reforçar o papel social do artista. A entrevista ressalta que, apesar dos adiamentos e das tentativas de silenciamento, o cinema brasileiro continua a pautar debates fundamentais sobre a memória e a liberdade de expressão.

O lançamento de “O Agente Secreto” em 2026 promete ser um dos marcos culturais do ano, unindo novamente a força interpretativa de Wagner Moura à visão crítica de Mendonça Filho. A resistência dos artistas às pressões políticas nacionais e internacionais reafirma o vigor de uma geração que se recusa a aceitar o “processo” burocrático como barreira para a arte.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 07/02/2026
  • Fonte: FERVER