Wagner Moura denuncia boicote ao cinema em entrevista
Ao lado de Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura critica sabotagem a 'Marighella' e revela ataques por apoio político.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 07/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O ator e diretor Wagner Moura e o cineasta Kleber Mendonça Filho concederam uma entrevista contundente ao jornal britânico The Guardian, publicada nesta sexta-feira (6). No centro da conversa, os artistas denunciaram uma “sabotagem cínica” contra o filme “Marighella“, obra dirigida por Moura que retrata o guerrilheiro assassinado pela ditadura militar. Segundo Mendonça Filho, o processo de impedimento da estreia no Brasil foi kafkiano: “Wagner nunca vai receber uma explicação”, afirmou, referindo-se à burocracia invisível que travou o lançamento por dois anos.
O relato de Wagner Moura expõe a perplexidade diante da censura velada. “Não dá para se defender, porque você não sabe exatamente o que aconteceu”, descreveu o ator, lembrando que o filme já circulava com sucesso na Europa desde 2019 enquanto era barrado em solo brasileiro.
Acusações de financiamento e pressão política
Durante a entrevista, Wagner Moura abordou a onda de desinformação que o atinge atualmente no Brasil. O ator revelou estar sendo alvo de ataques que afirmam, falsamente, que ele e Kleber teriam recebido milhões de dólares para apoiar o governo Lula. Essas acusações, segundo Moura, fazem parte de um clima de hostilidade que tenta deslegitimar a produção cultural independente.
A pressão sobre Wagner Moura ultrapassa as fronteiras nacionais. O ator baiano, que consolidou uma carreira internacional de sucesso, afirmou estar sendo incentivado a não tecer críticas ao ex-presidente americano Donald Trump. “Estou sendo muito incentivado a não falar nada. Mas vou continuar falando, né?”, declarou com a irreverência que marca seu posicionamento público.
‘O Agente Secreto’ e as nuances da ditadura
A parceria entre os dois artistas agora se materializa em “O Agente Secreto“, novo filme de Kleber Mendonça Filho. Na trama, Wagner Moura interpreta um professor universitário perseguido por um empresário com trânsito no governo. O diretor explicou que buscou fugir dos clichês gráficos da tortura para mostrar como o autoritarismo se entranha no cotidiano.
“Eu poderia ter mostrado o personagem recebendo choques elétricos a noite toda. Mas a ditadura se manifestou de muitas formas diferentes”, pontuou Kleber. A atuação de Wagner Moura busca traduzir esse sufocamento institucional, onde a perseguição é sutil, mas implacável.
O legado de Wagner Moura no cenário internacional
Consolidado como um dos nomes brasileiros mais influentes em Hollywood, Wagner Moura utiliza sua visibilidade no The Guardian para reforçar o papel social do artista. A entrevista ressalta que, apesar dos adiamentos e das tentativas de silenciamento, o cinema brasileiro continua a pautar debates fundamentais sobre a memória e a liberdade de expressão.
O lançamento de “O Agente Secreto” em 2026 promete ser um dos marcos culturais do ano, unindo novamente a força interpretativa de Wagner Moura à visão crítica de Mendonça Filho. A resistência dos artistas às pressões políticas nacionais e internacionais reafirma o vigor de uma geração que se recusa a aceitar o “processo” burocrático como barreira para a arte.