Médicos preveem fim das visitas presenciais da indústria
Pesquisa do IFEPEC revela que profissionais de saúde preveem o fim do contato presencial tradicional
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 03/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O setor de saúde atravessa uma fase de transformação significativa na comunicação entre laboratórios e profissionais. Segundo o estudo “Visão 360º do mercado farmacêutico no Brasil”, divulgado pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (IFEPEC), as visitas da indústria farmacêutica realizadas presencialmente estão com os dias contados na visão de grande parte da classe médica.
O levantamento mapeou as expectativas dos principais agentes do setor e identificou que a digitalização e a Inteligência Artificial (IA) estão remodelando a forma como os médicos consomem informações técnicas.
O futuro das visitas da indústria
A pesquisa aponta uma tendência irreversível de redução no modelo tradicional de contato. Entre os médicos de referência, que possuem mais de 15 anos de experiência, 54% acreditam que as visitas da indústria acabarão ou sofrerão reduções drásticas.
Esse cenário é ainda mais acentuado entre os profissionais recém-formados. Para 67% dessa nova geração, a presença física do propagandista deve diminuir significativamente, uma vez que eles priorizam a agilidade e a confiabilidade dos meios digitais.
Hábitos de consumo de informação e tempo
Outro dado relevante trazido pelo estudo refere-se ao tempo escasso que os doutores dedicam a essas interações. A maioria dos entrevistados reserva apenas entre 5 e 10 minutos para receber os representantes.
A forma de buscar atualização também varia conforme o perfil do profissional, impactando diretamente a relevância das visitas da indústria:
- Médicos experientes: Preferem fontes tradicionais, como congressos (95%) e revistas científicas (77,5%).
- Recém-formados: Recorrem a grupos de especialistas (67,5%), sites e aplicativos (55%) e plataformas de inteligência artificial (22,5%).
No quesito prescrição, os mais jovens optam majoritariamente pelo princípio ativo (62,5%), enquanto os mais experientes mantêm um equilíbrio entre o princípio ativo e marcas específicas sugeridas durante as visitas da indústria.
Autonomia médica e viés comercial
Durante os grupos de foco, os participantes reconheceram o papel dos laboratórios na divulgação de inovações, mas demonstraram cautela quanto a possíveis vieses comerciais nas visitas da indústria. A autonomia profissional foi citada como um pilar central, embora admitam que a exposição constante às marcas pode influenciar escolhas de maneira sutil.
A necessidade de filtros nas informações recebidas foi destacada em depoimentos colhidos pelo estudo:
“Os representantes trazem informações rápidas sobre novos produtos, mas sempre temos que filtrar. Sabemos que eles estão ali para vender.”
A velocidade da informação digital também foi apontada como um diferencial competitivo contra o modelo presencial:
“Quando preciso de uma informação, não posso esperar o representante da indústria, por isso busco nas revistas científicas ou nas plataformas de IA que me fornecem de forma imediata.”
Diante desse cenário, os médicos sugerem que os canais digitais sejam aprimorados para garantir segurança e exclusividade. Já para os representantes que manterem as visitas da indústria, será exigida uma qualificação técnica superior, focada em produtos de alta complexidade.
Metodologia aplicada
O IFEPEC conduziu o estudo com rigoroso padrão metodológico para garantir a neutralidade dos dados sobre as visitas da indústria e o mercado em geral. A pesquisa combinou:
- Entrevistas presenciais: Realizadas com 80 médicos, segmentados entre novatos e experientes.
- Grupos de foco: Total de 10 grupos envolvendo 60 médicos para análises qualitativas aprofundadas.
Todas as etapas asseguraram o anonimato dos participantes, permitindo liberdade total na expressão de suas opiniões sobre o futuro do setor.