O que é o vírus Nipah e os riscos do surto na Índia
Com mais de 100 pessoas em quarentena, patógeno sem cura preocupa a OMS e especialistas pela alta letalidade e danos neurológicos.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 28/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O Nipah voltou ao centro das atenções sanitárias globais após obrigar o isolamento de aproximadamente 110 indivíduos na Índia. Considerado um dos patógenos mais perigosos do mundo, o vírus figura na lista prioritária da Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao seu elevado potencial epidêmico e inexistência de tratamento farmacológico.
O isolamento imediato ocorreu após dois profissionais de saúde testarem positivo em janeiro. Diferente de gripes comuns, esse agente infeccioso ataca agressivamente o sistema respiratório e pode causar encefalite letal. A ausência de vacinas torna a contenção física a única arma eficaz no momento.
A gravidade clínica é explicada pela médica infectologista Rosana Richtmann, do Grupo Santa Joana. Segundo a especialista, o ataque ao sistema nervoso central é devastador:
“Os sintomas iniciais assemelham-se aos de outras viroses, incluindo dor de cabeça, febre e mal-estar. Contudo, podem evoluir rapidamente para alterações no nível de consciência, resultando em consequências neurológicas severas ou até mesmo morte.”
Embora o cenário na Ásia seja crítico, o Brasil e a América Latina não registraram casos. A barreira natural é a ausência de espécies específicas de morcegos frugívoros, hospedeiros originais do vírus, nesta região do planeta.
Como ocorre a transmissão do Nipah
Classificado como uma doença zoonótica, o contágio original do Nipah acontece de animais para humanos. Morcegos da família Pteropodidae e suínos são os principais vetores. No entanto, a contaminação não exige mordidas; o contato com saliva, urina ou alimentos contaminados (como frutas mordidas por morcegos) é suficiente para a infecção.
A transmissão entre humanos, embora menos frequente que a zoonótica, é uma realidade preocupante, especialmente em ambientes hospitalares. Profissionais de saúde sem proteção adequada correm riscos elevados ao tratar pacientes na fase aguda da doença.
Sintomas e diagnóstico clínico
Muitos infectados pelo Nipah podem não apresentar sinais imediatos, o que dificulta o bloqueio sanitário. Quando a doença se manifesta, o quadro evolui de sintomas genéricos para emergências médicas em questão de dias.
Os principais sinais de alerta incluem:
- Sintomas gripais: Febre alta, mialgia (dor muscular) e fadiga extrema.
- Insuficiência respiratória: Dificuldade aguda para respirar.
- Encefalite: Inflamação cerebral que gera confusão mental e desorientação.
- Convulsões: Podem preceder o coma em 24 a 48 horas.
O diagnóstico definitivo exige tecnologia avançada. Durante o estágio inicial, utiliza-se o RT-PCR (reação em cadeia da polimerase) em fluidos corporais. Em fases posteriores ou de recuperação, o teste ELISA busca detectar anticorpos específicos contra o patógeno.
Alta mortalidade e histórico de surtos
A letalidade é o dado mais alarmante deste vírus. Estatísticas indicam que a taxa de morte entre os infectados pelo Nipah pode chegar a 70% ou 75%, variando conforme a infraestrutura hospitalar local.
O tratamento limita-se ao suporte vital. Médicos focam na hidratação do paciente e no controle da pressão arterial para evitar o colapso do organismo enquanto o sistema imunológico tenta combater a infecção.
Historicamente, o vírus foi identificado na Malásia em 1999, dizimando criações de porcos e afetando humanos. Desde então, Bangladesh e Índia tornaram-se epicentros recorrentes. A destruição de habitats naturais força morcegos a migrarem para áreas urbanas e agrícolas, facilitando o contato com humanos e aumentando o risco de novas epidemias de Nipah.