Violência e crime lideram preocupações no Brasil, diz Ipsos
Ipsos: pesquisa de agosto aponta alta no temor por segurança e corrupção, mas otimismo com o rumo do país chega a 40%
- Publicado: 04/09/2026 10:00
- Alterado: 04/09/2026 10:00
- Autor: Daniela Ferreira
A criminalidade e a violência continuam sendo os maiores motivos de aflição para os brasileiros. É o que aponta a edição de agosto da pesquisa global What Worries the World, realizada pela Ipsos. O tema manteve a liderança isolada no ranking nacional, atingindo 47% das menções uma alta de 4 pontos percentuais em relação a julho e de 5 pontos na comparação com o mesmo período do ano passado.
O avanço desse temor reflete o momento de efervescência no debate sobre segurança pública no país. A própria Ipsos contextualiza o dado com a recente repercussão de ações policiais de grande porte como a Operação Omnes, da Polícia Federal, que prendeu mais de 700 pessoas ligadas a homicídios e feminicídios, além do impacto social gerado por episódios recentes de linchamentos de inocentes confundidos com criminosos, refletindo o perigo da sensação de impunidade.

A corrupção política e financeira aparece como a segunda maior preocupação no Brasil, citada por 38% dos entrevistados (alta de 2 pontos no mês). O indicador encontra eco nas recentes fases da Operação Sem Refino, que investiga fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
O “top 3” de aflições nacionais é completado pela pobreza e desigualdade social, que subiu para 35%. Em contrapartida, áreas como saúde (33%) e a cobrança de impostos (28%) registraram queda na preocupação dos brasileiros em agosto.
Otimismo em Alta no Brasil e Cenário Global Estável
Apesar de a intensidade das preocupações com segurança e instituições ter aumentado, a visão geral sobre o destino do país apresentou uma leve melhora. Atualmente, 40% dos brasileiros acreditam que o Brasil está caminhando na direção certa (alta de 1 ponto em relação a julho), enquanto 60% avaliam que o país está no rumo errado.
No panorama global, que avalia diversos países, o cenário é de estabilidade. Crime e violência também lideram a média mundial (32%), seguidos por um triplo empate entre inflação, pobreza/desigualdade e desemprego, todos com 29%. A média global de pessoas que acreditam que seus países estão na direção certa é de 39%.
Américas: Contrastes entre EUA, Argentina e Peru

Os dados regionais da pesquisa escancaram realidades políticas e econômicas distintas pelo continente americano:
- Estados Unidos: A inflação segue como o maior pesadelo americano (43%), mas o destaque negativo é a forte queda no otimismo. Apenas 28% dos cidadãos acham que os EUA estão no rumo certo (queda de 10 pontos em um ano), o pior índice das Américas. O clima é de forte disputa política, impulsionado por questionamentos recentes sobre o uso de negócios privados e criptomoedas pelo presidente Donald Trump e sua família.
- Argentina: O desemprego domina as preocupações (55%), reflexo direto do ajuste econômico promovido pelo governo de Javier Milei, que gerou protestos massivos em Buenos Aires em agosto. O otimismo com o rumo do país despencou 5 pontos no mês, estacionando em 39%.
- Peru: Na contramão dos vizinhos, o país registrou um salto impressionante de 21 pontos percentuais em apenas um mês na percepção de “rumo certo”, atingindo 47% e assumindo a liderança do otimismo nas Américas.
Na Europa, a França amarga o título de país mais pessimista do estudo: apenas 10% dos franceses acreditam que a nação está na direção certa, lidando com temores que misturam criminalidade (36%), inflação (34%) e mudanças climáticas (29%).
“Os resultados de agosto mostram um cenário em que não há uma ruptura na agenda de preocupações, mas mudanças na intensidade com que alguns temas são percebidos. No Brasil, segurança, corrupção e desigualdade ganham força sem alterar a ordem do ranking, enquanto a percepção sobre o rumo do país apresenta uma melhora discreta”, analisa Diego Pagura, CEO da Ipsos. “No exterior, os movimentos mais expressivos aparecem menos na hierarquia das preocupações e mais na avaliação sobre a direção dos países”, conclui o executivo.