Viação Cometa - Ícone do transporte

Com quase 80 anos de estrada, a Viação Cometa é um patrimônio do Brasil

Crédito: A Cometa reinou absoluta nas estradas do Sudeste, transportando pessoas nos “Flecha Azul” - divulgação

Presente no imaginário popular principalmente das gerações dos anos 60 e 70 e referência das estradas do Sudeste, a Viação Cometa completou 78 anos no dia 7 de maio. Fundada em 1947, a trajetória da empresa se confunde com a própria história do transporte rodoviário do Brasil. Em quase oito décadas, a Cometa passou por diferentes ciclos econômicos, transformações tecnológicas e mudanças de comportamento da sociedade, consolidando-se como uma das marcas mais tradicionais do transporte brasileiro de pessoas, com base em um modelo norte-americano – inclusive no visual dos ônibus – e inspirando-se na empresa Greyhound Lines.

A origem da Viação Cometa e a expansão no transporte rodoviário

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A história da Viação Cometa se iniciou em 1937, quando o aviador italiano Tito Mascioli decidiu morar no Brasil, em São Paulo, no bairro Jardim América, após chegar ao país pela primeira vez comandando uma esquadrilha composta por 14 aviões Savoia-Marchetti S.55 da Aeronáutica Italiana. Ele se tornou cunhado do agrimensor Arthur Brandi que, em 1937, fez um loteamento na região do bairro do Jabaquara, na zona sul da capital. Com a distância da região com o Centro da cidade, Mascioli decidiu criar uma linha de ônibus urbanos entre o Jabaquara e a Praça da Sé.

Inicialmente, a empresa se chamava de Auto Viação Jabaquara S/A, com o empreendimento no ramo de transporte tornando-se mais bem sucedido do que o imobiliário, a atividade principal de Mascioli até então. A Auto Viação Jabaquara chegou a ser responsável por quase metade de todo o transporte coletivo da cidade de São Paulo. Mas, em 1947, foi criada a Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), que encampou as linhas da Jabaquara. E Mascioli não recebeu qualquer tipo de indenização, apesar de trabalhar como tesoureiro da empresa pública. No mesmo ano, o oriundo comprou a Auto Viação São Paulo-Santos Ltda. e, em 1948, mudou o nome da companhia para “Viação Cometa S/A”, que adotou como logotipo um cometa em forma de estrela cadente estilizado.

A Cometa é uma das mais tradicionais empresas de transporte rodoviário do Brasil, conhecida pelo icônico ônibus Flecha Azul” e pioneira na rota Rio-São Paulo, se destacando pelo conforto e tecnologia ao longo das décadas. Em 2002, foi adquirida pelo Grupo JCA, que também administra empresas como a 1001 e Catarinense.

O legado do “Flecha Azul” e a parceria histórica com a Scania

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Por muito tempo, a Cometa foi o maior cliente nacional da Scania e da Ciferal, encarroçadora de ônibus do Rio de Janeiro. A partir de 1961, a Cometa padronizou sua frota rodoviária com os modelos “Flecha de Prata”, “Jumbo” e “Dinossauro”, todos fabricados em duralumínio sobre chassi da Scania, tornando-se, entre os anos 60 e 80, a maior frotista de ônibus sobre plataforma da Scania do planeta. No início de 1982, a Cometa aproveitou o estado pré-falimentar da Ciferal e decidiu formar uma empresa para construir suas próprias carrocerias, a Companhia Manufatureira Auxiliar (CMA).

No final de 1991, a encarroçadora da Cometa alcançou a milésima unidade fabricada, com algumas sendo exportadas. O “Flecha Azul” foi sendo atualizado ao longo dos anos com mudanças internas e novos itens de conforto, utilizando chassis mais recentes, incorporando retoques externos e aumentando o tamanho das carrocerias. Durante toda sua trajetória, o “Flecha Azul” teve oito versões – da I a VIII.

Em 2002, a Cometa foi adquirida pela Auto Viação 1001, de Niterói (RJ), transformando a operadora fluminense na segunda maior empresa de ônibus do país. A 1001 mudou a filosofia de atuação e o padrão de serviço da Cometa, inclusive a especificação dos chassis e a origem das carrocerias, que passaram a ser comprados da Mercedes-Benz e da Marcopolo, respectivamente. Os novos proprietários ainda buscaram dar alguma sobrevida aos antigos “Flecha Azul”, reformando-os a partir de 2004 nas instalações da Marcopolo.

Com a opção pela mudança no padrão da frota, foram suspensas novas encomendas à CMA, que já estava desligada da Cometa e sob controle de um ex-diretor Administrativo. Em 2008, pondo fim a um ícone da indústria brasileira de carrocerias, a 1001 determinou a desmobilização e a venda de todos os “Flecha Azul” ainda em operação. Em 2013, contudo, como parte da comemoração dos 65 anos da Cometa, surgiu o “Flecha Azul LXV”, que era uma restauração e customização de um exemplar de 1999 sobre chassi K-113 da Scania.

A modernização da Cometa e as comemorações pelos 78 anos

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O objetivo era fazer apenas 65 viagens antes de recolhê-lo definitivamente. O ônibus foi colocado em operação em 24 de agosto de 2013 e, dois meses depois, cumpriu a missão, transportando 2.561 passageiros por cerca de 24 mil quilômetros em estradas de São Paulo, do Paraná, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. “A história da Viação Cometa é construída por pessoas, inovação constante e um compromisso permanente com quem escolhe viajar conosco. Chegar aos 78 anos mantendo relevância no mercado é resultado da capacidade de respeitar nossas origens e, ao mesmo tempo, evoluir continuamente para atender às novas expectativas dos passageiros”, afirma Anuar Helayel, diretor-executivo da Unidade de Transporte de Passageiros do Grupo JCA.

Como parte das comemorações dos 78 anos, a Cometa lançou uma promoção para que o público comemorasse com vantagens. Em 7 e 8 de maio, as pessoas puderam comprar passagens com até 50% de desconto em todas as rotas disponíveis. A promoção é válida para viagens que serão feitas de 21 de maio a 31 de agosto, mediante a utilização do cupom “Dia Feliz”. “A iniciativa reforçou o compromisso de tornar as viagens cada vez mais acessíveis, valorizando os passageiros que fazem parte da história da marca”, reforçou Helayel.

  • Publicado: 12/05/2026 11:46
  • Alterado: 12/05/2026 11:46
  • Autor: Redação
  • Fonte: Norberto Quintana Flashmotors