Venezuela reforça suas Forças Armadas em resposta aos EUA

Tensões entre Venezuela e EUA aumentam com alistamento de 5.600 soldados;

Crédito: Agência France-Presse

A escalada de tensões entre Caracas e Washington atingiu um novo pico nesta sexta-feira, 6 de dezembro de 2025, com a Venezuela realizando a incorporação de 5.600 novos soldados às suas fileiras. O massivo alistamento ocorre em um momento delicado, marcado por intensa movimentação militar dos Estados Unidos na região do Caribe e acusações diretas contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

O evento, carregado de simbolismo político e militar, é a resposta direta da Venezuela à mobilização norte-americana, que incluiu o deslocamento do maior porta-aviões do mundo para a área em agosto. Este cenário bélico impulsionou um apelo urgente de Maduro por um aumento no alistamento, convocando o povo à união contra o que ele classifica como “agressão imperialista”.

Os “Combatentes Revolucionários” da Venezuela

Durante a cerimônia de incorporação, realizada no Forte Tiuna, em Caracas, o perfil ideológico dos novos recrutas foi enfaticamente destacado. Os oficiais presentes fizeram questão de ressaltar que os 5.600 novos soldados foram preparados sob uma filosofia de “resistência revolucionária”.

Eles são caracterizados como “combatentes revolucionários, socialistas” e “profundamente chavistas”, prontos para defender a soberania da Venezuela. O coronel Gabriel Alejandro Rendón Vílchez reforçou o espírito de unidade da Força Armada Nacional Bolivariana, que conta atualmente com cerca de 200 mil efetivos.

“A Venezuela possui uma Força Armada unida e moralizada; sob nenhuma circunstância permitiremos a invasão de um império”, declarou o coronel, ecoando a narrativa oficial de defesa territorial.

A espinha dorsal da Venezuela e as ameaças ilegais

O presidente Nicolás Maduro não poupou palavras ao reafirmar sua confiança inabalável nas Forças Armadas. Ele as descreveu como a “espinha dorsal da estabilidade, paz, segurança e futuro” da nação. Esta confiança se torna vital em um contexto onde as relações com Washington se deterioraram drasticamente.

A pressão sobre o alistamento tem sido intensa desde o início das operações militares dos EUA no Caribe e no Pacífico oriental. O general Javier José Marcano Tábata confirmou o aumento da procura juvenil para o serviço militar, atestando uma resposta popular às ameaças externas. “Em tempos de ameaças ilegais e arrogantes do imperialismo, nossa juventude está se apresentando em massa para integrar as Forças Armadas”, afirmou o general durante o evento.

O Contexto Geopolítico: Narcotráfico e Petróleo

O pano de fundo desta mobilização militar é complexo, envolvendo acusações graves e interesses econômicos. O governo dos Estados Unidos tem acusado publicamente Maduro de liderar o chamado “Cartel de los Soles“, uma alegação veementemente refutada por Caracas.

Desde setembro, as operações americanas na região resultaram na morte de 87 indivíduos classificados como narcotraficantes. Maduro insinuou que essa presença militar não visa combater o crime organizado, mas sim derrubar seu governo e, crucialmente, obter controle sobre as vastas reservas de petróleo da Venezuela.

Em resposta, o líder venezuelano instou as forças armadas e policiais a manterem um “plano de ofensiva permanente” para responder a qualquer “agressão imperialista”. Além dos 200 mil efetivos ativos (incluindo policiais), o país conta com aproximadamente oito milhões de reservistas da Milícia Nacional Bolivariana, prontos para serem acionados em caso de necessidade de defesa. A incorporação dos 5.600 novos recrutas é, portanto, mais do que um ato administrativo; é um sinal claro da Venezuela para o mundo sobre sua postura de resistência.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 06/12/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping