Vai Vai e Mocidade agitam Anhembi no segundo dia de desfiles em SP
Escolas de samba como Vai Vai e Mocidade Alegre encantaram com enredos poderosos e tributos a ícones culturais.
- Publicado: 05/02/2026
- Alterado: 02/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sesc Santo André
Neste último domingo (2), a tradicional escola de samba Vai Vai fez sua apresentação na segunda noite dos desfiles do Grupo Especial de São Paulo, animando o público presente mesmo às 6h da manhã. O enredo deste ano foi uma emocionante homenagem ao ator e diretor Zé Celso, cuja obra continua a inspirar gerações.
A Mocidade Alegre, atual bicampeã do Carnaval paulista, também proporcionou momentos marcantes no Anhembi. Com um enredo que exaltou a fé em suas diversas manifestações, a escola enfrentou alguns contratempos com um dos carros alegóricos, mas conseguiu completar seu desfile dentro do horário estipulado.
Entre os destaques da noite, estavam o tributo a Benito di Paula pela Águia de Ouro, que se tornou a primeira escola a homenagear um artista afro-brasileiro na história do carnaval, e as vibrantes cores e simbolismos indígenas apresentados pelo Acadêmicos do Tucuruvi. O desfile, que começou com a Águia de Ouro celebrando a obra do cantor romântico, trouxe à avenida um carro alegórico notável que ostentava uma estátua gigante do personagem Charlie Brown.
Benito di Paula, acompanhado de seu filho, não conteve as lágrimas durante sua passagem pela avenida. Emocionado com o calor da torcida que cantava seu samba-enredo, ele se viu obrigado a descansar após o desfile devido ao cansaço extremo.
A Império de Casa Verde foi a segunda escola a desfilar, levando à passarela uma bateria fantasiada de Coringa e questionando clássicos da literatura em sua apresentação. Personagens como Harry Potter e Cinderela foram referenciados por meio das fantasias da comissão de frente.
O enredo da Mocidade Alegre trouxe elementos visuais ricos ao abordar a fé. Entre as inovações estavam símbolos religiosos que representavam diferentes crenças, incluindo um carro alegórico que exibia uma mão gigante segurando terços, simbolizando sua presidente, Solange Cruz. Apesar dos problemas mecânicos enfrentados durante o desfile, Solange motivou os integrantes da escola com um discurso inspirador sobre união e força comunitária.
Logo em seguida, a Gaviões da Fiel apresentou um espetáculo repleto de referências culturais africanas e contou com a participação especial de Sabrina Sato, rainha de bateria da escola há mais de duas décadas. A primeira-dama de São Paulo também fez sua aparição como madrinha do departamento social da Gaviões, expressando sua emoção ao participar do evento.
A Acadêmicos do Tucuruvi celebrou as tradições indígenas com um enredo focado no manto tupinambá, uma vestimenta sagrada recentemente repatriada ao Brasil após mais de 380 anos fora do país. A apresentação foi marcada por carros alegóricos vibrantes e uma forte mensagem cultural.
A Estrela do Terceiro Milênio trouxe à tona questões referentes à comunidade LGBT, celebrando seus direitos e conquistas através de performances dançantes como o voguing. Entre os convidados especiais estava Edson Cordeiro e a drag queen Silvetty Montilla, que superou desafios médicos para brilhar na passarela.
Por fim, encerrando os desfiles do Grupo Especial, a Vai Vai prestou uma sentida homenagem ao dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, falecido em um incêndio em 2023. Com uma apresentação que refletiu seu legado no teatro brasileiro e na cultura paulistana, a escola também teve a presença marcante da apresentadora Luciana Gimenez, que voltou à avenida após 20 anos como madrinha da bateria.
Os desfiles no Sambódromo do Anhembi não apenas celebraram o Carnaval como também foram palco para emoções intensas e homenagens significativas à cultura brasileira.