França oferece arsenal nuclear contra a Rússia na Europa
Em meio a tensões com a Rússia, Macron propõe usar o poder nuclear da França para garantir segurança na Europa.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 02/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Em meio a crescentes tensões geopolíticas, a França está avaliando a possibilidade de oferecer seu arsenal nuclear para proteger países europeus diante das ameaças de segurança provenientes da Rússia. O presidente Emmanuel Macron fez esta declaração no último sábado (1º), destacando que está aberto ao diálogo sobre o uso dos arsenais atômicos franceses em resposta à crise na Ucrânia.
Macron afirmou à televisão portuguesa RTP que “sempre existiu uma dimensão europeia nos interesses vitais da França relacionados à sua doutrina nuclear“. Sua declaração ocorre em um momento crítico, pois ele participará de uma reunião com líderes europeus e o presidente ucraniano Volodimir Zelenski no Reino Unido neste domingo (2).
A visita de Zelenski a Londres se seguiu a uma polêmica sessão em Washington, onde ele foi confrontado pelo ex-presidente Donald Trump, que parece estar adotando uma postura favorável à narrativa russa sobre o conflito. Trump insinuou que os EUA poderiam se afastar de seus aliados europeus, levando a preocupações sobre a segurança da Ucrânia.
Nesse cenário, Macron tenta reafirmar a posição estratégica da França. O país possui o quarto maior arsenal nuclear do mundo, superado apenas pelos Estados Unidos e Rússia, que juntas controlam 90% das aproximadamente 12 mil ogivas nucleares existentes, e pela China, com cerca de 500 armas nucleares.
O presidente francês já teve um intercâmbio verbal acirrado com Putin no ano passado, quando o líder russo ameaçou responder militarmente caso a França enviasse tropas para a Ucrânia. Recentemente, Macron testou um míssil de cruzeiro nuclear como uma forma de enviar uma mensagem clara ao Kremlin, embora tenha admitido que essa ação buscava estabelecer uma “ambiguidade diplomática“.
A imprensa britânica tem especulado sobre um potencial apoio do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, à iniciativa francesa. Relatos sugerem que a França poderia disponibilizar caças Rafale armados com mísseis nucleares para serem baseados na Alemanha.
Atualmente, a defesa nuclear da Europa sob a égide da OTAN é dominada pelos Estados Unidos, que mantêm cerca de cem ogivas nucleares em várias bases na Europa. Essas armas são táticas e projetadas para uso contra alvos militares específicos.
Embora a França seja membro da OTAN, sua cadeia de comando nuclear é independente. O país opera quatro submarinos nucleares equipados com mísseis estratégicos capazes de causar destruição em larga escala. Além disso, conta com cerca de 50 mísseis ASMPA com ogivas táticas lançáveis por caças Rafale adaptados para esse fim.
Historicamente, durante a Guerra Fria, caças franceses foram posicionados na Alemanha, mas utilizavam bombas atômicas americanas. A ruptura entre Paris e a OTAN na década de 1960 resultou na descontinuação desse arranjo.
O Reino Unido, por sua vez, possui 225 ogivas nucleares e opera suas capacidades em alinhamento com as estratégias dos Estados Unidos. No entanto, não possui ativos terrestres próprios para apoiar outros aliados diretamente.
Diante desse complexo panorama geopolítico, a proposta de Macron ecoa uma estratégia defendida por governos franceses anteriores e reflete as incertezas provocadas pela postura agressiva de Trump em relação aos aliados europeus e à Ucrânia.
Adicionalmente, é importante destacar que Putin mantém um estoque significativo de ogivas nucleares prontas para uso imediato. Esse fato levanta preocupações sobre o risco de um confronto direto entre Rússia e Europa escalando para um conflito generalizado envolvendo os Estados Unidos.
No cenário interno francês, críticas também surgiram. A líder da extrema-direita Marine Le Pen manifestou descontentamento com a proposta de Macron, enfatizando que “a dissuasão nuclear francesa deve permanecer exclusivamente sob controle francês” e não deve ser compartilhada ou delegada.
A questão nuclear ressurge frequentemente no debate europeu diante da atual crise na Ucrânia. Países como Polônia expressam interesse em serem integrados ao escudo nuclear dos Estados Unidos após Putin ter posicionado armas táticas na vizinha Bielorrússia em 2023.