Vacina contra bronquiolite chega a SP com 134 mil doses

Imunização pelo SUS foca em gestantes e busca reduzir casos graves do vírus em recém-nascidos

Crédito: João Risi/MS

O Ministério da Saúde deu início, nesta terça-feira (2), à distribuição nacional do imunizante destinado a combater o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O estado de São Paulo receberá um total de 134.555 doses deste primeiro lote. A iniciativa visa proteger recém-nascidos através da imunização de gestantes, sendo uma estratégia fundamental para a vacina contra bronquiolite chegar a quem mais precisa e diminuir as internações infantis.

O primeiro lote conta com 673 mil doses que serão enviadas a todos os estados. A imunização é ofertada de maneira gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é destinada a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. O objetivo central é a redução dos casos de bronquiolite nos primeiros meses de vida do bebê.

Distribuição e parceria tecnológica

O Distrito Federal foi a primeira unidade a receber os insumos. Em São Paulo, a previsão de chegada é para esta terça-feira, utilizando logística aérea, rodoviária e multimodal. O lote inicial faz parte de uma compra maior de 1,8 milhão de doses realizada pela pasta.

A disponibilização da vacina contra bronquiolite na rede pública representa um avanço significativo em termos de acesso à saúde. Na rede privada, o custo do imunizante pode chegar a R$ 1,5 mil. A oferta no SUS foi viabilizada por um acordo entre o laboratório produtor e o Instituto Butantan, garantindo a transferência de tecnologia. Com isso, o Brasil passará a ter autonomia para fabricar o produto nacionalmente.

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância do momento:

“Esse é mais um passo decisivo para proteger gestantes e recém-nascidos de uma das infecções respiratórias mais graves do período neonatal. A chegada dessa vacina é uma novidade e reforça o compromisso do SUS com a prevenção e com o cuidado integral das famílias brasileiras”.

Impacto na saúde pública e dados de 2025

O Vírus Sincicial Respiratório é a causa de cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos. A aplicação da vacina contra bronquiolite na mãe oferece proteção imediata ao recém-nascido, reduzindo drasticamente o risco de hospitalizações graves.

Os dados reforçam a urgência da medida. Em 2025, até 22 de novembro, o Brasil contabilizou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) ocasionados pelo VSR. A maior concentração ocorreu justamente em crianças com menos de dois anos, somando mais de 35,5 mil ocorrências, o que representa 82,5% do total de casos.

Como a infecção é viral, não há tratamento específico para a cura da doença, apenas suporte. As medidas incluem oxigênio suplementar, hidratação e broncodilatadores. Por isso, a prevenção através da vacina contra bronquiolite é considerada a melhor ferramenta de combate.

Público-alvo e eficácia comprovada

O grupo prioritário abrange todas as gestantes a partir da 28ª semana, sem restrição de idade materna. A recomendação do Ministério é a aplicação de dose única a cada nova gestação. As equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) também atualizarão a carteira vacinal das mães para Influenza e Covid-19, pois a vacina contra bronquiolite pode ser administrada simultaneamente.

Estudos clínicos, como o Estudo Matisse, validaram a estratégia. A vacinação materna apresentou uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves em bebês nos primeiros 90 dias de vida. Assim, garantir o acesso à vacina contra bronquiolite é essencial para a saúde neonatal no Brasil.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 02/12/2025
  • Fonte: FERVER