Vacina contra a dengue do Butantan será distribuída no SUS em 2026
Imunizante nacional de dose única prioriza profissionais da saúde e adultos a partir de 59 anos.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 09/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Ministério da Saúde estabeleceu as diretrizes oficiais para a implementação da nova vacina contra a dengue, desenvolvida integralmente no Brasil pelo Instituto Butantan. Reconhecido como o primeiro imunizante do mundo contra a doença a utilizar dose única, o produto será incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Seguindo recomendações da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI), o lote inicial de 1,3 milhão de doses será destinado exclusivamente a profissionais da Atenção Primária.
A previsão é que este quantitativo esteja disponível até o final de janeiro de 2026. A prioridade abrange médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e de endemias que atuam diretamente nas Unidades Básicas de Saúde e em visitas domiciliares. O ministro Alexandre Padilha destacou a importância de proteger quem está na linha de frente.
“A vacinação já começa com a produção do Butantan, que vai disponibilizar volume suficiente para iniciarmos a imunização dos profissionais da atenção primária em todo o país. Estamos falando de agentes comunitários de saúde, agentes de endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que atuam nas unidades básicas e visitam diariamente as famílias em seus domicílios. A atenção primária é a porta de entrada para os casos de dengue, por isso é fundamental proteger o mais rápido possível esses profissionais”, afirmou Padilha.
Cronograma de expansão para o público geral
Após a imunização dos grupos prioritários, a estratégia de distribuição da vacina contra a dengue focará na população geral, iniciando pelos adultos mais velhos, especificamente na faixa de 59 anos. O plano prevê uma redução gradual da idade conforme a capacidade produtiva aumentar, até alcançar o público de 15 anos.
Para viabilizar a escala necessária, foi firmada uma parceria estratégica com a empresa chinesa WuXi Vaccines. Este acordo de transferência de tecnologia fortalece a política nacional de inovação em imunobiológicos, permitindo que o Brasil amplie a oferta da vacina contra a dengue de forma sustentável nos próximos anos.
Estudo de impacto em Botucatu e eficácia comprovada
Como parte da estratégia de avaliação, o município de Botucatu (SP) servirá como campo de estudo para a vacinação em massa. Diferente da diretriz nacional, a cidade vacinará aceleradamente a população entre 15 e 59 anos. O objetivo é analisar a efetividade da vacina contra a dengue na interrupção da dinâmica de transmissão da doença. Outros municípios com alta prevalência do sorotipo DENV-3 também estão sendo avaliados para integrar essa fase de testes.
A segurança e a potência do imunizante foram atestadas pela Anvisa. Os estudos demonstram uma eficácia de 74,7% contra a dengue sintomática e uma proteção robusta de 89% contra formas graves e sinais de alarme.
Investimentos e cenário atual da imunização
O governo federal projeta investimentos robustos no setor. O aporte anual no Instituto Butantan, que hoje supera R$ 10 bilhões, deve chegar a R$ 15 bilhões com a aquisição da nova vacina contra a dengue. O projeto também contou com financiamento de R$ 130 milhões do BNDES e recursos do Novo PAC Saúde para modernização fabril.
Paralelamente, o SUS manterá a aplicação da vacina do laboratório japonês (Qdenga), que requer duas doses e foca no público de 10 a 14 anos. Para 2026 e 2027, o Ministério garantiu 18 milhões de doses desse fabricante.
Apesar dos avanços tecnológicos, a prevenção continua sendo crucial. Mesmo com a redução de 75% nos casos e 80% nos óbitos em 2025, o combate ao mosquito Aedes aegypti exige a eliminação de criadouros, limpeza de calhas e vedação de caixas d’água. A vacina contra a dengue é uma ferramenta poderosa, mas a ação conjunta da sociedade permanece indispensável.