Uso excessivo de eletrônicos eleva casos de ansiedade entre adolescentes no Brasil
Uso excessivo de telas impacta saúde mental de jovens
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Pesquisas recentes indicam que a exposição prolongada a dispositivos eletrônicos pode estar afetando negativamente a saúde mental de uma geração, especialmente entre crianças e adolescentes. Segundo dados do Ministério da Saúde, nos últimos dez anos, houve um aumento alarmante de 1.575% nos atendimentos relacionados a transtornos de ansiedade no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças com idades entre 10 e 14 anos. Para os adolescentes de 15 a 19 anos, o crescimento foi ainda mais acentuado, atingindo impressionantes 4.423%.
Este cenário é corroborado por estatísticas que mostram que o número de atendimentos para adolescentes nessa faixa etária saltou de 1.534 em 2014 para 53.514 no último ano, representando um aumento superior a 3.300%.
Especialistas afirmam que o uso excessivo de dispositivos móveis está intimamente ligado ao aumento dos casos de ansiedade entre os jovens. O pediatra e sanitarista Daniel Becker ressalta que as consequências do uso desenfreado dos aparelhos têm duas vertentes principais. A primeira refere-se ao tempo perdido em atividades essenciais para o desenvolvimento infantil e adolescente, como brincadeiras, esportes e interações sociais. A segunda está relacionada à qualidade do conteúdo consumido através das telas.
Becker adverte que os algoritmos das plataformas digitais tendem a promover conteúdos prejudiciais, incluindo material consumista, violento e até ideologicamente inadequado. “As crianças são expostas a informações nocivas que podem incluir pornografia, bullying e discriminação”, afirmou ele.
Um fenômeno particularmente preocupante, segundo o pediatra, é a pressão estética enfrentada por meninas nas redes sociais. “Elas são bombardeadas com imagens de mulheres idealizadas que usam filtros e procedimentos estéticos extremos, o que pode levar ao desenvolvimento de quadros depressivos”, explicou Becker.
A questão do sono também é levantada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Clóvis Francisco Constantino, que alerta que o uso excessivo de telas pode prejudicar a qualidade do descanso dos jovens. O hábito de utilizar dispositivos eletrônicos antes de dormir tem demonstrado ser prejudicial para o sono, intensificando problemas emocionais existentes.
Constantino enfatiza a necessidade urgente de equilibrar o uso das tecnologias digitais com atividades ao ar livre e sugere que pais e cuidadores estabeleçam limites claros sobre o tempo dedicado às telas. Ele destaca que um uso consciente e moderado é essencial para preservar o bem-estar emocional das crianças e adolescentes.
Essas informações ressaltam a importância de uma abordagem mais crítica e equilibrada em relação ao uso da tecnologia na vida dos jovens, visando promover sua saúde mental e emocional.