UNIOPERA abre temporada com Beethoven e talentos do ABC

UNIOPERA abre a temporada 2026 com a Nona de Beethoven, sob regência de Abel Rocha, de Santo André, e participação da soprano Jéssica Leão, de São Bernardo do Campo

Crédito: Divulgação

A UNIOPERA inicia sua temporada 2026 com um concerto de forte carga simbólica e artística. A abertura será marcada pela execução da Nona Sinfonia de Beethoven, no Teatro Bradesco, em São Paulo, sob a regência do maestro Abel Rocha, titular da Orquestra Sinfônica de Santo André. No elenco de solistas, a soprano Jéssica Leão, natural de São Bernardo do Campo, reforça a presença de artistas ligados ao Grande ABC. Ao todo, serão seis apresentações, entre os dias 19 e 22 de fevereiro.

A escolha da obra não é casual. Considerada um dos pilares da música ocidental, a Nona Sinfonia carrega uma dimensão histórica, estética e filosófica que dialoga diretamente com o momento de abertura de uma temporada. Para Abel Rocha, conduzir Beethoven na estreia da UNIOPERA vai além da execução de um repertório consagrado.

“Abrir uma temporada com a Nona não é simplesmente inaugurar um calendário com uma obra célebre. É assumir um gesto simbólico forte, quase um posicionamento”, afirma o maestro. Segundo ele, a sinfonia aponta para uma utopia de fraternidade e humanidade compartilhada, construída em meio a tensões — um tema que permanece atual.

Uma obra de confronto e amadurecimento artístico

Ao longo de sua trajetória, Abel Rocha descreve a Nona Sinfonia como uma obra de confronto permanente. “Não é uma partitura que se domina. Cada retorno a ela exige revisão de escolhas, de discurso e de responsabilidade artística”, explica. Para o regente, Beethoven impõe limites técnicos e interpretativos que expõem o maestro, exigindo pensamento crítico e coerência musical.

Esse caráter desafiador se intensifica no quarto movimento, quando orquestra, coro e solistas se unem na célebre “Ode à Alegria”. Para Abel, o desafio central está em transformar essa grande estrutura sonora em um organismo único, com escuta coletiva e intenção compartilhada. “Quando tudo passa a respirar junto, a música ganha uma força que não pode ser produzida individualmente”, resume.

Beethoven, fraternidade e o diálogo com o presente

Embora frequentemente associada a uma mensagem de exaltação e entusiasmo, a leitura do maestro sobre a Ode à Alegria é mais complexa. Ele destaca a tensão presente na construção musical de Beethoven, que não oferece uma alegria pronta, mas uma conquista trabalhosa, quase negociada nota a nota.

Essa visão aproxima a obra do público contemporâneo. “A fraternidade hoje não é óbvia nem confortável. Ela precisa ser construída — e a Nona ainda é um dos lugares mais potentes para viver essa experiência de forma sensível”, afirma Abel Rocha.

UNIOPERA: tradição, formação e produção independente

A soprano Jéssica Leão como Rainha da Noite, na montagem UNIOPERA de 2019/Divulgação/Giuliana Orlando

A abertura da temporada 2026 reforça o papel da UNIOPERA como uma das principais entidades independentes dedicadas à música de concerto e à ópera em São Paulo. Fundada em 2002, a associação acumula mais de 20 anos de atuação, com montagens em importantes salas de espetáculo e temporadas regulares no Teatro Bradesco desde 2016.

Além da produção artística, a UNIOPERA mantém um forte compromisso com a formação musical. Mais de 2 mil pessoas já passaram pelo Coral da Cidade de São Paulo e por cursos gratuitos de teoria musical, solfejo e técnica vocal, abertos a participantes de diferentes idades e perfis profissionais.

Inspirada no modelo do Wiener Singverein, a entidade é pioneira em produções de grande porte fora do circuito convencional, reunindo músicos profissionais e um coral comunitário em projetos que unem excelência artística, participação social e acesso à cultura.

Com Beethoven na abertura, a UNIOPERA sinaliza que a temporada 2026 nasce não apenas como programação musical, mas como convite à escuta, à reflexão e ao encontro coletivo por meio da arte.

Serviço:

Ludwig van Beethoven

Sinfonia nº 9 op. 125 “Ode à Alegria”

Orquestra Acadêmica de São Paulo e Coral da Cidade de São Paulo

Maestro convidado: Abel Rocha

Teatro Bradesco São Paulo

Shopping Bourbon – R. Palestra Itália, 500 – Perdizes – São Paulo – SP

Dias 21 e 22 de fevereiro – 16h

Dias 19, 20, 21 e 22 de fevereiro – 20h

Solistas:
Jéssica Leão (soprano)
Gabriela Bueno (mezzosoprano)
Rafael Stein (tenor)
Rodolfo Giugliani (barítono)

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 09/02/2026
  • Fonte: FERVER