União Brasil e PP rompem com governo Lula e apoiam anistia a Bolsonaro
Antonio Rueda e Ciro Nogueira definem prazo para ministros deixarem o governo até o fim do mês
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 02/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A cúpula da federação União Progressista, composta pelos partidos União Brasil e PP, tomou a decisão, nesta terça-feira (2), de que todos os filiados devem se afastar do governo do presidente Lula. A informação foi confirmada por cinco lideranças das siglas. Com essa determinação, os ministros André Fufuca, à frente do Ministério do Esporte, e Celso Sabino, que comanda o Ministério do Turismo, ambos deputados federais licenciados, deverão deixar seus postos.
Além disso, a federação decidiu manifestar apoio a um projeto de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com o anúncio programado para ocorrer na mesma tarde em que se inicia o julgamento do ex-mandatário.
Conforme relatos provenientes das reuniões realizadas na manhã desta terça-feira entre os presidentes das duas legendas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, haverá um prazo estipulado para que os ministros deixem o governo. A expectativa é de que essa transição ocorra até o final do mês. Uma coletiva à imprensa está prevista para esclarecer os detalhes dessa decisão.
No entanto, a escolha de se desligar do governo não implica necessariamente que as indicações políticas dos dois partidos na Esplanada fiquem comprometidas. O União Brasil mantém representantes em outros dois ministérios: Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), ambos escolhidos pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), considerado um dos principais aliados da atual administração no Congresso. Alcolumbre também fez a indicação do atual presidente da Codevasf, Lucas Felipe de Oliveira.
O Partido Progressista (PP) controla a presidência da Caixa Econômica Federal através de Carlos Vieira, indicado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que também deverá permanecer no cargo.
A decisão de romper com o governo petista vem uma semana após Lula ter exigido lealdade dos ministros vinculados ao centrão durante uma reunião ministerial, sugerindo que aqueles que não se sentissem à vontade em defender sua gestão considerassem deixar seus cargos.
As declarações feitas por Lula intensificaram a pressão interna pelo desembarque das siglas, algo que já era apoiado por Rueda e Nogueira, mas encontrava resistência entre os membros dos partidos quanto à entrega dos cargos. Além das posições na Esplanada, ambas as legendas possuem indicações em cargos federais nos estados.
No encontro anterior, Lula havia instado os ministros do União Brasil e PP a se posicionarem em atos de oposição organizados por suas siglas, mencionando especificamente o evento de homologação da federação União Progressista realizado na semana passada, que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), potencial concorrente ao cargo presidencial nas próximas eleições.
Durante essa reunião, Lula declarou que não tinha a intenção de estabelecer amizade com Antonio Rueda e expressou descontentamento em relação ao dirigente partidário. O presidente também se referiu a Ciro Nogueira lembrando sua atuação como ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro e insinuando que o senador não teria votos suficientes para se reeleger no próximo ano.
Tais afirmações provocaram desconforto entre os membros das duas legendas e levaram o vice-presidente do União Brasil, ACM Neto (BA), a colocar em pauta o desembarque do governo em uma reunião da executiva nacional marcada para quarta-feira (3).
Recentemente, tanto Fufuca quanto Sabino buscaram apoio entre aliados para tentar apaziguar a situação e evitar sua saída do governo, uma vez que ambos almejam concorrer ao Senado no próximo ano e esperavam contar com o respaldo de Lula. Ambos foram indicados aos seus cargos pela bancada de seus respectivos partidos.
Apesar de controlar quatro ministérios e a presidência da Caixa Econômica Federal, as duas siglas têm demonstrado forte apoio à candidatura de Tarcísio para as eleições presidenciais.Esse possível desembarque pode ampliar a instabilidade do Executivo no Congresso Nacional. A base oficial do governo poderia ser reduzida para 259 deputados, apenas dois acima da metade necessária, agravando ainda mais as dificuldades enfrentadas atualmente no legislativo.