Tuiuti emociona Sapucaí com 5 símbolos iorubás de Cuba

A escola de São Cristóvão, Paraíso do Tuiuti, encerrou o Carnaval com enredo sobre o culto de Ifá e show de Mayara Lima à frente da bateria.

Crédito: Divulgação/Carnaval Rio

A passarela do samba transformou-se em um solo sagrado na última noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. A Tuiuti abriu as apresentações com o enredo religioso “Lonã Ifá Lukumi“, uma viagem profunda às raízes iorubás que floresceram em Cuba e que guardam conexões intrínsecas com o candomblé brasileiro. Com uma estética apurada e um forte apelo espiritual, a agremiação de São Cristóvão buscou não apenas o título, mas a exaltação da sabedoria ancestral africana que resiste através dos séculos.

A força de Mayara Lima e o misticismo da Tuiuti

Um dos momentos mais aguardados da noite foi a passagem da bateria. Como acontece nos últimos anos, Mayara Lima, rainha de bateria da Tuiuti, deu um verdadeiro show na avenida com uma dança perfeitamente sincronizada ao som dos ritmistas. Ex-passista da escola, Mayara é o símbolo vivo da ascensão comunitária no samba, reafirmando que sua trajetória de sucesso foi construída com base no respeito à cultura brasileira.

Neste ano, sua fantasia carregou um simbolismo vital para o enredo da Tuiuti: os ikins do Orunmilá. “São sementes sagradas fundamentais no sistema divinatório de Ifá. São elas que, nas mãos do Babalaô, revelam os Odus e ajudam a interpretar o destino”, explicou a rainha durante o percurso. O figurino, luxuoso e repleto de referências litúrgicas, foi um dos destaques visuais do setor.

Nei Lopes e o resgate histórico na Tuiuti

A profundidade intelectual do desfile da Tuiuti foi garantida pela presença do compositor, cantor, escritor e pesquisador Nei Lopes. O enredo foi diretamente inspirado em sua obra “Ifá Lucumi – O Resgate da Tradição”, que detalha como o culto sobreviveu à diáspora. A escola utilizou a visão de Lopes para criar alas que explicavam a filosofia dos Babalaôs e a importância da preservação cultural.

Outro ponto alto foi a participação emocionante da velha-guarda da Tuiuti. Representando os próprios Babalaôs (sacerdotes de Ifá), os baluartes carregaram bandeirolas de Cuba, simbolizando a ponte entre as duas nações latinas unidas pelo culto aos orixás. A precisão histórica do desfile foi um trunfo para a harmonia da escola, que cantou o samba-enredo com vigor do início ao fim.

Superação nos bastidores e mutirão no barracão

Apesar da beleza plástica apresentada, o caminho até a avenida não foi isento de tensões. A equipe de apoio da Tuiuti precisou realizar um mutirão hercúleo para finalizar as alegorias a apenas uma hora do início oficial do desfile. O trabalho intenso envolveu ajustes de última hora na iluminação, colagem de elementos decorativos e suporte logístico para que os destaques subissem nos carros com segurança. Esse esforço coletivo demonstrou a união dos componentes da Tuiuti em busca da perfeição técnica.

O legado do Ifá e o futuro da Tuiuti na apuração

Ao encerrar o desfile, a sensação entre os especialistas é de que a Tuiuti conseguiu equilibrar o rigor acadêmico de Nei Lopes com o brilho popular do Carnaval. A escola soube explorar a semelhança entre as tradições cubana e brasileira, criando uma narrativa que educa e encanta ao mesmo tempo.

Com uma plástica impecável e a bateria “Superpoderosa” em sintonia com Mayara Lima, a Tuiuti se posiciona como uma forte candidata a retornar no Sábado das Campeãs. O destino agora está nas mãos dos jurados, mas, para a comunidade de São Cristóvão, os Odus (destinos) revelados na avenida parecem apontar para um caminho de glória e reconhecimento.

  • Publicado: 05/02/2026
  • Alterado: 05/02/2026
  • Autor: 18/02/2026
  • Fonte: Whindersson Nunes