Trump e Zelenski discutem novas sanções à Rússia em meio a guerra tarifária
Trump intensifica pressão sobre Rússia com novas sanções; diálogo com Zelenski marca mudança de postura e foco em aliados estratégicos.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Na terça-feira, 5 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu um diálogo com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para abordar a implementação de novas sanções contra a Rússia. Estas medidas estão previstas para serem anunciadas na sexta-feira, 8 de setembro.
A nova rodada de sanções surge após o término do prazo concedido por Trump ao presidente russo Vladimir Putin, que deveria resultar em uma trégua no conflito armado iniciado em fevereiro de 2022. A expectativa é de que Putin não atenda a essa solicitação, resultando em penalidades econômicas adicionais.
Embora Zelenski tenha classificado a conversa como produtiva, ele não forneceu detalhes específicos sobre o conteúdo das discussões. Vale destacar que em ocasiões anteriores, Trump costumava contatar Putin antes de se comunicar com Zelenski. Esta mudança na sequência dos telefonemas reflete uma nova postura do presidente americano, que até então vinha adotando uma perspectiva mais alinhada à visão russa do conflito.
A conversa entre Trump e Zelenski ocorreu um dia antes da visita do negociador americano Steve Witkoff a Moscou. Embora Witkoff esteja programado para se reunir com Putin, especialistas próximos ao Kremlin acreditam que um acordo significativo é improvável.
Fontes próximas ao governo russo informaram à Folha que Putin está satisfeito com os avanços militares realizados até agora e acredita que sua administração pode resistir a novas sanções até pelo menos o final deste ano. Entretanto, permanece a incerteza sobre as reais intenções de Putin, o que sempre gera espaço para surpresas.
Desta vez, as sanções visam não apenas a Rússia, que já enfrenta restrições severas desde o início da guerra, mas também seus aliados. A eficácia das sanções anteriores é questionada devido à capacidade russa de contornar as punições e continuar seu esforço bélico. Portanto, os Estados Unidos decidiram focar suas ações em países como China, Índia, Brasil e Turquia, que estão sendo punidos por suas importações de petróleo e derivados russos.
Trump já iniciou esse processo com a Índia, impondo tarifas de importação de 25% sobre produtos indianos e destacando punições adicionais por considerar que esses países “financiam a guerra” de Putin. Em declarações à CNBC nesta terça-feira, Trump reiterou que “preços mais baixos de energia” seriam essenciais para reduzir o poder econômico da Rússia.
O raciocínio por trás dessa estratégia — reduzir preços através da penalização dos compradores — pode parecer contraditório; no entanto, países que dependem fortemente do petróleo russo podem enfrentar consequências significativas. Por exemplo, o Brasil importa cerca de 60% do diesel consumido diretamente da Rússia.
Caso as sanções sejam ampliadas para abranger qualquer transação comercial relacionada ao setor agrícola, isso poderá complicar ainda mais a situação no Brasil, onde entre 25% e 30% dos fertilizantes utilizados são originários da Rússia. Essa dependência é um fator pelo qual tanto Jair Bolsonaro (PL) quanto Lula (PT) buscaram manter relações diplomáticas com Putin, mesmo tendo condenado a invasão russa na ONU.
Para os parceiros BRICS China e Índia, a questão do petróleo bruto é igualmente crítica. Desde que a União Europeia impôs restrições à compra de petróleo russo em dezembro de 2022, a China passou a receber 47% das exportações russas e a Índia 38%.
Além disso, Zelenski comemorou o recente anúncio da OTAN sobre a aquisição de US$ 1 bilhão em armamentos americanos por quatro países europeus membros da aliança militar ocidental para serem doados à Ucrânia. Essa ação faz parte da estratégia delineada por Trump para aliviar os custos financeiros suportados pelos Estados Unidos na guerra.