Trump admite ter autorizado ações da CIA na Venezuela
Declarações do presidente dos EUA reacendem tensão diplomática e ampliam pressão internacional sobre o governo de Nicolás Maduro
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 16/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Durante uma coletiva no Salão Oval da Casa Branca, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ter autorizado operações da CIA na Venezuela, no contexto de crescente pressão sobre o governo de Nicolás Maduro. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times e envolve ações clandestinas que, segundo fontes, podem incluir missões letais no território venezuelano.
Ao ser questionado sobre um possível ataque terrestre contra cartéis no país sul-americano, Trump respondeu que o foco atual do governo americano estava em ações “em solo”. “Certamente estamos pensando agora na terra, porque já temos bem sob controle o mar”, declarou.
Quando um repórter perguntou se ele havia autorizado a CIA a agir com o objetivo de remover Maduro, o ex-presidente demonstrou desconforto, mas acabou admitindo: “Eu autorizei por dois motivos. Primeiro, eles (Venezuela) esvaziaram suas prisões nos Estados Unidos. E segundo, a questão das drogas. Temos um grande fluxo vindo da Venezuela. Vamos impedi-lo também por terra.”
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Reação da Venezuela e repercussão internacional

O governo venezuelano respondeu de forma cautelosa. Embora não tenha comentado diretamente a fala de Trump, a vice-presidente Delcy Rodríguez fez um discurso em que alertou os EUA sobre “qualquer ação agressiva” e reafirmou que a Venezuela enfrenta “uma ameaça militar sem precedentes na história”.
A declaração de Trump ocorreu poucos dias após a movimentação de bombardeiros Stratofortress B-52H sobre o Mar do Caribe, interpretada por analistas como uma demonstração de força dos Estados Unidos. Em contrapartida, Maduro ordenou exercícios militares em áreas estratégicas do país.
Análises políticas e estratégicas
O general venezuelano Guaicaipuro Lameda, exilado na Califórnia desde 2021, avaliou que as falas de Trump podem representar uma estratégia de pressão psicológica. “Essa retórica pode servir para induzir a rendição política do regime de Caracas”, observou.
Já o cientista político José Vicente Carrasquero Aumaitre, professor da Universidad Simón Bolívar, destacou que os Estados Unidos não reconhecem Maduro como presidente legítimo, tratando-o como líder de um cartel e potencial terrorista. Segundo o acadêmico, isso muda o enquadramento jurídico das ações americanas, dentro da doutrina “America First”, que permite medidas de defesa frente a ameaças externas.
“A CIA pode conduzir operações secretas de infiltração ou guerra psicológica, buscando enfraquecer o regime por dentro. Trump parece disposto a intensificar sua postura diante do governo venezuelano”, concluiu.