Trump publicou 62 vídeos de inteligência artificial desde 2022
A estratégia de Donald Trump nas redes sociais utiliza a Inteligência Artificial para desinformação, ataques a rivais e autopromoção
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 22/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A Inteligência Artificial (IA) emergiu de forma acelerada no cenário da comunicação política, e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está na vanguarda dessa controversa revolução digital. Segundo um levantamento detalhado do prestigiado jornal americano The New York Times, Trump transformou sua página na rede social Truth Social em um verdadeiro laboratório de conteúdo fabricado, publicando impressionantes 62 vídeos ou fotos criados por IA desde 2022.
Essa tática, vista por democratas como uma perigosa ferramenta de desinformação e resposta não institucional a opositores, é defendida pelos aliados como mera sátira política, porém, acentua o debate sobre a veracidade das informações na era digital, especialmente em um ano eleitoral crucial.
O uso estratégico de vídeos de Inteligência Artificial

A mais recente e talvez mais polêmica das montagens envolveu uma resposta direta aos protestos “No Kings” (Sem Reis), um movimento que mobilizou milhares de americanos em mais de 2.500 cidades contra o que consideram ser tendências autoritárias e o ataque de Trump a princípios democráticos, como a imigração e a educação. Na publicação, o republicano, ostentando uma coroa, é visto supostamente jogando fezes em manifestantes.
A reação do establishment político foi imediata e dividida. Enquanto líderes democratas condenaram a postagem como um ataque simbólico e irresponsável à população civil, aliados de Trump minimizam o impacto, classificando-o como “sátira”. Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, reforçou essa visão, defendendo a eficácia de Trump no uso das redes sociais. “O presidente usa as redes sociais para enfatizar seu ponto. É possível argumentar que ele provavelmente é a pessoa mais eficaz que já usou as redes sociais para isso. Ele está usando a sátira para fazer um ponto”, afirmou Johnson, ignorando a preocupação central: a linha tênue entre a sátira e a disseminação de conteúdo falso.
Ataques a Opositores e Fantasias Pessoais na Campanha Presidencial
O arsenal digital de Trump não se restringe a ataques a manifestantes. A análise do New York Times aponta que, dos 62 vídeos de Inteligência Artificial identificados, outros 14 foram usados para ataques frontais a adversários políticos e opositores. Um exemplo notório é a montagem que mostra o ex-presidente Barack Obama sendo preso, enquanto Trump assiste à cena rindo no Salão Oval da Casa Branca, um claro esforço para deslegitimar a oposição e reforçar a imagem de “justiceiro” de Trump perante sua base.
Além dos ataques, a Inteligência Artificial é usada para construir e projetar a imagem idealizada do próprio Trump. O levantamento revelou que 21 das montagens retratam o empresário em posições de poder ou em situações fantasiosas, incluindo retratos dele como papa, rei, vencedor do Nobel da Paz e até mesmo como um Jedi da saga Star Wars.
A inserção desses vídeos de Inteligência Aartificial foi particularmente agressiva durante a campanha de Trump à presidência em 2024. Algumas peças audiovisuais exploravam estereótipos e disseminavam notícias falsas sobre a imigração, além de atacarem diretamente sua concorrente, Kamala Harris.
Gaza: De Campo de Guerra a ‘Riviera do Oriente Médio’ em um Vídeo de Inteligência Artificial
Outras sete postagens fabricadas por Inteligência Artificial abordam diretamente políticas de governo, revelando a audácia da nova estratégia de comunicação. Um dos exemplos mais chocantes e controversos é um vídeo que retrata a devastada Faixa de Gaza como a “Riviera de Trump”, completa com uma estátua gigantesca do presidente americano e imagens dele com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, bebendo à beira de uma piscina.
Essa postagem, veiculada em fevereiro de 2025, está ligada à proposta que Trump havia manifestado de transformar Gaza na “Riviera do Oriente Médio” após o conflito. A ideia, que gerou forte reação internacional e de especialistas, demonstra como os vídeos de Inteligência Artificial são utilizados não apenas para humor ou ataques, mas também para visualmente endossar propostas políticas extremas, transformando a fantasia digital em uma extensão da comunicação oficial.
Apesar da crescente polêmica em torno da desinformação, a Casa Branca defende a estratégia de Trump. Em nota enviada ao The New York Times, a equipe de comunicação afirma que o estilo de comunicação do presidente é simplesmente “criativo e efetivo”, sinalizando que o uso agressivo e estratégico de vídeos de IA deve ser uma constante na política americana nos próximos anos.