Trilha sonora da resistência: do AI-5 ao STF, quem canta, quem cala
Condenação do ex-presidente inspirou guia ilustrado contra anti-golpista entre “Divino Maravilhoso” e a trilha sonora da resistência, um julgamento que fez história
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 22/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O julgamento de Bolsonaro virou quase uma ópera em toga: ministros se comportam como maestros, advogados desafinam como coristas improvisados e o público assiste entre o riso e a indignação. O tribunal parece menos tribunal e mais palco, em que cada voto soa como um solo dramático, cheio de pausas calculadas e frases para entrar na história.
Mas, por trás da pompa, houve e ainda permanece no ar um eco inevitável: as velhas trilhas sonoras da resistência nos tempos da ditadura. Se antes Chico, Gonzaguinha ou Elis eram calados pelos censores, hoje o barulho vem da verborragia jurídica. Onde havia marchas militares, temos votos em latim; no lugar da tortura explícita, regalias de cela VIP. A partitura muda, mas a tensão é a mesma: democracia tentando sobreviver à sua própria caricatura.
E talvez seja justamente aí que resida a ironia mais saborosa: enquanto Bolsonaro tenta vestir a fantasia de perseguido político, a memória coletiva ainda pulsa ao som de quem realmente resistiu. O passado nos entrega canções de coragem; o presente, capítulos de tragicomédia. E esse contraste abre caminho para a próxima história — porque a maratona política-judicial de Brasília nunca termina, apenas troca de trilha sonora.
Primeiramente: “É preciso estar atento e forte”
Se Gal Costa cantava que “não temos tempo de temer a morte”, o Supremo Tribunal Federal decidiu que, no Brasil, também não há tempo para temer a democracia – nem para desafinar na hora do julgamento. Naquele 11 de setembro verde e amarelo, o STF transformou o palco político nacional numa espécie de festival de música engajada, onde Bolsonaro e generais desafinaram bonito e acabaram levando um “não” tão sonoro quanto um solo de guitarra de protesto. A sentença: décadas no xilindró e mais tempo fora do palco eleitoral do que a carreira do Roberto Carlos.
Agora, com o show do julgamento encerrado, fica claro que a democracia brasileira não é para amadores nem para quem só sabe tocar “Parabéns pra Você” no teclado. Aqui, desafinou, sai do palco direto para a coxia do sistema prisional, sem direito a bis, encore ou pedido de música. Os antigos astros do poder vão precisar de muito ensaio para conseguir voltar ao festival da política – se voltarem, é só no karaokê do Congresso, e olhe lá!
Enquanto isso, a plateia nacional segue atenta, aguardando o próximo hit do STF, que promete ser ainda mais animado que o carnaval fora de época. E, para quem ainda sonha em desafinar contra a democracia, fica o aviso: nesse palco, o microfone está aberto, mas o xilindró já está com a luz acesa, esperando o próximo artista. Afinal, o Brasil não é só país do futebol, é também terra do julgamento com trilha sonora e samba no pé da Justiça!
Resumo da ópera: quem dançou, quem desafinou
O ex-presidente, três generais de respeito (Braga Netto, Heleno, Paulo Sérgio), um almirante de pose e um deputado, todos eles resolveram ensaiar o velho número do “golpe, mas só um pouquinho”. Resultado? Condenados por crimes contra a democracia, com direito a ficha mais suja que disco de vinil de boteco. E como cereja no bolo, a ministra Cármen Lúcia – que bem poderia ter sido backing vocal de Gal – garantiu a maioria para condenar a banda. Teve também menções de luxo: de Rosa Weber, que passou o bastão da resistência, a historiadores que sabem que golpe não se faz sozinho, mas com um time afinado de desafinados.
O ex-presidente, três generais de respeito (Braga Netto, Heleno, Paulo Sérgio), um almirante de pose e um deputado, todos eles resolveram ensaiar o velho número do “golpe, mas só um pouquinho”. Resultado? Condenados por crimes contra a democracia, com direito a ficha mais suja que disco de vinil de boteco. E como cereja no bolo, a ministra Cármen Lúcia – que bem poderia ter sido backing vocal de Gal – garantiu a maioria para condenar a banda. Teve também menções de luxo: de Rosa Weber, que passou o bastão da resistência, a historiadores que sabem que golpe não se faz sozinho, mas com um time afinado de desafinados.
Como todo bom festival, a plateia já está aguardando a próxima edição: será que vem aí o “Festival do Golpe 2 – O Retorno dos Fichas Sujas”? Spoiler: os ingressos já estão bloqueados, e o camarote é exclusivo do sistema prisional. Só resta aos antigos protagonistas treinar para o karaokê, porque nos palcos da democracia, se desafina, nem o playback salva.
Com o encerramento desse julgamento que entrou para a história, ficou evidente: a democracia brasileira não é para amadores, nem para quem só sabe tocar “Parabéns pra Você” no teclado. Aqui, quem desafina no palco institucional vai direto para os bastidores do sistema prisional, sem direito a bis, encore ou pedidos de música. Os antigos protagonistas do poder vão precisar de muita preparação para retornar ao festival político – e, se voltarem, será apenas para arriscar um número no karaokê do Congresso, isso se a plateia deixar – plateia? Medo.
Tentar anistia? Só com “olhos atentos e fortes”
Enquanto uns ensaiam a marcha da anistia e querem transformar o Congresso em máquina de lavar ficha suja, o STF mostrou que, por aqui, quem desafina contra a democracia ganha solo no xilindró. A tentativa de reescrever a trilha do 8 de Janeiro virou meme instantâneo, e, como bem diria Juca Chaves, todos estão tentando vender ingresso para um show que ninguém quer assistir. O projeto de perdoar os protagonistas do golpe ainda precisa combinar com o porteiro da Justiça Eleitoral, que, pelo visto, não aceita selfie com ficha suja.
É curioso perceber que, no Brasil de hoje, perdoar crimes contra a democracia virou quase uma modalidade olímpica: exige elasticidade moral, ginástica argumentativa e, claro, muito salto ornamental sobre a Constituição. Pena que, no pódio da Justiça, quem levou medalha mesmo foi a impunidade… mas foi desclassificada no antidoping da cidadania.
Assim, resta aos candidatos ao perdão político ensaiar o hino da humildade para a próxima temporada, porque, neste festival da democracia, só entra no palco quem tiver partitura limpa. E para quem insistir em desafinar, fica o consolo: o xilindró tem eco, dá até pra fazer coral – só não vale pedir bis nem sonhar com disco de platina no Tribunal.
Julgamento: lições, hits e refrões para não esquecer
- Primeiro refrão: O STF fundou o manual do “é preciso estar atento e forte”, interpretando a lei como partitura de resistência e não como música de elevador. Quem comandou o show levou pena maior que os figurantes, porque, afinal, maestro também responde pelo arranjo desafinado.
- Segundo solo: As Forças Armadas, por décadas habituadas a tocar seus próprios acordes, descobriram que a interferência na política pode trazer custo altíssimo: patentes em risco e tempo de palco cortado, mesmo com a primeira mulher regendo o Superior Tribunal Militar.
- Bônus track: A delação premiada virou hit da temporada, validada por unanimidade. É a “Acorda Maria Bonita” da justiça – canta quem sabe e entrega quem pode.
- Climax do show: Mesmo com ameaças e retaliações dignas de festival internacional, o julgamento seguiu firme, mostrando que “soberania é princípio constitucional” – e não letra de música esquecida.
- Final apoteótico: Não há bis nem clemência para crime contra a democracia. Indulto e anistia? Só se for no karaokê do Congresso, porque, no Judiciário, desafinar com a democracia é proibido.
Hoje completou 10 dias que, o Brasil acordou — mas não foi com despertador de político, e sim com o batuque atento do povo, que só cochila de olho aberto. A democracia por aqui floresce regada a café forte (e umas boas doses de ironia), enquanto cada cidadão, de crachá ou chinelo, vira maestro desse grande pagode institucional. No palco da liberdade, harmonia se faz com o coral da vigilância: afinamos juntos, desafinamos rindo e, se vier tempestade, já temos até capa de sarcasmo.
Porque proteger a democracia virou esporte nacional — vale até ginástica rítmica para escapar de golpes e cambalhotas retóricas nos plenários da vida. E como diria o poeta: “No samba da cidadania, só dança quem não dorme de toca; e se o golpe tentar bis, a plateia assobia, a banda para e o show continua — sob os aplausos sinceros de quem nunca vendeu ingresso para desafinar a Constituição.”