Tribunal Regional Eleitoral suspende investigação contra presidente da CBF
O TRE de Roraima suspendeu investigações sobre Samir Xaud, presidente da CBF, alegando falta de provas.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 31/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima anunciou nesta quinta-feira (31) a suspensão, em caráter liminar, das investigações que envolvem o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, em um suposto esquema eleitoral no estado.
A operação da Polícia Federal que visou Xaud ocorreu na quarta-feira (30) e foi motivada por um áudio em que seu nome foi mencionado por um dos indivíduos sob investigação.
O relator do caso, desembargador Jésus Nascimento, decidiu que as investigações deveriam ser interrompidas até que o pedido de habeas corpus apresentado pelos advogados de Xaud fosse julgado. Segundo o magistrado, os elementos reunidos até o momento não são suficientes para justificar a inclusão do presidente da CBF como alvo da investigação.
Samir Xaud manifestou sua posição através de um comunicado da CBF, onde afirmou: “Sei de onde eu vim, sei quem eu sou e mantive a tranquilidade nos últimos dias, apesar da injustiça cometida e da grave exposição negativa da minha imagem. Seguirei trabalhando com foco, fé e honestidade em prol do futebol brasileiro“.
Na quarta-feira, o juiz Ângelo Augusto Mendes, da 5ª Zona Eleitoral de Roraima, havia autorizado buscas da PF em endereços relacionados a Xaud no estado e na sede da CBF, localizada no Rio de Janeiro. As buscas foram fundamentadas em um áudio obtido pela polícia em que Renildo Lima, candidato a vereador, menciona à sua esposa, a deputada federal Helena da Asatur (MDB-RR), que Xaud poderia garantir votos para eles.
No áudio, Renildo afirma: “Agora nós estamos mais fortes, graças a Deus, porque eu e Helena tivemos o cuidado de colocar nas superintendências políticos que já foram testados nas urnas e bem votados. Por exemplo, o Samir [Xaud] teve 5.000 votos, então, o pedido dele, pelo menos 500 ele consegue”.
O juiz Mendes argumentou que tal mensagem sugere uma nomeação estratégica de Xaud para um cargo de direção partidária, visando à captação de votos em favor do grupo político ao qual pertence. Essa interpretação levantou preocupações sobre possível abuso de poder político e captação ilícita de sufrágio.
O Ministério Público do estado já havia manifestado oposição às solicitações feitas pela PF em relação a Xaud, apontando a ausência de indícios concretos ou individualizados que o vinculassem ao suposto esquema eleitoral.
A investigação da Polícia Federal teve início após a apreensão de R$ 500 mil em setembro de 2024, próximo às eleições municipais. O montante foi encontrado na cueca de Renildo durante sua campanha.
Até o momento, foram emitidos dez mandados de busca e apreensão nos estados de Roraima e Rio de Janeiro, além do bloqueio judicial superior a R$ 10 milhões nas contas dos investigados.