Triângulo das Bermudas: Fux e anistia no labirinto da impunidade

Noir, sarcasmo e a busca pelo Santo Graal da impunidade

Crédito: Imagem gerada por IA via ChatGPT (OpenAI)

O nevoeiro da anistia

Era uma noite nebulosa no Triângulo das Bermudas político — esse espaço mítico onde leis desaparecem, ministros viram detetives e partidos parecem caçadores de tesouros amaldiçoados. Todos os olhos voltados para a ilha perdida da anistia, onde cada movimento pode ser o último antes que tudo se dissolva no nevoeiro do nosso sistema jurídico.

Os fatos mais relevantes emergem como relâmpagos no horizonte: a luta pela anistia generalizada, o suspense sobre quem será salvo e quem afundará no mar dos processos judiciais. O PL, esse navio pirata comandado por bolsonaristas, lançou seu sinalizador: “Fux é nosso Indiana Jones, desbravando masmorras jurídicas em busca do cálice sagrado da justiça imparcial.”

O partido, sempre pronto para uma caça ao tesouro, aplaudiu o voto do ministro como se fosse o mapa do tesouro, jurando que, ao anular tudo, ele lavaria a toga com água benta e deixaria o Supremo à deriva.

Caçadores no Congresso

No convés da Câmara, Sóstenes Cavalcante, o capitão que não teme tubarões, jurou que a ira pela anistia será o vento em suas velas já na próxima segunda-feira, com a chegada do governador Tarcísio de Freitas à Brasília. Tarcísio, nosso herói pulp do planalto, mal desembarcou e já estava sendo apontado como o preferido do Centrão na corrida pelo trono presidencial de 2026.

Duas noites na capital bastaram para reanimar o projeto da anistia, como se fosse uma múmia rediviva em algum sarcófago do Congresso. Em meio ao festival de suspense, Hamilton Mourão, velho marinheiro e ex-vice de Bolsonaro, surge entre nevoeiros jurídicos, soprando que “só a anulação total do processo pode exorcizar os inúmeros vícios incorrigíveis”.

Mourão veste capa preta e chapéu de feltro: diz que o Supremo, com seus poderes de feiticeiro, não deveria julgar os réus da chamada “trama golpista”. Mais fácil pedir para o triângulo devolver barcos desaparecidos do que para Brasília devolver a paz institucional.

Sermões e esfinges

Do púlpito, pastor Silas Malafaia, sempre pronto para uma cruzada, proclama que o voto de Fux foi “arrasador”, digna de final cinematográfico. Sua lógica era direta: o Supremo mudou as regras do jogo no segundo tempo, tornando todo o processo uma “vergonha total”. Para ele, a cena parecia retirada de uma novela mexicana ambientada num submarino perdido, onde a perseguição política é o único roteiro possível.

Mas, como todo bom enredo noir, a esperança da oposição permanece apenas como uma sombra projetada nas paredes do Congresso. Apesar dos discursos inflamados e dos gestos ensaiados para as câmeras, não há sinal concreto de que o projeto de anistia avance. Hugo Motta, presidente da Câmara, desempenha o papel da esfinge: não revela datas, não se compromete, nem mesmo com o requerimento de urgência que seus pares aguardam ansiosamente.

Enquanto isso, o tempo se arrasta e a neblina aumenta, criando um palco perfeito para que dúvidas, boatos e estratégias se confundam. A plateia observa o espetáculo com a sensação de que o próximo plot twist já está a caminho, mas sem saber se ele virá como salvação, como desastre ou apenas como mais uma reviravolta fadada a se perder no ar rarefeito de Brasília.

Alcolumbre e os mortos-vivos

No Senado, as coisas não ficam menos misteriosas. Davi Alcolumbre, presidente e roteirista da trama, anuncia que trabalha num texto alternativo para anistia, mas sem admitir os organizadores e financiadores da tentativa de golpe — especialmente Bolsonaro, o personagem cuja sombra paira sobre toda a narrativa.

Os bolsonaristas insistem em uma anistia ampla, que lave a honra do ex-presidente e de seus seguidores. Mal sabem que, nesse romance pulp, nem sempre o mocinho escapa dos tentáculos do Kraken jurídico. Nos bastidores, Alcolumbre confidencia a aliados: “Tenho pressa. Quero atualizar a Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito.”

O plano? Criar tipos penais distintos, separar organizadores, financiadores e, é claro, a tal “massa de manobra”, esses figurantes que sempre acabam como mortos-vivos em qualquer filme de zumbi parlamentar. Na prática, civis teriam penas reduzidas, enquanto políticos e militares ficariam fora do baile de máscaras da anistia.

FUX Anistia
Imagem gerada por IA via ChatGPT (OpenAI)

O labirinto da impunidade

O suspense segue, pois, cada iniciativa no Congresso vira uma expedição arqueológica em busca de artefatos perdidos. Os líderes do PL e Republicanos negociam, trocam recados cifrados e criam labirintos legislativos onde a anistia corre o risco de se perder para sempre.

O clima é de mistério: ninguém sabe quem será o próximo sacrificado aos deuses do processo judicial, e o fantasma de Bolsonaro vagueia pelos corredores como um personagem de Raymond Chandler em busca de redenção. Enquanto isso, a massa de manobra — esse povo que nunca ganhou roteiro próprio — segue assistindo ao espetáculo de suspense.

Cada sessão da Comissão de Constituição e Justiça parece uma reunião secreta de caçadores de relíquias. A cada novo capítulo, esperança e frustração se alternam como tempestades tropicais.

Clímax e epílogo

O roteiro noir do nosso Congresso segue, com parlamentares cruzando corredores como detetives decadentes, procurando pistas que justifiquem anistias, cassações e milagres jurídicos. O clima de conspiração é tão denso que nem Indiana Jones arriscaria colocar o chapéu nesse cenário sem antes consultar o mapa astrológico da política nacional.

E, como em todo bom romance pulp, o clímax se aproxima: ninguém sabe se a anistia será concedida, se Bolsonaro será resgatado de sua ilha deserta ou se os personagens centrais vão afundar em um mar de processos. O suspense é total e a plateia, já cansada de tantas reviravoltas, espera pelo final que só o Triângulo das Bermudas pode oferecer: ou a lei desaparece ou a impunidade emerge, triunfante, em meio ao nevoeiro.

No epílogo, resta apenas rir — ironicamente — da saga política brasileira. Se Juca Chaves estivesse narrando, diria que “neste país, até a lógica é exilada.” Arnaldo Jabor completaria: “E quem acha que tudo vai mudar, provavelmente está esperando o Titanic voltar do fundo do mar.” O Triângulo das Bermudas político segue, com seus enigmas à la Indiana Jones e seus personagens mais perdidos do que nunca, navegando em mares onde a anistia é tão rara quanto sinceridade eleitoral.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 24/09/2025
  • Fonte: Fever