Baile do cancelamento: sanções e anistia em compasso de espera
No salão da política, quem perde visto acaba ganhando palco, e quem se acha blindado descobre melhor tempo olímpico, rimado e, sobretudo, escancarado
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 24/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O Baile dos Vistos Cancelados
Foi dada a largada para o baile do cancelamento, onde ministros e juízes viraram passistas do Departamento de Estado, sambando na fila dos vistos suspensos. Jorge Messias, o mago da AGU, foi logo chamado para a pista, mas tropeçou no carimbo. Airton Vieira, Marco Antônio Vargas e Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, conhecidos por assessorar Alexandre de Moraes, agora se perguntam se Miami aceita Pix ou só cartão de crédito. José Levi e Benedito Gonçalves, que já foram figurinha premiada no TSE, descobrem que o passaporte brasileiro tem um mistério: ele sempre vence antes da viagem. No salão dos vistos, Cristina Yukiko Kusahara tenta entender se chefe de gabinete ganha desconto ou só fila preferencial.
Enquanto uns perdem a entrada nos States, outros torcem para que a próxima rodada de sanções seja animada como jogo de truco em Brasília. Andrei Rodrigues, o superintendente da Polícia Federal, já fez cara de quem não quer ir para Orlando, mas está de olho nos brindes do Duty Free. Fabio Shor e uma trinca de federais foram convidados para o bloco dos “proibidos de embarcar”, mas garantem que preferem o litoral baiano, onde visto é só o da praia. Bolsonaristas, sempre prontos para o carnaval fora de época, aplaudem as sanções como quem espera pipoca doce: se não vier, pelo menos rima com amargor.
Na plateia do tribunal, quem viu a festa dos vistos torceu o nariz e batucou na mesa, chamando de deslealdade. Aparentemente, costuravam um acordo, mas acabaram remendando um trapézio político que balança entre a prisão domiciliar de Bolsonaro e o desejo incontrolável de fazer do Congresso um ringue de MMA. Enquanto aliados do ex-presidente intercedem, os que ficaram sem visto já pensam em abrir franquia de açai em Boa Vista.
Câmara em Compasso de Espera
Nas profundezas da Câmara dos Deputados, a banda toca um jazz desconcertante, e lideranças secretas confessam que a pauta vai dançar conforme a música da sanção. Dizem que as punições vindas de Trump têm mais efeito que cafeína na madrugada de Brasília: geram insônia, tremedeira e uma vontade súbita de adiar qualquer coisa que não seja churrasco. As manifestações de domingo, com direito a selfie e spray de espuma, também mexeram com o humor dos deputados, que agora preferem esperar o próximo meme antes de votar qualquer assunto sério. A discussão vai para o freezer, junto com o sorvete de abacaxi e as ideias de última hora.
No domingo, Motta, esse maestro da pauta alternativa, não quis saber de anistia vestida de gala. Preferiu um projeto de redução de pena, pois, segundo fontes confiáveis (os garçons do cafezinho), anistia completa é para quem tem o passaporte em dia. Sob os holofotes do Supremo, o centrão faz cara de paisagem e aguarda o desenrolar das reações trumpistas, porque, em Brasília, nada é tão certo quanto a dúvida. Aliás, compasso de espera é quase uma modalidade olímpica no Congresso.
Integrantes do centrão, com um olho no gato e outro no queijo, falam em “compasso de espera” como quem espera o Uber no fim da festa. Se Trump resolver dar um show, a Câmara entra em modo avião, e qualquer tentativa de anistia vira propaganda de colchão ortopédico. O clima, já azedo, se mistura ao cheiro de pizza que nunca sai dos corredores do Legislativo. Sanções no cardápio, anistia no forno e deputados no sofá, tudo em rima e compasso.
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O Revezamento Olímpico da Anistia
O revezamento da anistia, que movimenta os projetos de lei pelo Congresso Nacional, está mais competitivo do que nunca, com ministros, parlamentares e uma arquibancada que só quer saber de pão de queijo vibrando a cada disputa. Motta, sempre envolvido com estratégias alternativas dignas de maratonista, foi buscar orientação com Gleisi Hoffmann, a rainha da resistência institucional, para saber se valia tentar reduzir a penalidade dos competidores. Gleisi, serena como porta-bandeira, lembrou que este jogo é do Congresso e do STF, com o Planalto só entrando na pista quando toca o hino preferido.
Após o apito inicial, o relator correu para Michel Temer em busca de estratégias olímpicas, mas saiu de lá apenas com a receita do café da manhã dos atletas. Em uma reunião digna de cerimônia de abertura, os representantes do governo avisaram que não vão torcer pela redução de penalidades, apostando suas medalhas no licenciamento ambiental — o salto em altura que trava o andamento da Câmara como queda de bastão na corrida decisiva. A partir de amanhã, o foco será no meio ambiente, e quem quiser competir por outros temas terá que esperar o final da maratona do desmatamento. Redução de penas virou reserva no time, aparecendo só para completar o quadro dos atletas em baixa audiência. O congelamento da pauta virou o novo “recorde nacional” das desculpas parlamentares.
Com o clima mais apertado do que ginásio lotado na final dos 100 metros rasos, Motta tentou convencer o Palácio do Planalto a tirar a classificação de urgência do projeto de lei. Mas o Planalto, como comissão julgadora exigente, só aceita negociar se for para votar outros projetos de Lula, como a ampliação da zona de isenção do Imposto de Renda — o ouro tão desejado pelos competidores. A anistia, por sua vez, foi empurrada para o final da fila, junto com os sonhos de consumo dos ruralistas, que preferem aprovar o texto já homologado pelo Congresso e jogar a versão do governo para repescagem. No revezamento da anistia, quem paga o preço é sempre o contribuinte, assistindo do camarote o espetáculo que mistura corrida, salto e ginástica política.
O Gran Finale do Plenário
No grande palco do plenário, a rima encerra a dança: quem perdeu o visto agora vê tudo de longe, como turista sem selfie. Os personagens citados, outrora reis do camarote, agora disputam espaço entre a fila do consulado e o bloco dos rejeitados. O baile dos cancelados, que começou com carimbo, termina com gargalhada, e Brasília descobre que, no fundo, todo mundo quer ser protagonista – nem que seja de meme. No plenário, sanção virou nome de drink, servido gelado e com rodela de limão.
Sanções políticas e anistias de ocasião se misturam como caipirinha e feijoada, cada qual com sua dose de acidez e humor. A Câmara dos Deputados, sempre pronta para a próxima rima, segue no compasso da espera, enquanto os personagens políticos brasileiros viram figuras de papelão – ora heróis, ora vilões, sempre prontos a aparecer no final do samba. O impacto político, como bom brasileiro, nunca perde a piada, nem o ritmo. E no final, quem ri é quem lê, porque o roteiro já está pronto para a próxima rodada.
E na capital das pizzas, negociar anistia é como disputar final de Copa do Mundo sem goleiro: cada lance pode virar virada inesperada, e o placar só é fechado quando ninguém mais aguenta torcer, restando ao público apenas rir das prorrogações infinitas. E nas olimpíadas da anistia, que começou rimando corrida com sanção, termina rimando con+fusão e o povo que pagou caro pelo ingresso, assiste na chuva de pé. Afinal, se no início tudo era visto, no final, tudo é riso – e Brasília, como sempre, não perde o compasso. No país da rima política, quem não dança, assiste a música e ri, e ainda pula feito saci, sem perna ou sem dó “que pena”, de si.