“Tremembé”: Sandrão processa Amazon e pede R$ 3 milhões
Ex-detenta processa Amazon Prime por distorção de sua história na série 'Tremembé'; pede R$ 3 milhões e refuta alegações de liderança na prisão
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 20/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A série true crime “Tremembé”, lançada em 31 de outubro de 2025 pelo Amazon Prime Video, que dramatiza o cotidiano da famosa penitenciária paulista, está no centro de uma nova e explosiva controvérsia judicial. A ex-detenta Sandra Regina Ruiz Gomes, popularmente conhecida como Sandrão, ajuizou uma ação contra o gigante do streaming após a representação de sua história na produção, que também aborda figuras notórias como Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga.
Na demanda, Sandra Gomes exige uma indenização no valor de R$ 3 milhões, alegando que a produção utilizou sua imagem de forma indevida e, mais grave, distorceu eventos significativos de sua vida prisional e pessoal. Para a ex-detenta, a narrativa ficcional apresentada pela série “Tremembé” cria uma imagem negativa e exagerada que compromete seu processo de ressocialização.
O processo tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo. Procurada, a Amazon Prime Video manteve a postura de não comentar litígios em andamento, enquanto o advogado de Sandrão, José Roberto Rodrigues Junior, não havia se manifestado até o fechamento desta matéria.
Os 3 pontos de controvérsia que colocam a série “Tremembé” no banco dos réus
A força da ação judicial de Sandra Gomes reside na alegação de que a série “Tremembé” extrapolou o limite da licença artística ao criar situações e representações que, segundo ela, são inverídicas. Sandrão foi condenada a 24 anos de prisão, em 2005, por seu envolvimento no sequestro e assassinato do vizinho, um adolescente de 14 anos, crime ocorrido em 2003.
Os principais pontos de discórdia da ex-detenta foram detalhados publicamente e se concentram em três eixos centrais:
1. Negação de Liderança e Manipulação
Na trama de “Tremembé”, Sandra é retratada como uma figura proeminente e manipuladora dentro da Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, exercendo uma espécie de liderança sobre outras detentas.
Sandrão refuta categoricamente essa representação. Em entrevista ao programa “Domingo Espetacular”, ela foi enfática: “É mentira. Eu não fui líder de nada. Fizeram uma ficção baseada na minha vida real.” Ela argumenta que a produção “Tremembé” a coloca em um papel de poder que ela nunca exerceu no presídio.
2. Contestação da cena do ferimento a bala
Outro ponto de intensa divergência é a representação de um ferimento sofrido pela personagem inspirada em Sandrão na série. A ex-detenta negou veementemente que essa cena seja real, afirmando que jamais foi baleada durante os eventos relacionados ao crime pelo qual foi condenada. A inclusão de um ferimento a bala, na visão da defesa, serve apenas para construir uma imagem mais violenta e dramática da personagem, distanciando-a dos fatos processuais.
3. A ficção da “Gaiola do Amor” na Penitenciária de Tremembé
Talvez um dos pontos mais sensíveis da ação seja a representação da vida íntima dentro da unidade prisional. A série sugere a existência de uma “gaiola do amor”, um espaço supostamente reservado para relacionamentos homoafetivos entre as detentas — um tema que ganhou notoriedade devido aos relacionamentos de Sandra com figuras como Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga.
Sandra Gomes desmentiu a existência desse local, esclarecendo que a realidade dos relacionamentos na prisão é muito mais restrita. “Você tem um relacionamento com alguém e é como se fosse responsável por aquela pessoa; mas não existe um espaço específico para isso na prisão,” detalhou. Ela acrescenta que demonstrações explícitas de afeto não são permitidas em público, sendo a intimidade restrita ao ambiente privado da cela, quando as luzes são apagadas e as cortinas estão fechadas.
A complexa disputa entre o true crime e a versão da ex-detenta
O embate legal levanta a discussão sobre os limites entre o gênero true crime e o direito à imagem de indivíduos envolvidos em casos reais, mesmo após o cumprimento de pena. Sandrão insiste que, embora seu passado seja público, a licença poética utilizada pela série “Tremembé” cruzou a linha da veracidade, prejudicando sua reputação e seu esforço para se ressocializar.
A ex-detenta chegou a negar, também, boatos sobre desentendimentos com Suzane von Richthofen relacionados a presentes supostamente enviados pelo apresentador Gugu Liberato (1959-2019), o que reforça sua posição de que a série misturou fatos checados com informações deturpadas e rumores.
O desfecho desta ação judicial será um marco importante para definir o balanço entre a liberdade de expressão de produtoras de streaming e os direitos individuais de pessoas que já tiveram suas vidas expostas e condenadas pela Justiça, mas que agora buscam reescrever sua história longe dos holofotes da Penitenciária de Tremembé.