10 dicas para proteger seu cachorro dos fogos no fim de ano
Especialistas orientam como tutores podem proteger o cachorro e outros pets também, dos fogos de artíficio na virada do ano
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 20/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
O fim de ano, com suas celebrações e festividades, infelizmente, traz consigo um aumento preocupante no número de acidentes e fugas de animais domésticos. O catalisador desse cenário é, em grande parte, o estampido repentino e alto dos fogos de artifício. Para os cães, que possuem uma capacidade auditiva significativamente superior à humana, a experiência sonora é de profundo estresse e, muitas vezes, pânico.
Dados técnicos, frequentemente referenciados pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), indicam que sons acima de 60 decibéis — o volume de uma conversa em tom elevado — já são suficientes para provocar reações intensas de estresse físico e psicológico nos pets. É neste contexto de vulnerabilidade que a prevenção se torna crucial. O especialista em comportamento canino Richardson Zago, fundador da Zago Adestramento, enfatiza a necessidade de preparar o ambiente e o próprio animal para o período das festas.
“O susto desencadeia uma reação de impulso no animal, que pode resultar em ferimentos graves ou em longas e perigosas fugas. A preparação prévia e o manejo adequado do ambiente são ferramentas que reduzem significativamente esses riscos”, afirma Zago.
Para ajudar os tutores a navegar por este período com segurança e tranquilidade, o especialista compilou dez recomendações essenciais que podem fazer toda a diferença na proteção dos cães durante as noites de Natal e Réveillon, dominadas pelo barulho dos fogos de artifício.
Em entrevista exclusiva ao ABCdoABC, Larissa Zambom, professora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, passou orientações de como minimizar os sustos por conta de fogos de artifício aos responsáveis por pets, que forem passar a virada de ano na região.
Na região do Grande ABC, existe diferença nas orientações para pessoas que vão passar a virada do ano com seu pet?
“Com a aproximação das festividades, a preocupação com o bem-estar dos animais de estimação diante dos fogos de artifício com estampido retorna. Embora existam leis estaduais e municipais que proíbem a soltura de artefatos com ruídos sonoros, como Lei Estadual nº 17.389/2021 (em São Paulo, por exemplo), a realidade em muitos bairros ainda inclui episódios de barulho que podem causar grande estresse aos pets.
Mesmo com as proibições de ruídos, o perigo dos fogos de artifício, inclusive os silenciosos, persiste. O cuidado com a segurança deve ser redobrado com todos os pets, mesmo aqueles que não demonstram medo ou estresse sonoro, pois os acidentes podem causar queimaduras, fugas e atropelamentos.
Todos os anos, clínicas e hospitais veterinários registram casos de cães e gatos com queimaduras graves causadas pela proximidade ou contato com artefatos. Assim como o susto repentino, mesmo por um clarão, pode gerar pânico e levar o animal a fugir de casa. Nesses casos, o risco de atropelamento e perda é significativo”.
Quais são os principais cuidados que donos de pets precisam ter com os fogos de artifício na virada do ano?
Para ajudar a minimizar o sofrimento dos animais durante a queima de fogos, seguem algumas dicas práticas.
Para minimizar o estresse sonoro, os donos podem abafar o ruído com bolas de algodão nos ouvidos do animal. Importante certificar-se de que o algodão esteja posicionado de forma a não machucar o canal auditivo.
Deixar uma música de fundo, ligar músicas calmas ou sons de frequência constante em volume moderado pode mascarar o barulho repentino dos fogos, tornando-os menos audíveis e perturbadores.
No momento da soltura dos fogos, é crucial que o animal esteja próximo a um responsável. A presença e o carinho do tutor oferecem segurança e conforto.
Importante, se as dicas comportamentais não forem suficientes, saiba que existem alternativas como fitoterápicos, homeopatias e florais. No entanto, esses tratamentos devem ser administrados com antecedência e, obrigatoriamente, sob orientação e prescrição de um Médico Veterinário.
Programe-se com antecedência e garanta um lugar seguro, fechado e confortável para o seu pet durante os dias de festa. Verifique portões, janelas e muros para evitar rotas de fuga.
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Preparação e manejo do ambiente contra Estampidos
A primeira linha de defesa contra o pânico induzido pelo som é a organização do espaço e a adoção de medidas simples de isolamento ou atenuação.
- Proteja os ouvidos do pet: O uso de algodão macio nos ouvidos do animal ajuda a atenuar o impacto da onda sonora das explosões. Embora não seja uma solução para eliminar totalmente o ruído, essa medida simples diminui a pressão sonora e consegue amortecer o desconforto que, em muitos casos, é o gatilho para crises de pânico.
- Organize um espaço acolhedor e seguro: Caixas de transporte, tocas, casinhas ou cantos mais fechados da casa funcionam como abrigos psicológicos seguros. Locais menores e mais escuros, como debaixo de uma mesa coberta, oferecem uma sensação natural de proteção. É vital que o tutor deixe este refúgio sempre acessível, permitindo que o cão se acomode rapidamente assim que sentir o perigo.
- Reforce portões, janelas e varandas: O risco de fuga dispara quando o cão está assustado. Em residências com quintal, o animal pode tentar escalar muros ou romper grades. Em apartamentos, o perigo reside em portas e vidraças. Zago alerta que já foram registrados casos de pets que se feriram gravemente ao romper vidros em momentos de desespero e tentativa de escapar. Reforçar esses pontos de saída é uma medida de segurança inegociável.
- Garanta identificação sempre atualizada: Uma coleira com plaquinha de identificação, QR Code ou, no mínimo, o número de telefone do tutor, é um recurso vital para o reencontro rápido. Segundo o especialista, essa precaução simples aumenta consideravelmente as chances de que o animal seja devolvido em segurança, caso consiga fugir.
O papel da postura do tutor no combate ao medo dos fogos
A tranquilidade do humano de referência é um dos fatores mais determinantes para o manejo da ansiedade canina frente aos fogos de artifício.
- Mantenha uma postura calma e nunca deixe o cão sozinho: A presença do tutor é uma referência emocional para o animal. Se você se mantém tranquilo e alheio ao barulho, o cão capta essa estabilidade e tende a se acalmar mais depressa. É estritamente recomendado que o pet nunca fique desacompanhado durante a queima de fogos, sobretudo se ele já manifestou histórico de medo ou pânico em outras ocasiões.
- Treine o pet desde filhote: O condicionamento comportamental preventivo diminui a chance de reações extremas na vida adulta. Desde filhote, o ideal é simular e prepará-lo para situações de ruído. O tutor deve manter a rotina e agir como se o barulho fosse normal, evitando olhar para o cão e, principalmente, dar excessiva atenção ao comportamento de medo.
- Evite o erro de abraços excessivos: Embora seja um instinto natural, demonstrar apego exagerado e consolar o cão enquanto ele demonstra medo reforça, psicologicamente, a ideia de que há um perigo real. O objetivo do tutor deve ser transmitir segurança e normalidade, jamais estimular o comportamento de pânico.
- Use a técnica da pressão suave (Panos): Envolver o cão de forma leve e segura com um pano, como um cachecol ou uma faixa, pode ajudar a regular o sistema nervoso. A pressão suave em pontos específicos do corpo, simulando um abraço ou contenção, costuma reduzir a ansiedade em muitos pets.
Associação positiva e condicionamento
- Associe o barulho a uma experiência positiva, mas com cautela: Oferecer algo muito palatável ou para roer (um brinquedo recheado, um osso recreativo) pode desviar a atenção do cão do ruído.
- ALERTA IMPORTANTE: Esta técnica deve ser aplicada antes do medo se instalar. “Você pode dar algo para o cachorro roer e, enquanto ele está focado nisso, introduzir sons de fogos bem baixinho, observando se ele mantém a sensação de prazer. Se oferecermos a recompensa enquanto o cão já está assustado e em pânico, o tutor estará, inadvertidamente, reforçando o comportamento de medo”, explica Richardson Zago.
- Reforce sempre a calma: Lembre-se, sua tranquilidade é o termômetro da situação para o seu cão. Agir com naturalidade é a melhor forma de evitar que ele interprete os fogos de artifício como uma ameaça existencial.