Abril azul: saiba o que é o Transtorno do Espectro Autista e como é feito seu diagnóstico
O Transtorno do Espectro Autista atinge homens e mulheres, mas é comum haver diagnósticos femininos tardios
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 28/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados.
Indivíduos com TEA podem apresentar um repertório restrito de interesses e atividades. Sinais de alerta no desenvolvimento da criança podem ser percebidos nos primeiros meses de vida, sendo o diagnóstico geralmente estabelecido por volta dos 2 a 3 anos de idade.
Prevalência do TEA no Brasil
Atualmente, não há dados oficiais precisos sobre o número de pessoas com TEA no Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que tenha cerca de 2 milhões.
Em 2019, foi sancionada a Lei 13.861/19, que determinou a inclusão de informações sobre autismo no Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim, o Censo de 2022 foi o primeiro a coletar dados oficiais sobre a população autista no país.
Níveis de Suporte do TEA
O TEA é classificado em três níveis de suporte, conforme o grau de suporte necessário para o indivíduo.
De acordo com a Neuropsicóloga Claudia Rodrigues, os níveis auxiliam profissionais e familiares a compreenderem as necessidades específicas de cada pessoa com TEA.
Nível de Suporte 1
Indivíduos neste nível requerem suporte mínimo. Eles podem apresentar dificuldades em iniciar interações sociais e demonstrar inflexibilidade em certas situações, mas geralmente conseguem agir de forma independente com algum auxílio.
Nível de Suporte 2
Pessoas que necessitam de suporte substancial se enquadram neste nível. Elas apresentam déficits mais pronunciados na comunicação social e maior dificuldade em lidar com mudanças, exigindo apoio mais consistente para realizar atividades diárias.
Nível de Suporte 3
Este nível engloba indivíduos que requerem suporte muito maior. Eles possuem déficits graves na comunicação verbal e não verbal, além de comportamentos extremamente inflexíveis, necessitando de assistência contínua em diversas áreas da vida.
“Com a intervenção terapêutica adequada, crianças com Transtorno do Espectro Autista nível 3 podem desenvolver habilidades fundamentais, como a autonomia nas atividades básicas de autocuidado (higiene pessoal, vestimenta e alimentação), a redução de estereotipias e comportamentos disruptivos, além da ampliação das competências sociais. Essas melhorias são alcançadas por meio de abordagens baseadas em evidências, como Análise do Comportamento Aplicada (ABA), Terapia Ocupacional com Integração Sensorial, Fonoaudiologia e suporte multidisciplinar, promovendo maior qualidade de vida e funcionalidade no cotidiano., explicou Cláudia Rodrigues
Diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista
O diagnóstico do TEA é clínico e deve ser realizado por uma equipe multiprofissional especializada.
Envolve a observação do comportamento da criança e entrevistas com os pais ou responsáveis. O diagnóstico precoce é fundamental para o desenvolvimento de estímulos que promovam a independência e a qualidade de vida das crianças.
Diagnóstico Tardio e Mulheres
O diagnóstico tardio do TEA ocorre quando a identificação do transtorno acontece após a infância, frequentemente na adolescência ou na vida adulta.
Claudia é autora do artigo de pós-graduação: Prejuízos do diagnóstico tardio em mulheres autistas segundo a neuropsicologia. A profissional disse que o diagnóstico tardio pode gerar sofrimento nessas mulheres como:
- Problemas de Saúde Mental;
- Ansiedade e depressão, muitas vezes intensificadas por anos de tentativas frustradas de se encaixar;
- Burnout autista (esgotamento extremo devido à sobrecarga sensorial e social);
- Baixa autoestima e sentimentos de inadequação;
- Dificuldades nas Relações Sociais;
- Sentimento de isolamento por não conseguir se conectar com os outros da mesma forma que neurotípicos;
- Más interpretações sociais, levando a rejeição ou dificuldades para manter amizades;
- Maior vulnerabilidade a relacionamentos abusivos por dificuldade em identificar manipulações.
Em mulheres, o diagnóstico tardio é mais comum devido a fatores como habilidades compensatórias que mascaram os sintomas e diferenças na apresentação clínica em comparação aos homens.
Sinais de Atenção
Pais e responsáveis devem estar atentos a sinais precoces do TEA, tais como:
- Dificuldade para interagir socialmente, como manter contato visual, identificar expressões faciais e compreender gestos comunicativos.
- Dificuldade na comunicação, caracterizada por uso repetitivo da linguagem e dificuldade para iniciar e manter um diálogo.
- Alterações comportamentais, como manias, apego excessivo a rotinas, ações repetitivas, interesse intenso em coisas específicas e dificuldade de imaginação.
Caso identifiquem esses sinais, é recomendável procurar um profissional de saúde da Atenção Primária à Saúde para avaliação.
Descobri o Autismo, e agora?
Após o diagnóstico de TEA, é essencial buscar intervenções terapêuticas adequadas que promovam o desenvolvimento e a qualidade de vida do indivíduo.
Atualmente, existem diversos tipos de terapias disponíveis para auxiliar no tratamento do transtorno.
Crianças
Para crianças com TEA, as intervenções precoces são fundamentais. Terapias comportamentais, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), fonoaudiologia, terapia ocupacional e intervenções educacionais especializadas são amplamente utilizadas para desenvolver habilidades sociais, comunicativas e motoras.
Adultos
Adultos diagnosticados com TEA podem se beneficiar de terapias focadas no desenvolvimento de habilidades sociais, suporte psicológico e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico. Programas de inserção no mercado de trabalho e grupos de apoio também são recursos valiosos para promover a inclusão e a autonomia.
É importante lembrar que cada indivíduo com TEA é único, e as intervenções devem ser personalizadas para atender às necessidades específicas de cada pessoa.