Trabalho de São Bernardo em áreas de risco será apresentado em congresso no Equador
Experiência foi selecionada como referência pela IV Sessão da Plataforma Regional para Redução do Risco de Desastres das Américas
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 23/05/2014
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O trabalho que São Bernardo do Campo desenvolve desde 2009 direcionado à redução de riscos associados à moradia foi selecionado como referência pela IV Sessão da Plataforma Regional para Redução do Risco de Desastres das Américas e será apresentado em congresso entre os dias 27 a 29 de maio em Guayaquil, no Equador. A experiência foi sintetizada no trabalho “Estratégia e processo de construção da gestão de riscos associados à moradia em São Bernardo do Campo”, que apresenta a ação integrada do governo não apenas no período de chuvas, mas ao longo de todo o ano, em diversos projetos sobre os diferentes componentes de risco.
O primeiro passo se deu com ações destinadas a conhecer o problema, seguido da apresentação de soluções e intervenções por grau de urgência e impacto. A implementação do trabalho foi dividida em três eixos: ações estruturais das políticas de habitação e saneamento ambiental e serviços urbanos, com obras de drenagem e urbanização de assentamentos e produção de moradias, redução de riscos associados à moradia, e ações de Defesa Civil e de organização comunitária para convivência com o risco.
Além das iniciativas possíveis de serem aplicadas em outros municípios, contribuíram para a seleção da experiência de São Bernardo os resultados que o trabalho integrado trouxe à efetiva redução de setores e moradias de risco na cidade, bem como de acidentes.
A primeira versão do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), de 2010, trazia 203 setores de risco em 63 áreas, totalizando 2.910 moradias em risco médio, alto e muito alto de escorregamento, solapamento de margens de córregos, inundação e alagamento. A última revisão do Plano Municipal de Redução de Riscos, concluída em outubro de 2013, apontou a existência de 53 áreas, com 152 setores de risco.
Os números atuais – 51 setores a menos que o apontado em 2010 – é resultante da exclusão de algumas áreas e setores cujo risco foi sanado com obras ou remoções realizadas e a inclusão de outras situações de risco, identificadas preventivamente a partir do monitoramento contínuo.
Considerando-se a classificação do tipo e grau de risco adotados no PMRR, São Bernardo conta atualmente com 859 moradias em risco alto e 1.146 em risco médio, totalizando 2.005 moradias (905 moradias a menos que em 2010). Todas as moradias em risco muito alto já foram removidas.
EVENTO – Reconhecido por sua excelência, trata-se de fórum técnico multissetorial que reúne os principais feitos voltados à redução do risco de desastres em todo o continente. É estruturado como espaço participativo e de compartilhamento de conhecimento e experiências que promovam o planejamento, monitoramento e tomada de decisões coletivas e estratégicas acerca da gestão de riscos, assim como ações e esforços regionais, nacionais e locais para o avanço na implementação do “Marco de Ação de Hyogo”, assinado por 168 países em 2005 e que visa a redução considerável dos riscos até 2015.
A experiência do Consórcio Intermunicipal relativa à “Construção de uma Política Regional de Gestão de Riscos na Região do Grande ABC” também foi selecionada. O foco deste trabalho são as iniciativas que a entidade vem desenvolvendo em torno do tema, incluindo a capacitação e fortalecimento das áreas gestoras dos municípios, a constituição do Grupo Temático de Gestão Regional de Riscos e suas ações, como a remoção preventiva de moradias em risco iminente, em parceria com o governo do Estado.
ESTRATÉGIA DE REDUÇÃO DE RISCOS DE SÃO BERNARDO
1 – Ações Estruturais
Programa Drenar
– Obras de solução de drenagem e redução de enchentes e alagamentos;
– Obras da política de habitação, abrangendo urbanização de assentamentos precários e produção de moradias para famílias em áreas de risco.
2 – Ações de Redução de Riscos Associados à Moradia
– Obras pontuais emergenciais (onde há risco, mas ainda não há intervenção estrutural);
– Remoções preventivas de moradias em risco muito alto e monitoramento integrado das áreas de risco mapeadas.
3 – Ações de Defesa Civil e Organização Comunitária para Convivência com o Risco
– Implementação da Operação Guarda-Chuva no período de 1º de dezembro a 15 de abril de cada ano, com ações preventivas e de resposta destinadas à convivência segura, redução de riscos e prevenção a desastres relacionados às chuvas; e criação dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudecs).
MUNICÍPIO SEGUE PROTOCOLO MUNDIAL
Endossado pelas Nações Unidas, o Marco de Ação de Hyogo (MAH) tem guiado as políticas públicas de todo o mundo no que se refere aos esforços para reduzir, até 2015, perdas (vidas, bens econômicos e ambientais) decorrentes de ameaças naturais, como inundações, deslizamentos, ciclones, secas e terremotos. As prioridades de ação são as seguintes:
– Construção da capacidade institucional: garantir que a redução de riscos de desastres seja prioridade nacional e local com forte base institucional para implantação.
– Conhecer os próprios riscos: identificar, avaliar e monitorar os riscos de desastres e melhorar os alertas e alarmes.
– Construir conhecimento e sensibilização: utilizar conhecimento, inovação e educação para construir uma cultura de segurança e superação em todos os níveis.
– Reduzir riscos: diminuir os fatores subjacentes ao risco por meio do planejamento do uso e ocupação do solo e de medidas ambientais, sociais e econômicas.
– Estar preparado e pronto para agir: fortalecer a preparação para desastres para uma resposta efetiva em todos os níveis.