Trabalhadores protestam na Inylbra contra jornada 6x1
A manifestação na Inylbra cobra redução da jornada 6x1, reajuste salarial e denuncia condições precárias de trabalho
- Publicado: 04/03/2026
- Alterado: 04/03/2026
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: ABCdoABC
Na manhã de hoje (04), trabalhadores realizaram uma manifestação em frente à fábrica Inylbra. O ato teve como principal reivindicação a redução da jornada semanal de trabalho, melhores condições estruturais e mais segurança no ambiente laboral. A manifestação na Inylbra ocorreu de forma pacífica e reuniu operários da produção, que denunciaram uma série de irregularidades dentro da unidade industrial.
Manifestação na Inylbra integra jornada nacional contra a escala 6×1

A manifestação na Inylbra faz parte de uma mobilização nacional com atos e paralisações em diferentes estados. Ao todo, foram cerca de 20 manifestações em frente a fábricas, supermercados e outros postos que adotam a escala 6×1.
Em alguns locais, os protestos evoluíram para greve. É o caso da Metalúrgica Kabi, no Rio de Janeiro, do Supermercado Supernosso, em Minas Gerais, e do Mix Mateus, em Pernambuco. A mobilização unificada tem como foco central o fim da escala 6×1 e a defesa de jornadas mais equilibradas.
De acordo com estimativas, cerca de 30 milhões de brasileiros trabalham sob o regime 6×1, o que representa aproximadamente 30% dos trabalhadores formais do país, com jornada semanal de 44 horas.
Trabalhadores denunciam calor extremo, falta de água e problemas estruturais

Os trabalhadores da Inylbra são responsáveis pela fabricação de tapetes e revestimentos agulhados destinados ao setor automotivo. Apesar de a empresa ser considerada uma das mais relevantes do segmento, operários relatam condições consideradas insalubres.
Uma trabalhadora da produção denunciou que, somente na última semana, três funcionários desmaiaram durante o expediente devido ao calor excessivo. Segundo ela, há ventilação insuficiente no ambiente fabril.
“Somente na semana passada, três trabalhadores desmaiaram durante o trabalho, estava muito quente, não tem ventiladores suficientes, quase não dá para respirar de tanto calor”, afirmou.

A operária também relatou restrições para pausas e consumo de água. “Mesmo assim, eles não nos deixam nem parar para tomar uma água fresca e quando vamos ao banheiro, muitos estão com a torneira sem funcionar, têm privada quebrada e falta tranca nas portas, um verdadeiro descaso com nós trabalhadores”, declarou.
A falta de água potável e refrigerada próxima aos postos de trabalho foi uma das principais denúncias apresentadas durante a manifestação na Inylbra. Segundo os organizadores, a situação representa violação de direitos básicos relacionados à saúde e segurança no trabalho.
Reajuste salarial e redução da jornada estão no centro das reivindicações

Além das condições estruturais, os manifestantes também reivindicam reajuste salarial e redução da jornada de trabalho. A manifestação na Inylbra reforçou o debate nacional sobre o impacto da escala 6×1 na qualidade de vida dos trabalhadores.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que trabalhadores brasileiros estão entre os que recebem os piores salários em comparação internacional. Atualmente, o salário mínimo corresponde a 22,82% do valor considerado necessário para cobrir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas.
Estudo divulgado em 2025 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) aponta que, para garantir despesas com alimentação, moradia, transporte, saúde e educação, o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 7.106,83.
Diante desse cenário, a manifestação na Inylbra simboliza não apenas uma reivindicação local, mas um movimento inserido em um contexto mais amplo de questionamento da escala 6×1 e das condições de trabalho em diversos setores da economia brasileira.