Torço pelo dia em que o esporte seja visto como prioridade
Aponto uma reflexão sobre o esporte como ferramenta social e a importância do poder público investir em atletas das grandes periferias e do interior de São Paulo.
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 19/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
Vou aproveitar para pegar um gancho na fala doJosé Trajano, jornalista que fundou e chefiou a ESPN Brasil, onde ele diz que sente ausência da cobertura e até mesmo atenção do público, para o esporte do interior. Aqui pelo ABCdoABC me recordo de no ano passado trazermos muitos noticiários sobre os Jogos Abertos do Interior, especialmente das equipes do Grande ABC e da Região Metropolitana de São Paulo, mas de fato era angustiante querer assistir alguma modalidade dos Jogos e não ter transmissão em nenhum lugar. Mais TVS abertas, mais TVs fechadas, mais streamings e nenhuma delas exibindo os Jogos Abertos.
É provável que não exista interesse destas emissoras porque o público também não se dispõe em assistir, e aí que vem a grande questão: o cidadão brasileiro ele já gostou do esporte realmente? Será que houve incentivo em algum momento para que ele praticasse? Ou será que por conta das tecnologias as pessoas perderam o interesse?
Talvez possa ser algo geracional, mas me recordo que era comum pais e mães incentivarem os filhos a praticarem pelo menos uma modalidade esportiva, e daí alguns iam para a natação, outros futebol, tinham até os que migravam para as artes marciais.
49 atletas que estiveram nas Olímpiadas de Paris são da Grande SP ou periferias
Talvez isso te surpreenda, mas 49 atletas que estiveram nas Olimpíadas de Paris em 2024, são da Grande São Paulo e periferias. Começando pela nossa casa, Raica Ventura, que representou o skate, é de São Bernardo do Campo, e Giovanni Vianna, pelo skate street, é natural de Santo Andre, e Lucas Carvalho, pelo Atletismo, também de Santo André

Se a gente expande a lista encontra Gustavo Bala Loka, que esteve no ciclismo BMX freestyle, nascido em Carapicuíba, em São Paulo. A ginasta Rebeca Andrade, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, é natural de Guarulhos.
O interior de São Paulo é um verdadeiro celeiro formador de atletas que surgiram para o mundo. Franca, Mogi e Suzano são locais que respiram o basquete e o vôlei.
Se nós vamos para a natação temos Tetsuo Okamoto, de Marília; Gustavo Borges, de Ribeirão Preto; César Cielo, de Santa Bárbara D’Oeste e Ricardo Prado, de Andradina.
Não quer dizer que todos estes atletas citados tenham necessariamente passado pelos Jogos Abertos, mas quer dizer que o fato de existir o torneio permite com que mais atletas apareçam e para as próximas Olimpíadas o Brasil possa disputar de igual para igual com os países que são potências no esporte.
O que falta para a nossa sociedade ver o esporte como prioridade?
Sei que nossa sociedade sofre de diversos problemas. Somos preocupados com o IPVA que vence amanhã, com o buraco que está nossa rua há mais de três meses, qual é o preço do arroz e feijão, problemas sociais que realmente afetam a vida do brasileiro, mas o incentivo ao esporte também é fundamental e deve ser uma proridade. É provável que você já tenha parado em um semáforo e tenha se deparado com um atleta de judô pedindo uma ajuda para continuar no esporte ou poder viajar para disputar algum torneio.
O esporte soluciona alguns destes problemas sociais, mas ainda somos um país que o visualiza como o último na lista de prioridades. Esporte é sociedade, esporte é política, esporte é cultura, é educação.
Daqui faço votos para que poder público disponibilize ferramentas e recursos para que qualquer cidadão possa ingressar numa modalidade, tendo apoio da base ao profissional. Faço votos para voltamos a despertar o interesse pelo esporte nos mais novos desde cedo. Que as escolas não tratem a disciplina de Educação Física como lazer ou intervalo, mas onde seja ensinado técnicas de algumas das principais modalidades.
Quando fiz aqui pelo ABCdoABC a cobertura dos Jogos Abertos já pensava a respeito. Via que atleta de determinada cidade ganhava medalhas de ouro, prata e bronze, ou até mesmo conquistou uma vitória pessoal, daí você não vê isso passar em SporTV, ESPN, NSports, dentre outras. Dizem que respiram o esporte, mas é o esporte de todas as cidades, todos os atletas ou apenas as competições de elite?
E daí fica uma sugestão para poder público: invista no esporte da cidade, busquem atletas que ninguém esteja observando e, principalmente, incentive que canais no YouTube, redes sociais das prefeituras e TVs locais exibam o esporte local.
Os próximos Jogos Olímpicos será em 2028, até lá, temos tempo suficiente para a preparação e surgimento de novos talentos do esporte. Torço por isso!