Enamed é destacado na formação médica pelo Ministro da Saúde

O exame avalia a formação profissional, integra a nota do Enare para residência e impõe sanções severas a instituições com baixo desempenho no país.

Crédito: João Risi/MS

O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) consolidou-se, nesta segunda-feira (19), como o balizador central para mensurar a proficiência dos cursos de medicina no Brasil. Durante a divulgação dos resultados da primeira edição, realizada pelo MEC no fim do ano passado, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o Ministro da Educação, Camilo Santana, detalharam o impacto da avaliação no cenário educacional.

O diagnóstico inicial revelou um cenário preocupante: mais de 100 graduações obtiveram desempenho insatisfatório. Classificados com notas 1 e 2 pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), esses cursos enfrentarão penalidades imediatas, incluindo restrições ao Fies e suspensão de novas vagas. Segundo Padilha, a saúde pública depende dessa triagem rigorosa.

“Na saúde, a gente sempre começa com um bom diagnóstico. O Enamed traz o melhor diagnóstico da proficiência no país. Com ele, será possível identificar onde estão as instituições que formam bem e quais necessitam se reorganizar. A Constituição estabelece esse compromisso.”

Enamed aponta falhas graves e restringe financiamento

Para garantir que a população tenha acesso a médicos capacitados, o governo federal utilizará a nota de corte do exame como ferramenta regulatória. Instituições que não atingiram os padrões mínimos de qualidade sofrerão intervenções diretas. O objetivo não é apenas punir, mas forçar uma reestruturação pedagógica nas faculdades que hoje operam abaixo da crítica.

A supervisão recairá sobre 99 cursos pertencentes a 93 instituições de ensino superior. O critério para essa intervenção foi estatístico: nessas faculdades, menos de 60% dos estudantes demonstraram desempenho adequado no Enamed.

Sanções previstas pelo MEC

As universidades notificadas terão um prazo de 30 dias para apresentar defesa. Caso a insuficiência acadêmica se confirme, as penalidades aplicadas serão:

  • Impedimento imediato de aumento de vagas;
  • Suspensão de novos contratos do Fies;
  • Exclusão do curso no Prouni;
  • Bloqueio na participação em outros programas federais de acesso.

Camilo Santana reiterou que a medida visa a proteção da qualidade educacional. “O governo não promove uma caça às bruxas, mas atua para garantir padrões mínimos de qualidade. É um instrumento para identificarmos correções necessárias”, afirmou o titular da Educação.

Integração com a residência e o Enare

Além de regular a graduação, a avaliação passa a ser decisiva para a carreira do futuro médico. A nota obtida no exame integrará o processo de seleção do Exame Nacional de Residência (Enare). Essa conexão entre o fim da graduação e o início da especialização incentiva o estudante a realizar a prova com seriedade.

Padilha enfatizou que essa articulação atende a um pedido dos próprios alunos. “Os estudantes que estavam concluindo o curso solicitaram o uso dessa nota no Enare. Isso demonstra que buscaram um bom desempenho para garantir o acesso à residência médica”, explicou.

A estratégia do Ministério da Saúde envolve também a expansão física da formação especializada. O governo Lula retomou a ampliação de vagas de residência — interrompida na gestão anterior — e lançou o programa Agora Tem Especialistas. A visão é sistêmica: o Enamed filtra a qualidade na base, enquanto novos investimentos garantem a especialização na ponta.

Avaliação contínua e futuro da saúde com o Enamed

É fundamental compreender que a prova não funciona como um evento isolado. Ela é parte de um ecossistema de regulação que inclui a atualização das diretrizes curriculares e a retomada da portaria dos hospitais de ensino. Apenas aplicar uma prova não resolve as lacunas da formação profissional; é necessário um conjunto de ações coordenadas para elevar o padrão da medicina brasileira.

Ao alinhar a supervisão acadêmica com a realidade do Sistema Único de Saúde, o governo espera entregar profissionais mais preparados à sociedade. Com regras claras e monitoramento constante, a expectativa é que as instituições de ensino se adequem ou deixem de operar, garantindo que a relevância do Enamed se traduza em segurança para o paciente.

  • Publicado: 01/01/2026
  • Alterado: 01/01/2026
  • Autor: 19/01/2026
  • Fonte: Motisuki PR