TJSP concede efeito suspensivo à Mongaguá em ação sobre quiosques

Decisão do TJSP permite que Mongaguá retome gestão da orla e suspenda permissões de quiosques vencidas

Crédito: Divulgação

A Prefeitura de Mongaguá obteve uma vitória estratégica no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) para retomar o controle do planejamento urbano em sua orla marítima. No último dia 6 de maio, o desembargador Francisco Shintate, da 11ª Câmara de Direito Público, concedeu efeito suspensivo a uma liminar que obrigava o município a prorrogar as permissões de uso de aproximadamente 30 quiosques da região. 

Decisão judicial reforça autonomia de Mongaguá

A disputa judicial gira em torno da natureza das ocupações na faixa de areia. A administração municipal de Mongaguá argumentou no agravo de instrumento que as permissões de uso possuem caráter precário e temporário. Segundo o corpo jurídico da prefeitura, os prazos legais de 25 anos previstos na legislação já foram integralmente esgotados, tornando as ocupações atuais irregulares.

O relator do caso acolheu os argumentos da municipalidade, destacando que a continuidade das permissões sem respaldo legal trazia risco de dano grave e de difícil reparação ao erário e à organização da cidade. O desembargador Francisco Shintate pontuou em sua decisão:

“A permissão de uso de bem público é um ato administrativo precário, discricionário e unilateral, não existindo direito subjetivo dos permissionários à permanência nos locais após o término do prazo legal.”

Impacto no projeto de reurbanização da orla

A suspensão da liminar anterior permite que Mongaguá avance com os planos de readequação da orla marítima. O Judiciário entendeu que impedir o município de implementar um novo modelo de exploração comercial configuraria uma interferência indevida do Poder Judiciário em decisões administrativas exclusivas do Poder Executivo.

A Prefeitura também fundamentou o pedido apontando irregularidades na gestão de alguns espaços. De acordo com a administração de Mongaguá, foram identificados casos de transferências e arrendamentos ilícitos dos quiosques a terceiros, o que fere os princípios da administração pública.

Próximos passos e orientações jurídicas

Apesar de a decisão do TJSP retirar o direito imediato de permanência dos quiosqueiros que ingressaram com a ação, a Procuradoria-Geral de Mongaguá adotou uma postura de cautela técnica. A orientação oficial é que não ocorram demolições imediatas das estruturas até que o julgamento do Agravo de Instrumento seja finalizado pelo colegiado do Tribunal.

O cenário agora aguarda a análise definitiva do mérito, mas a decisão liminar favorável a Mongaguá estabelece um precedente importante para a gestão dos bens públicos no litoral paulista. O foco da gestão municipal segue sendo a reurbanização completa da área turística, visando um modelo de atendimento mais moderno e regularizado.

  • Publicado: 08/05/2026 16:57
  • Alterado: 08/05/2026 16:57
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Prefeitura de Mongaguá