Teste do pezinho é essencial para a saúde do recém-nascido
Realizado nos primeiros dias de vida, o teste do pezinho é fundamental para identificar precocemente doenças que podem comprometer o desenvolvimento infantil e a qualidade de vida do bebê
- Publicado: 05/06/2026 08:53
- Alterado: 05/06/2026 08:53
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Afya
O teste do pezinho é considerado uma das principais ferramentas de prevenção em saúde pública voltadas à primeira infância. Obrigatório e oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o exame possibilita o rastreamento precoce de doenças genéticas, metabólicas, infecciosas, endocrinológicas e hematológicas que, quando não identificadas a tempo, podem causar sequelas permanentes.
De acordo com Pollyana Estephanelli, professora do curso de Enfermagem da Afya Centro Universitário Itaperuna, a coleta é feita a partir de algumas gotas de sangue retiradas do calcanhar do recém-nascido, região rica em vasos sanguíneos. “O ideal é que o exame seja realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê. Nesse período, o organismo já começou a metabolizar proteínas e outros nutrientes, o que favorece a detecção de diversas doenças”, explica.
A especialista ressalta que o procedimento é simples, rápido e seguro. Após a higienização do local, o sangue é coletado em papel-filtro específico e encaminhado para análise em laboratório de referência. “O exame provoca apenas um desconforto momentâneo e não oferece riscos significativos quando realizado por profissionais capacitados”, afirma.
Teste do pezinho é fundamental para o diagnóstico precoce
Segundo Pollyana, ainda existe a falsa percepção de que o exame serve para identificar apenas uma ou duas doenças. Na prática, a triagem neonatal é uma estratégia essencial para detectar condições capazes de comprometer o desenvolvimento neurológico, cognitivo e motor da criança.
“Quando não são identificadas e acompanhadas precocemente, algumas dessas doenças podem provocar sequelas permanentes e até levar ao óbito”, alerta.
Para a Dra. Isabela Pires, médica e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, um dos principais benefícios do exame é permitir a identificação de doenças antes mesmo do surgimento dos sintomas.
“Muitas das condições detectadas não apresentam manifestações evidentes nos primeiros meses de vida. O bebê aparenta estar saudável, mas já pode apresentar alterações importantes no organismo. Em alguns casos, os sintomas só aparecem após a introdução de determinados alimentos ou exposição a medicamentos, enquanto outras doenças podem se manifestar logo nos primeiros dias de vida”, explica.
Entre as doenças mais conhecidas rastreadas estão o hipotireoidismo congênito, a fenilcetonúria, a fibrose cística, a anemia falciforme e a hiperplasia adrenal congênita. A quantidade de enfermidades investigadas varia conforme a modalidade escolhida, básica, ampliada ou expandida, permitindo uma avaliação mais abrangente.
Benefícios para a saúde e qualidade de vida
Segundo a pediatra, o exame possibilita o rastreamento de doenças que podem ser tratadas ou acompanhadas de forma mais eficaz quando identificadas precocemente, reduzindo o risco de sequelas e melhorando a qualidade de vida da criança.
“Em alguns casos, ele também aponta condições que ainda não possuem cura, mas que exigem acompanhamento contínuo e cuidados específicos ao longo da vida”, acrescenta.
Os benefícios da triagem neonatal são especialmente evidentes em doenças como a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito. Quando o tratamento é iniciado nas primeiras semanas de vida, as chances de um crescimento e desenvolvimento próximos do esperado aumentam significativamente.
“Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as chances de evitar complicações e garantir melhor qualidade de vida para a criança”, reforça Pollyana.
Acompanhamento dos resultados é indispensável
Além da realização do teste do pezinho, as especialistas destacam a importância de os pais acompanharem os resultados e manterem contato com a unidade de saúde responsável pela coleta.
“Um resultado alterado não significa necessariamente que o bebê tenha a doença. Em muitos casos, é preciso realizar exames complementares ou uma nova coleta para confirmação. O mais importante é não ignorar o chamado e seguir corretamente as orientações médicas”, orienta a Dra. Isabela.
5 fatos sobre o teste do pezinho que você talvez não conheça
1. O exame existe há décadas no Brasil
A triagem neonatal começou a ser realizada no país na década de 1970, mas passou a integrar oficialmente o Programa Nacional de Triagem Neonatal apenas em 2001.
2. O nome oficial não é teste do pezinho
Apesar da popularidade da expressão, a nomenclatura técnica é triagem neonatal biológica. O nome mais conhecido surgiu porque a coleta é feita no calcanhar do bebê.
3. Nem sempre uma única coleta é suficiente
Bebês prematuros, que receberam transfusão sanguínea ou passaram por situações que podem interferir nos resultados, podem necessitar de uma nova coleta para garantir maior precisão.
4. O número de doenças investigadas pode variar
Dependendo da modalidade realizada, é possível rastrear uma quantidade maior de doenças raras, genéticas, metabólicas, imunológicas e endocrinológicas.
5. Resultado alterado não significa diagnóstico confirmado
Quando o exame aponta alguma alteração, isso não representa automaticamente a confirmação da doença investigada. O resultado funciona como um alerta para a realização de exames complementares e avaliações específicas.