Surto de sarampo em sedes da Copa acende alerta para a visão
Surto de sarampo nos países-sede da Copa do Mundo acende alerta sobre riscos de importação do vírus e sequelas graves na visão
- Publicado: 04/06/2026 10:27
- Alterado: 04/06/2026 10:27
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
Os surtos de sarampo registrados nos Estados Unidos, México e Canadá, países-sede da Copa do Mundo de 2026, acenderam o alerta das autoridades sanitárias brasileiras para o risco de importação do vírus devido ao intenso fluxo de torcedores. Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, até o fim de maio, o país norte-americano já havia contabilizado 1.983 casos da infecção, após ter fechado o ano de 2025 com 2.288 registros.
Embora o sarampo esteja atualmente erradicado no Brasil, o aumento da circulação internacional do vírus exige vigilância redobrada. Além dos conhecidos sintomas respiratórios e cutâneos, especialistas alertam para as graves complicações oftalmológicas que a doença pode desencadear, inclusive com risco de cegueira definitiva.
Os Olhos como Primeiro Sinal de Alerta

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), as estruturas oculares estão entre os principais alvos do vírus.
Sintomas Iniciais: “O vírus do sarampo tem elevada afinidade com as vias respiratórias, olhos e pele. Os primeiros sinais que denunciam a infecção costumam ser a vermelhidão nos olhos e o surgimento de pequenas manchas brancas na mucosa bucal (na parte interna das bochechas)”, explica o médico. As manchas vermelhas na pele surgem apenas de três a cinco dias depois.
O sarampo é uma das patologias mais contagiosas conhecidas: um único indivíduo infectado pode transmitir o vírus para até 18 pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença cause 95 mil mortes por ano no mundo, principalmente de crianças com menos de cinco anos — óbitos que seriam evitados com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola).
Doenças Oculares Decorrentes do Vírus

O especialista elencou as principais complicações que podem comprometer o sistema visual dos pacientes, variando de quadros leves a condições severas:
- Conjuntivite: Manifesta-se na maioria dos infectados logo no início da doença. Causa desconforto e fotofobia (sensibilidade à luz), mas costuma desaparecer de forma espontânea. O uso de óculos escuros ajuda a mitigar o incômodo.
- Ceratite e Úlceras de Córnea: A ceratite é uma inflamação ou infecção da córnea que provoca dor, lacrimejamento e visão turva. Pode evoluir para úlceras (feridas abertas que aparecem como pontos brancos no olho). Se não tratadas com colírios antivirais ou antibióticos, deixam cicatrizes que prejudicam a visão permanentemente.
- Retinopatia: Embora rara, ocorre quando o vírus ataca e destrói as células da retina (responsável por converter a luz em impulsos elétricos enviados ao cérebro), gerando perda de visão temporária ou definitiva.
- Neurite Óptica: Inflamação do nervo óptico associada a casos graves onde há encefalite (inchaço cerebral). É tratada em caráter agudo com corticosteroides e pode lesionar a transferência de sinais visuais para o cérebro.
Riscos na Gestação e Cuidados Especiais

O vírus é transmitido por gotículas de saliva expelidas ao falar, tossir, respirar ou espirrar. Queiroz Neto faz uma recomendação enfática para que as gestantes evitem aglomerações durante o período do torneio de futebol.
A infecção em grávidas eleva drasticamente o risco de aborto espontâneo e partos prematuros. A prematuridade, por sua vez, pode acarretar o desenvolvimento da retinopatia da prematuridade (que afeta os vasos sanguíneos da retina do bebê) e anomalias como estrabismo, alta miopia e ambliopia (“olho preguiçoso”), apontada como a maior causa de cegueira monocular na infância.
Recomendação de Vacinação
O Ministério da Saúde orienta que todos os torcedores com viagens agendadas para os países da Copa atualizem seus esquemas vacinais antes do embarque.
- Quem deve se vacinar: População geral que não comprove imunização prévia.
- Quem não deve tomar a vacina: Bebês com menos de 6 meses de idade e adultos acima de 50 anos (que, em geral, já possuem imunidade natural adquirida).