Terremotos na Venezuela deixam 2.295 mortos
Mais de 11 mil pessoas ficaram feridas após os terremotos na Venezuela, enquanto milhares seguem desaparecidas
- Publicado: 01/07/2026 17:02
- Alterado: 01/07/2026 17:04
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
O total de vítimas provocado pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela há uma semana chegou a 2.295 mortos e mais de 11 mil feridos. A atualização foi divulgada nesta quarta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
Segundo Rodríguez, o desastre também deixou 12.841 pessoas sem moradia após os fortes tremores registrados em 24 de junho. O levantamento anterior, divulgado na terça-feira, contabilizava 1.943 mortes e 10.571 feridos.
Além das vítimas, quase 59 mil edificações foram destruídas ou sofreram danos significativos. Enquanto isso, dezenas de milhares de pessoas continuam desaparecidas. A situação também se agrava no estado de La Guaira, próximo a Caracas, uma das regiões mais afetadas, onde alimentos e água estão cada vez mais escassos nos mercados.
Operação internacional mobiliza mais de 2 mil socorristas
Durante sete dias consecutivos, equipes de resgate de diversos países atuaram sem interrupção nas áreas devastadas. De acordo com o coordenador da ONU na Venezuela, Gianluca Rampolla Del Tindaro, 27 países enviaram aproximadamente 40 equipes, reunindo “mais de 2.000 pessoas”.
Com o passar dos dias, entretanto, as buscas deixaram de priorizar o salvamento de possíveis sobreviventes e passaram a focar na localização e retirada dos corpos das vítimas.
As operações enfrentaram dificuldades desde o início devido aos danos causados à infraestrutura. Aeroportos comprometidos, cancelamento de voos e rodovias destruídas atrasaram a chegada das equipes internacionais. “Percorremos muitos quilômetros. Queríamos trabalhar, queríamos fazer algo. Queremos ajudar, mas sabemos que nossa presença aqui será limitada. O objetivo é agir o mais rápido possível”, relatou um dos socorristas.
Em um dos edifícios atingidos, a remoção de um corpo por médicos legistas venezuelanos foi seguida pela identificação de um novo indício que reacendeu, ainda que por pouco tempo, a esperança de encontrar sobreviventes. Um “C” pintado com spray na fachada da construção indicava a possibilidade de haver pessoas vivas sob os escombros.
Desde o início da tragédia, 6.461 pessoas foram retiradas com vida, segundo o presidente da Assembleia Nacional. Ainda assim, a ONU estima que cerca de 50 mil pessoas permanecem desaparecidas. Nesse cenário, especialistas avaliam que o trabalho de localização e recuperação dos corpos poderá se estender por várias semanas.
Governo decreta luto nacional e brasileiros estão entre as vítimas
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou uma semana de luto nacional em razão da tragédia. Em publicação no Telegram, ela afirmou: “A alma da Venezuela está dilacerada pelas perdas humanas causadas pelos terremotos devastadores. (…) Em homenagem à memória das vítimas, decidi declarar sete (7) dias de Luto Nacional, a partir das 18h00 de hoje”.
Entre os mortos estão dois brasileiros. Em nota oficial, o Itamaraty lamentou as mortes e informou que as vítimas eram um homem e uma mulher.
Um deles é Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morador de Uberlândia (MG). Ele morreu na última quarta-feira (24), após ser atingido pelo desabamento de uma parede durante uma viagem à Venezuela. Romildo estava no país desde abril ao lado da esposa, que é venezuelana e visitava familiares. O pastor também aproveitava a viagem para celebrar seu aniversário, comemorado no dia 21.
A segunda vítima é Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, residente no Distrito Federal. Ao lamentar a perda, o irmão dela, Thiago Nogueira, declarou: “Infelizmente uma fatalidade ocasionada pelos terremotos na Venezuela, mais precisamente na zona costeira de La Guaira, tirou essa pessoa maravilhosa do nosso meio”.
Sequência de tremores agravou destruição
O primeiro terremoto, de magnitude 7,2, ocorreu em San Felipe, a oeste de Caracas, na quarta-feira. Informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que esse abalo pode ter aumentado a tensão em uma falha geológica localizada pouco mais de cinco quilômetros adiante.
Apenas 39 segundos depois, um segundo terremoto, desta vez de magnitude 7,5, foi registrado em profundidade relativamente rasa, potencializando os danos. O tremor foi sentido inclusive no norte do Brasil.
Especialistas explicam que o primeiro abalo comprometeu estruturas e enfraqueceu fundações de inúmeros prédios. Em seguida, o segundo impacto, mais intenso, provocou desabamentos imediatos, principalmente na capital Caracas.
A dimensão da devastação indica que o número real de vítimas pode ser significativamente superior ao balanço oficial divulgado até o momento. Como comparação, terremotos de magnitudes semelhantes provocaram mais de 200 mil mortes no Haiti, em janeiro de 2010; cerca de 73 mil mortes na Caxemira, em outubro de 2005; e quase 53,5 mil vítimas fatais na fronteira entre Turquia e Síria, em fevereiro de 2023.