Tentativas de fraude disparam e somam 10,8 milhões no Brasil
Levantamento da Serasa aponta crescimento alarmante de golpes financeiros e projeta recorde de ocorrências até dezembro.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
O cenário de segurança digital no país atingiu um nível crítico. O Brasil contabilizou 10.886.982 tentativas de fraude entre janeiro e setembro de 2025. Esse volume representa uma alta de 28,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Na prática, os sistemas de proteção identificaram uma atividade suspeita a cada 2,2 segundos. Os números integram o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian e revelam a sofisticação das táticas criminosas.
A projeção da datatech indica que, caso o ritmo atual se mantenha, o país deve ultrapassar a marca de 14 milhões de ocorrências até o encerramento do ano. O crescimento acelerado das transações online abriu novas brechas para estelionatários, exigindo respostas rápidas do mercado.
Rodrigo Sanchez, Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, explica a correlação direta entre o consumo digital e o risco:
“O avanço das tentativas de fraude acompanha diretamente o crescimento das transações digitais no país. À medida que consumidores e empresas aceleram sua presença online, também se expande o espaço de atuação dos criminosos, que exploram cada ponto vulnerável das jornadas digitais.”
Bancos e setor financeiro são os alvos primários de tentativas de fraudes
A busca por monetização rápida direciona o foco dos fraudadores. O levantamento detalha que bancos, emissores de cartões e instituições financeiras concentram 60% de todas as investidas criminosas mapeadas nos nove primeiros meses de 2025.
A divisão setorizada expõe onde o risco é mais iminente:
- Bancos e Cartões: 52,3% do total de ocorrências.
- Financeiras: 7,7% das tentativas.
Apesar da concentração no setor bancário, segmentos como Varejo, Telefonia e Serviços também integram o ecossistema de risco. Eles funcionam como portas de entrada para roubo de dados e criação de cadastros falsos, alimentando o ciclo da fraude.
População economicamente ativa na mira
Ao contrário do senso comum de que apenas idosos são vulneráveis, os dados mostram que o alvo preferencial possui alto poder de compra e intensa atividade digital. Cidadãos entre 26 e 50 anos representam 58,9% das vítimas.
O recorte por faixa etária demonstra a estratégia dos golpistas:
- 36 a 50 anos: 33% dos casos.
- 26 a 35 anos: 25,9% dos casos.
Sanchez destaca que, embora o volume seja maior na população ativa, o aumento de golpes contra jovens e idosos também preocupa e acompanha a aceleração da digitalização nessas faixas.
Tecnologias de barreira e detecção
Para conter essa onda, as empresas têm investido em camadas de proteção. A análise da Serasa aponta quais métodos foram mais eficazes para barrar os crimes:
- Inconsistências Cadastrais: Responsáveis por identificar 51,4% das fraudes (cruzamento de dados divergentes).
- Validação de Documentos e Biometria: Barraram 33% das tentativas (autenticidade física e facial).
- Comportamento Suspeito: Detectaram 15,6% dos casos (padrões de navegação e dispositivo).
Sudeste lidera em volume, DF em proporção
A análise geográfica revela dois cenários distintos. Em números absolutos, a região Sudeste concentra quase metade das ocorrências nacionais (48,2%), somando 5,2 milhões de tentativas de fraude. O Nordeste aparece na sequência com 2,1 milhões, seguido pelo Sul com 1,7 milhão.
Contudo, ao analisar a proporção por milhão de habitantes, o cenário muda, colocando o Distrito Federal no topo do ranking de risco:
- Distrito Federal: 8.559 tentativas por milhão de habitantes.
- São Paulo: 7.336 tentativas por milhão.
- Rio de Janeiro: 6.742 tentativas por milhão.
- Mato Grosso: 6.666 tentativas por milhão.
Na outra ponta, Piauí, Roraima e Maranhão apresentam as menores taxas proporcionais do país. Diante desses dados, torna-se evidente que a proteção contra as tentativas de fraude exige uma combinação robusta de tecnologia comportamental e biometria para antecipar os movimentos dos criminosos.