Tensões no Irã ameaçam estabilidade global em 2026

Crise no Irã é alimentada por sanções econômicas, avanço do programa nuclear e reflexos da guerra em Gaza; especialistas apontam riscos de escalada.

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A escalada de tensões envolvendo o Irã voltou a colocar a comunidade internacional em alerta máximo neste início de 2026. O cenário, marcado por protestos internos e confrontos diplomáticos, é o reflexo de décadas de uma disputa estratégica que redesenha as alianças no Oriente Médio. Para a professora de Relações Internacionais da FECAP, Isabela Agostinelli, o atual momento de instabilidade é indissociável da ruptura ocorrida na Revolução Islâmica de 1979, que transformou o antigo aliado de Washington em um dos seus principais oponentes geopolíticos.

Atualmente, o Irã enfrenta as consequências de um isolamento econômico prolongado. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o país foi palco de manifestações motivadas pela inflação galopante e pelo colapso da moeda local. Embora os protestos tenham nascido de demandas populares por reformas, o governo iraniano e analistas apontam que o cenário rapidamente se tornou um campo de batalha para a manutenção da hegemonia dos Estados Unidos na região, sob a ótica da Doutrina Carter.

Geopolítica e o papel dos atores regionais

O conflito envolvendo o Irã não pode ser compreendido sem observar o tabuleiro regional. A guerra em Gaza, iniciada em 2023, expandiu-se e hoje atinge diretamente os interesses iranianos através de seus aliados, como o Hezbollah e os Houthis. Israel, por sua vez, enxerga Teerã como o obstáculo central para o seu projeto de segurança, o que tem levado a ataques diretos contra infraestruturas e figuras ligadas ao governo persa.

Neste embate, as monarquias do Golfo adotam uma postura de cautela. O temor de uma guerra aberta no Irã gera instabilidade no mercado de petróleo, afetando a economia global. Especialistas alertam que a dimensão religiosa, muitas vezes citada em análises superficiais, é apenas uma retórica política. O verdadeiro motor das tensões são as disputas por poder, recursos estratégicos e influência territorial.

O impasse nuclear e o futuro diplomático

Outro eixo crítico da crise é o programa nuclear do Irã. Teerã defende seu direito ao desenvolvimento tecnológico, enquanto EUA e Israel veem qualquer progresso como uma ameaça existencial. O rompimento do acordo de 2015 pelos norte-americanos, em 2018, agravou o isolamento e deu início a um ciclo de sanções e agressões, culminando no assassinato de cientistas nucleares iranianos em meados de 2025.

A chamada “Guerra dos Doze Dias”, ocorrida em junho de 2025, serviu como um presságio dos riscos de uma desestabilização total. No campo diplomático, as saídas são escassas. “A reabertura de canais diretos entre Irã e EUA seria fundamental, mas a desconfiança acumulada e o interesse de terceiros em impedir negociações representam barreiras imensas”, pontua Agostinelli. Para a docente, o futuro do país deve ser decidido por seu próprio povo, mas o peso das potências estrangeiras continua a ser o principal fator de incerteza para a paz no Oriente Médio.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 21/01/2026
  • Fonte: Secult PMSCS