Tensão entre Colômbia e Equador escala após acusações de Noboa

Acusações sem provas entre líderes de Colômbia e Equador elevam tensão política e comercial entre os países

Crédito: Reprodução/Facebook

A crise entre Colômbia e Equador ganhou um novo capítulo neste domingo (19), após o presidente Gustavo Petro anunciar que irá processar o presidente Daniel Noboa por calúnia. A decisão ocorre após Noboa acusar Petro, sem apresentar evidências, de manter vínculos com um líder do crime organizado.

A troca de acusações aprofunda um cenário já marcado por tensões diplomáticas e disputas comerciais entre os dois países, que se intensificaram desde o início do ano.

Acusações envolvendo facção criminosa aumentam tensão

A controvérsia começou após Noboa declarar, em entrevista à revista colombiana Semana, que Petro teria se reunido com integrantes da organização política Revolução Cidadã, alguns dos quais, segundo ele, teriam ligação com o criminoso conhecido como “Fito”.

“Fito”, cujo nome é Adolfo Macías, foi líder da organização criminosa Los Choneros, uma das maiores do Equador, e responde a acusações relacionadas ao tráfico de drogas e armas. Ele foi extraditado aos Estados Unidos no ano passado.

Petro reagiu publicamente, negando qualquer vínculo com o criminoso e classificando as declarações como caluniosas. Em suas redes sociais, o presidente colombiano afirmou que tomará medidas judiciais contra Noboa.

Troca de declarações e acusações políticas

Além de rejeitar as acusações, Petro também afirmou que setores da oposição colombiana estariam atuando para prejudicar sua imagem internacional. Ele mencionou o ex-presidente Álvaro Uribe, sugerindo, sem apresentar provas, a existência de articulações externas contra seu governo.

Por outro lado, o governo equatoriano não se pronunciou oficialmente até o momento sobre a decisão de Petro de recorrer à Justiça. A ausência de resposta mantém o clima de incerteza sobre os próximos desdobramentos da crise.

Disputa comercial agrava relação bilateral

O embate político ocorre em meio a uma crescente disputa comercial entre os países. Desde janeiro, o Equador adotou medidas unilaterais, como a imposição de tarifas sobre produtos colombianos, justificando falhas no controle da fronteira comum.

Em resposta, a Colômbia implementou restrições comerciais, incluindo a suspensão da venda de energia ao país vizinho. O Equador, por sua vez, elevou progressivamente as tarifas de importação, que devem atingir 100% a partir de maio.

Esse cenário tem impactado diretamente o comércio bilateral e ampliado o desgaste entre os governos.

Caso Jorge Glas amplia desgaste diplomático

Outro ponto de atrito envolve o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, condenado por corrupção. Petro classificou Glas como “preso político” e concedeu a ele nacionalidade colombiana, decisão que foi duramente criticada por Noboa.

O presidente equatoriano considerou a atitude uma interferência na soberania do país e convocou seu embaixador em Bogotá para consultas. Em resposta, a Colômbia adotou medida semelhante, sinalizando o agravamento das relações diplomáticas.

Com acusações mútuas, medidas econômicas e tensões políticas, o impasse entre Colômbia e Equador segue sem solução imediata, indicando um cenário de instabilidade na relação entre os dois países sul-americanos.

  • Publicado: 19/04/2026 19:47
  • Alterado: 19/04/2026 19:47
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress