Em meio à tensões no Irã, dólar recua e fecha em R$ 4,97

O dólar fechou em queda de 0,19% a R$ 4,97 nesta segunda (20), influenciado pela crise no Estreito de Hormuz e pela alta nos preços do petróleo

Crédito: FotosPúblicas

O dólar fechou cotado a R$ 4,979, em queda de 0,19 nesta segunda (20/04). O movimento foi impulsionado pela valorização das commodities e pelo fortalecimento do real, sendo um reflexo direto do agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especificamente no Estreito de Hormuz

Este é o menor valor de fechamento para o dólar desde 7 de março de 2024. A moeda brasileira apresentou um desempenho superior ao cenário global, visto que o índice DXY — que compara a divisa americana a uma cesta de seis moedas fortes — registrou um recuo marginal de 0,03%.

Conflito no Estreito de Hormuz impulsiona o petróleo

A principal força por trás da queda do dólar hoje foi a disparada nos preços do petróleo. O barril do tipo Brent, referência internacional, saltou 5,03%, atingindo US$ 94,93, com picos de US$ 97,50 durante o dia. O mercado reagiu ao bloqueio do Estreito de Hormuz, via por onde escoa cerca de 20% da produção global de petróleo e gás natural liquefeito.

A paralisia no tráfego marítimo ocorreu após ataques mútuos entre forças iranianas e norte-americanas durante o fim de semana. O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou uma ação militar contra uma embarcação iraniana, o que gerou promessas de retaliação por parte de Teerã.

“O aumento de tensões contribui para a expectativa de uma suspensão dos fluxos de petróleo e derivados por um período maior do que o esperado”, avalia Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Impacto no Mercado de Capitais Brasileiro

A valorização da commodity favoreceu diretamente a Bolsa brasileira, que fechou em alta de 0,20%, aos 196.132 pontos.

  • Petrobras (PETR3/PETR4): Altas de 1,83% e 1,73%, respectivamente.
  • Brava: Valorização superior a 4%.

Atratividade do real e estratégia de Carry Trade

Além da pauta de exportação, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua atraindo capital estrangeiro, pressionando o dólar para baixo. Enquanto o Boletim Focus projeta a Selic em 13% ao ano para o fim de 2026, as taxas americanas situam-se entre 3,5% e 3,75%.

Essa disparidade favorece o carry trade, onde investidores tomam empréstimos em moedas de juros baixos para aplicar em mercados de maior rendimento, como o brasileiro. Segundo dados da B3, o saldo de investimento estrangeiro no país já soma R$ 68 bilhões até abril, superando todo o volume registrado em 2025.

A XP Investimentos destaca que a condição do Brasil como exportador líquido de petróleo sustenta o saldo comercial e ajuda a mitigar a inflação interna. Contudo, a instituição ressalva:

“Caso os riscos geopolíticos diminuam e os preços do petróleo recuem, o apetite ao risco deve retornar ao ambiente pré-conflito, caracterizado por um dólar mais fraco globalmente, mas com menor prêmio para moedas ligadas a commodities”.

  • Publicado: 20/04/2026 22:46
  • Alterado: 20/04/2026 22:46
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC