Redução da jornada de trabalho ameaça empregos e contas públicas

Proposta de corte de horas trabalhadas enfrenta resistência do setor produtivo devido ao risco de demissões e alta na folha de pagamentos.

Crédito: Agência Brasil

A imposição legal para a redução da jornada de trabalho no Brasil levanta preocupações imediatas sobre o aumento dos custos empresariais e a queda na empregabilidade. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) alerta que os projetos em tramitação no Congresso Nacional também pressionarão as contas públicas. As propostas incluem o Projeto de Lei 1.838/2026 e as Propostas de Emenda à Constituição 221/2019 e 08/2025.

A aplicação imediata das novas regras aos contratos vigentes fere princípios constitucionais de segurança jurídica e ato jurídico perfeito. A ausência de períodos de transição gera choques econômicos inesperados para as empresas. O mercado exige previsibilidade jurídica para evitar paralisações produtivas e demissões em massa.

Riscos da redução da jornada de trabalho na economia

Um estudo da entidade projeta uma alta de R$ 158 bilhões na folha de pagamentos em caso de aprovação do limite de 40 horas semanais. O modelo atual de 44 horas engloba 62% da força de trabalho celetista, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Setores intensivos em mão de obra sofrerão os impactos mais severos com a redução da jornada de trabalho obrigatória.

Atividades como agronegócio (92%), construção civil (91%), varejo (89%) e indústria (85%) dependem da presença simultânea de equipes organizadas em turnos. A mudança elevaria o custo da hora trabalhada entre 10% e 22%. As Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPEs) detêm pouca margem financeira para absorver essa carga.

Esses pequenos negócios respondem por 60% dos empregos gerados anualmente no país e formam mais de 90% do universo empresarial. Operações essenciais se tornariam inviáveis frente à diminuição de 18% na carga semanal sem a contrapartida de ganhos de produtividade ou investimentos em automação.

Negociação coletiva e impacto no setor público

Prefeituras, governos estaduais e o governo federal precisarão arcar com o repasse de custos das companhias contratadas via terceirização de serviços. A flexibilização orgânica do mercado já exibe resultados mais sustentáveis sem intervenção do Estado. Atualmente, a média efetivamente operada no país atinge 39 horas semanais.

O avanço de projetos engessados reduz o espaço para ajustes setoriais e confronta a Convenção 154 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O documento internacional protege a autonomia e a liberdade nas discussões entre empregadores e trabalhadores. É imperativo analisar a redução da jornada de trabalho dentro de um ambiente de livre acordo, respeitando as condições de cada atividade produtiva.

Mobilização por modernização trabalhista

Lideranças empresariais articularam o Manifesto pela Modernização da Jornada de Trabalho no Brasil visando orientar o Congresso sobre a complexidade do tema. O texto defende a preservação dos vínculos formais e o desenvolvimento social alinhado à sustentabilidade econômica. “A tentativa de enrijecer uma questão econômica como essa é um risco econômico, fiscal, institucional e setorial”, destacou a diretoria da federação.

O setor produtivo exige a manutenção do diálogo técnico com o Executivo e os parlamentares para afastar ameaças aos empregos vigentes. A diferenciação entre setores econômicos permite adaptar as escalas de folgas de maneira inteligente. O modelo de negociação coletiva afasta os prejuízos de uma canetada arbitrária sobre a redução da jornada de trabalho.

  • Publicado: 20/04/2026 08:27
  • Alterado: 20/04/2026 08:27
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FecomercioSP