Tenente faz história como a primeira mulher piloto de combate da Aviação do Exército

Após quase quatro décadas de existência, Aviação do Exército brasileiro forma sua primeira oficial mulher habilitada para pilotar helicópteros em combate

Crédito: Reprodução/g1

A jovem tenente Emily de Souza Braz, nascida na fronteira com o Uruguai e criada em Sant’Ana do Livramento (RS), acaba de se tornar a primeira mulher a conquistar o brevê de piloto de helicóptero de combate do Exército Brasileiro. A conquista marca um momento histórico: é a primeira vez, em 39 anos da Aviação do Exército em sua atual configuração, que uma mulher atinge essa posição.

Formada pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em 2021, Emily integrava a primeira turma de oficiais combatentes que admitiu mulheres. A decisão de seguir carreira na aviação veio após uma experiência marcante durante uma missão de suprimentos, quando um piloto lhe entregou um distintivo com a brincadeira de devolvê-lo apenas em Taubaté (SP), sede do Centro de Instrução de Aviação do Exército.

Superação e união no treinamento

A formação de piloto de combate é intensa: são 63 semanas de treinamento, com cerca de 1.400 horas de voo e mais de 400 em simuladores. A tenente conta que a adaptação foi positiva e que foi bem acolhida pelos colegas. “Fomos muito unidos”, afirmou. Ela se formou ao lado de outros 13 pilotos, em cerimônia realizada na última sexta-feira (11), com a presença do comandante do Exército, general Tomás Paiva.

O general destacou o avanço da presença feminina na corporação, que passou de 8% para 12% do efetivo. Ele ainda ressaltou que a formação de Emily é um marco histórico e que há planos de ampliar a participação feminina, inclusive com tripulações compostas apenas por mulheres.

Planos para o futuro e inspiração para outras

Apesar do pioneirismo, Emily não está sozinha em espírito. Sua amiga e colega de turma, tenente Andrielly Mostavenco, também seguiria o mesmo caminho, mas faleceu em um acidente de trânsito no ano anterior. A trajetória de ambas é vista como inspiração para novas candidatas.

Casada com um piloto do Exército, Emily planeja se especializar ainda mais e pretende servir na selva. Quando questionada sobre a possibilidade de alcançar o generalato, responde com humildade: “Quero que isso seja consequência do meu trabalho, não uma prioridade”.

Enquanto o Exército amplia gradualmente o espaço para as mulheres, com previsão de 1.000 vagas para voluntárias em 2026, a realidade do combate ainda é restrita. No entanto, Emily representa uma mudança de paradigma. “Recomendo às colegas que estão vindo que não desistam, que se dediquem. Nós somos competentes e temos capacidade”, reforça a tenente.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 11/04/2025
  • Fonte: FERVER