Eleições no Peru têm atraso e investigação policial
Problemas logísticos geram filas, atrasam votação e afetam milhares de elitores no Peru
- Publicado: 12/04/2026 21:02
- Alterado: 12/04/2026 21:02
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
Os centros de votação no Peru registraram atraso no encerramento das eleições realizadas neste domingo (12). Inicialmente previsto para as 18h no horário local (20h em Brasília), o fechamento foi adiado em cerca de uma hora devido a falhas na instalação de mesas eleitorais em diversas regiões do país.
Mesmo após o horário oficial, eleitores que ainda estavam dentro dos locais de votação puderam concluir o processo. Em diferentes pontos, foram registradas filas extensas e aglomerações ao longo do dia.
Falhas logísticas impactam milhares de eleitores
Os problemas começaram nas primeiras horas da votação. Em Lima, no parque Tradiciones, a distribuição de materiais eleitorais teve início apenas às 10h20, mais de três horas após o previsto. Em outro ponto da capital, o colégio Rodrigo Lara Bonilla permaneceu fechado até o período da tarde.
De acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), ao menos 15 seções da região metropolitana de Lima não receberam os materiais necessários para o funcionamento. A estimativa é de que mais de 63 mil eleitores tenham sido diretamente prejudicados.
Diante da situação, o órgão eleitoral decidiu estender o horário de votação. O chefe da ONPE, Piero Corvetto, reconheceu as falhas e pediu desculpas à população pelos transtornos causados.
Polícia investiga órgão eleitoral
As falhas operacionais levaram a polícia peruana a entrar nas instalações do órgão eleitoral para investigar as causas dos problemas. A apuração busca esclarecer possíveis responsabilidades na organização do pleito.
O episódio amplia a tensão em um cenário político já marcado por instabilidade. Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes, refletindo uma crise institucional persistente.
Crise política influencia percepção dos eleitores
O ambiente eleitoral foi marcado por desconfiança e insatisfação. Eleitores relataram descrédito nas instituições, especialmente no Congresso, que tem acumulado poder nos últimos anos.
Uma das principais críticas está relacionada à atuação do Legislativo, que protagonizou sucessivas destituições presidenciais em meio a escândalos políticos. Mudanças recentes, como a recriação do Senado aprovada em 2024, também geraram controvérsias, especialmente por contrariar decisão popular expressa em referendo anterior.
Levantamentos indicam aumento da rejeição ao Congresso, refletindo o distanciamento entre representantes e população.
Disputa presidencial ocorre em cenário fragmentado
A eleição presidencial no Peru reúne 35 candidatos, o que evidencia a fragmentação política no país. A cédula de votação chegou a medir 44 centímetros, reflexo da quantidade de postulantes ao cargo.
Entre os nomes mais conhecidos está Keiko Fujimori, que participa de mais uma disputa presidencial. A candidata mantém presença relevante nas pesquisas, embora com percentual limitado de intenções de voto.
Outro candidato que ganhou destaque ao longo da campanha foi Ricardo Belmont, que apresentou crescimento recente nas sondagens. Já Rafael López Aliaga teve queda de popularidade após declarações polêmicas durante atos de campanha.
Segurança pública entra no centro do debate
A segurança pública é apontada como a principal preocupação dos eleitores peruanos. Dados recentes indicam aumento significativo nas taxas de homicídio na última década, colocando o tema no centro das propostas dos candidatos.
Medidas para enfrentar a criminalidade variam entre os postulantes, incluindo propostas controversas que têm gerado debate durante a campanha eleitoral.
Tradições e estratégias marcam início do dia eleitoral
Como parte da tradição política no Peru, candidatos iniciaram o dia com os chamados “desayunos electorales”, encontros com eleitores e imprensa. A prática remonta à década de 1990 e segue presente nas campanhas atuais.
Esses eventos funcionam como estratégia de aproximação com o eleitorado e de visibilidade midiática no dia da votação.