Temporada de cruzeiros reforça Santos e deve gerar R$ 1,5 bi
A temporada de cruzeiros deve movimentar R$ 1,5 bilhão na Baixada Santista, reforçando Santos como porta de entrada turística no Estado
- Publicado: 07/10/2026 14:16
- Alterado: 07/10/2026 14:16
- Autor: Gabriel de Jesus
A temporada de cruzeiros 2026/2027 deve ampliar a movimentação turística em São Paulo e consolidar o papel de Santos como um dos principais pontos de entrada de visitantes no estado. Entre outubro de 2026 e abril de 2027, estão previstas 161 escalas no Porto de Santos, movimentando cerca de 832 mil passageiros e tripulantes. A estimativa da Prefeitura de Santos aponta um impacto econômico de R$ 1,5 bilhão na Baixada Santista até o término da temporada de cruzeiros.
A programação oficial reúne dez navios e oferta 640 mil leitos. A dimensão da operação posiciona o litoral paulista em lugar de destaque no cenário nacional de turismo marítimo.
Para a Secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), a temporada de cruzeiros oferece uma oportunidade estratégica para integrar o fluxo do porto a outros destinos paulistas.
“Os cruzeiros são portas de entrada para o turismo paulista. O visitante que chega a Santos tem a oportunidade de conhecer não apenas o litoral, mas também outras experiências e produtos turísticos do Estado. É uma oportunidade de apresentar a diversidade de São Paulo e estimular o retorno desses viajantes para novas experiências”, afirmou Ana Biselli, secretária de Turismo e Viagens de São Paulo.
Dezembro lidera movimentação no Porto de Santos
O mês de dezembro será o período de maior pico da temporada de cruzeiros, com 40 escalas agendadas e fluxo estimado de 214 mil pessoas entre passageiros e tripulantes. Esse volume representa 27% de todo o movimento previsto para o porto santista na temporada de cruzeiros.
Santos atua como o principal nó de articulação de rotas nacionais e internacionais, recebendo e enviando embarcações para o Sul do país, Rio de Janeiro e Argentina.
Principais origens das embarcações que chegam a Santos:
- Búzios (RJ): 47 ocorrências
- Itajaí (SC): 26 ocorrências
- Maceió (AL): 16 ocorrências
- Buenos Aires (Argentina): 13 ocorrências
- Ilhabela (SP): 12 ocorrências
- Balneário Camboriú (SC): 9 ocorrências
Após atracarem em Santos, os navios seguem majoritariamente para Búzios (49 ocorrências), Rio de Janeiro (32), Angra dos Reis (14), Balneário Camboriú (14) e Buenos Aires (13).
Perfil de gastos e impacto no comércio local
O potencial financeiro do setor é detalhado em estudo da FGV Projetos e CLIA Brasil referente ao ciclo anterior (2025/2026). Os dados apontam que cada turista deixa em média R$ 962 nas cidades de embarque e desembarque — caso de Santos — e R$ 800,98 nas cidades de escala de passagem, como Ilhabela.
A distribuição dos gastos dos passageiros e tripulantes durante a temporada de cruzeiros abrange diversos setores econômicos:
- Alimentos e bebidas: R$ 627,1 milhões
- Comércio varejista: R$ 605,5 milhões
- Transporte pré e pós-viagem: R$ 294,6 milhões
- Passeios turísticos: R$ 248,1 milhões
- Hospedagem anterior ou posterior: R$ 92,1 milhões
Oportunidade de fidelização de turistas em SP
O perfil do público da temporada de cruzeiros aponta um elevado índice de novos visitantes. Na edição 2025/2026, 65,7% dos entrevistados visitavam a cidade de parada pela primeira vez, enquanto 23,9% eram estrangeiros. A escolha dos destinos e paradas foi citada por 35,9% dos passageiros como fator decisivo para a viagem, índice equivalente à influência do preço (36,3%).
O objetivo do setor é converter esse fluxo temporário da temporada de cruzeiros em novas viagens pelo interior e capital paulistas, estimulando roteiros de gastronomia, patrimônio histórico, ecouturismo e enoturismo.