Tarifas de Trump podem afetar 726 mil empregos e prejudicar INSS e FGTS
Dieese alerta para impactos do tarifaço nos empregos e nas finanças do país
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 13/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um recente estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), encomendado por centrais sindicais, revela que as tarifas impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderão ter consequências drásticas sobre a economia brasileira, afetando aproximadamente 726.700 empregos. A pesquisa foi apresentada na manhã desta quarta-feira (13) e destaca também as repercussões nas receitas da Previdência Social e no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
O levantamento exclui setores não afetados pelas tarifas e estima uma redução de R$ 11,01 bilhões na arrecadação tributária, além de uma diminuição de R$ 14,33 bilhões na massa salarial e R$ 3,31 bilhões na arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O impacto total no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro seria negativo em cerca de 0,37%.
Contrapõe-se a essa análise o estudo realizado pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedepar), que sugere uma queda menos severa nos empregos e um impacto mais ameno na economia. A pesquisa da UFMG menciona uma rápida absorção dos produtos brasileiros devido à realocação no comércio global.
As divergências entre os dados se devem à base utilizada pelas centrais sindicais, que indicam possíveis perdas irreversíveis para o mercado brasileiro nos Estados Unidos, caso não sejam adotadas medidas eficazes.
Em resposta ao cenário adverso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou uma medida provisória contendo estímulos financeiros de R$ 30 bilhões para empresas exportadoras. Segundo o Dieese, a perda de até 700 mil empregos é considerada um cenário pessimista, enquanto o estudo do Cedepar representa uma estimativa otimista.
A pesquisa do Dieese analisa cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos, com foco aprofundado em pelo menos 3.000 delas, abrangendo a base de 1.459 sindicatos. “Essa descentralização requer uma organização considerável para monitorar todo esse movimento”, afirmou Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese e responsável pela pesquisa.
A principal preocupação reside na continuidade das atividades empresariais e na manutenção dos postos de trabalho. Os setores mais vulneráveis incluem serviços, indústria de transformação, comércio, agropecuária, extrativismo vegetal e pesca, além de construção civil e extração mineral.
Adriana Marcolino ressaltou que os impactos afetarão toda a cadeia produtiva e consumidora, não se restringindo apenas às empresas diretamente envolvidas.
Os sindicatos firmaram um compromisso conjunto para acompanhar detalhadamente as atividades das empresas. Para tal fim, foi desenvolvido um site que será atualizado pelos sindicatos após cada negociação coletiva.
As negociações salariais estão previstas para os meses de setembro a novembro, gerando preocupação entre os líderes sindicais. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em mensagem gravada aos sindicatos, pediu calma diante da situação. Ele enfatizou que atualmente o Brasil possui menor dependência dos Estados Unidos em comparação a 2003.
Marinho destacou que anteriormente 25% das exportações brasileiras eram destinadas aos EUA; hoje esse número caiu para 12%. “Não diminuímos nossas exportações; ampliamos nossos mercados. Nos últimos dois anos, abrimos 397 novos mercados para produtos brasileiros”, afirmou.
Além disso, estão sendo planejadas medidas que visam facilitar a manutenção dos empregos no setor alimentício através da promoção do mercado interno em substituição ao norte-americano. A estratégia inclui incentivo à venda em licitações voltadas para creches e merendas escolares.
O Dieese também alerta sobre a situação precária enfrentada pelos trabalhadores no segmento de frutas, onde muitos atuam em condições informais ou são safristas. O ministro indicou que as negociações coletivas podem se basear em mecanismos já previstos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como o lay-off.
Sergio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), reconheceu a relevância dos Estados Unidos para a economia nacional e enfatizou a necessidade urgente de diálogo com as empresas. Ele alertou que as negociações devem ser iniciadas rapidamente e não ultrapassarem dez dias.
Ricardo Patah, líder da União Geral dos Trabalhadores (UGT), expressou sua preocupação específica com o setor comercial e seus trabalhadores comissionados em cidades menores. Ele recordou a crise econômica de 2008, afirmando que o Brasil foi o último país a ser afetado e o primeiro a se recuperar dela.