Tarifaço causa demissões e paralisações na indústria de madeira
Indústrias suspendem exportações, adotam férias coletivas e já iniciam demissões por temer tarifa de Trump
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 29/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A indústria de madeira processada no Brasil está atravessando um período desafiador, com diversas empresas implementando férias coletivas e já registrando demissões. Essa situação é impulsionada pelo anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prevê a imposição de tarifas elevadas a partir de agosto.
De acordo com informações da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), as exportações para o mercado norte-americano foram interrompidas antes mesmo da efetivação das novas taxas. Esse cenário gerou preocupações sobre um possível colapso do setor, levando muitos clientes a adiar embarques ou cancelar contratos em meio à incerteza em torno das tarifas.
Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci, destaca que uma sobretaxa de 50% nas exportações brasileiras, conforme indicado inicialmente por Trump, poderia tornar as empresas do setor inviáveis no mercado americano. “Diante desse cenário, muitas empresas adotaram medidas internas, como redução da produção e cortes nos turnos”, explica Pupo.
Com aproximadamente 180 mil empregos diretos no Brasil e cerca de 50% da produção voltada para os Estados Unidos, o mercado americano é considerado fundamental para a indústria madeireira. Em alguns casos, esse percentual pode chegar até a 100%, segundo a Abimci. As exportações brasileiras são predominantemente compostas por madeiras utilizadas na construção civil, com uma significativa concentração de produção na região Sul do país.
Atualmente, algumas indústrias já começaram a implementar cortes devido à incerteza gerada pelas possíveis tarifas. Um exemplo é a Sudati, uma empresa que produz compensados e MDF nos estados do Paraná e Santa Catarina, que anunciou uma redução de aproximadamente cem funcionários de seu quadro total de 2.800 colaboradores.
A Sudati comunicou que a decisão foi necessária para assegurar o equilíbrio financeiro e a sustentabilidade das operações, sem comprometer as relações com clientes e fornecedores. “Essa decisão foi difícil, mas está sendo tomada com responsabilidade”, afirmou a empresa em nota oficial.
Outro caso é o da BrasPine, que decidiu implementar férias coletivas para 1.500 dos seus 2.500 funcionários em Telêmaco Borba e Jaguariaíva, ambas localizadas no Paraná. A companhia justificou sua ação pela perda de competitividade frente aos exportadores que atuam com tarifas menores nos Estados Unidos.
O CEO da BrasPine, Eduardo Loges, enfatizou que essa estratégia visa proteger os empregos e garantir a continuidade da empresa no longo prazo. A Millpar também optou por conceder férias coletivas a cerca de 720 dos seus 1.100 funcionários em Guarapuava e Quedas do Iguaçu, ressaltando que sua produção é voltada para exportação e os EUA representam o principal mercado consumidor.
A Millpar comunicou que suas operações estão suspensas, exceto pelas áreas administrativas. Ettore Giacomet Basile, CEO da Millpar, declarou que as decisões estão sendo baseadas em dados concretos e com foco na sustentabilidade do negócio.
A Abimci alerta que encontrar novos parceiros comerciais em caso da imposição das tarifas não será uma tarefa simples nem rápida para as indústrias brasileiras. “O volume que exportamos para os Estados Unidos não pode ser acomodado em outros mercados”, comentou Pupo.
Por fim, ele defendeu um avanço nas negociações diplomáticas entre o governo brasileiro e o americano, ressaltando que as férias coletivas são soluções temporárias: “O verdadeiro desafio se apresentará quando as empresas retornarem ao trabalho e precisarem lidar com as consequências das medidas tomadas”.