“Super Mario Galaxy” eleva a franquia aos astros e une gerações em uma odisseia nostálgica
Estreia hoje (01), a sequência do bigodudo mais famoso dos games que por aqui aposta na vastidão do cosmos para provar que a herança nostálgica ainda sobrevive ao tempo
- Publicado: 01/04/2026 13:07
- Alterado: 01/04/2026 13:54
- Autor: João Pedro Mello
- Fonte: ABC do ABC
Abertura
A urgência de expandir os horizontes do cinema de animação encontra em “Super Mario Galaxy“, a aguardada sequência da parceria oficial entre Nintendo e Illumination, um universo vasto e visualmente esmagador. O filme nos puxa para o cosmos com a força de um buraco negro, ignorando com louvor e alívio absoluto aquele surto live-action bizarro e esquecível da década de noventa.
O diretor transporta a linguagem interativa do game clássico para a narrativa passiva das telonas com uma fluidez ágil que desafia a própria lei da gravidade. A transição do controle para o cinema transforma mecânicas de level design em um espetáculo cinematográfico vertiginoso, onde cada pequeno planeta esférico dita o seu próprio e frenético ritmo visual para a grande aventura intergaláctica.
É nesse cenário de cores explosivas que a obra revela o seu elemento mais singular e poderoso: a capacidade imediata de unir gerações em uma mesma poltrona escura. E para colorir ainda mais a sessão, decidi adicionar um player 02 na partida e jogar junto com meu guri de quatro anos — ou seja, pai e filho, juntos na poltrona da cabine de imprensa. E tudo que essa decisão causou na minha visão crítica, você vai ler a seguir, mas já solto o spoiler: ter ele ao meu lado, adicionou uma lente tão brutalmente honesta à experiência que transformou o próprio ato de assistir em um termômetro afetivo implacável.
Testemunhar o deslumbramento de uma criança que já conhece o personagem desde os seus primeiros meses de vida colidir com a minha própria nostalgia forjada nos consoles é um golpe certeiro e bem-vindo no estômago. O filme não apenas resgata a infância de quem cresceu assoprando cartuchos poeirentos, mas também pavimenta com pura maestria a memória afetiva duradoura de quem agora herda esse cobiçado reino.
E para que essa ponte emocional cruzada funcionasse sem arranhões, a escolha editorial de mergulhar de cabeça na versão dublada provou ser o maior e mais definitivo acerto de toda a sessão. A adaptação brasileira, mas uma vez entrega uma performance contagiante que dispensa qualquer legenda, garantindo que o menino ao meu lado sentisse na pele o exato impacto e calor humano que a obra original desenhou.
A gravidade do fan service
A adaptação minuciosa do material base exigia um cuidado cirúrgico para não transformar o longa em um amontoado caótico de frases desconexas, assemelhando-se a um mero vídeo amador de internet. A estrutura narrativa encontra um equilíbrio invejável ao abraçar o completo absurdo da física espacial da franquia, fazendo com que a navegação pelos planetoides sirva incansavelmente ao arco dramático dos personagens.
A armadilha do fan service joga o roteiro num confortável meio do caminho: a obra titubeia constantemente entre tentar contar uma história profunda e apenas soterrar o público sob uma avalanche de easter eggs. Tudo soa como um alicerce básico, entregando iscas baratas de plástico que a trama usa de muleta para avançar ininterrupta. Se esse comodismo narrativo arruinaria a experiência? Talvez, se eu estivesse avaliando friamente. Mas, com as mãos do meu filho agarradas à poltrona e os olhos fixos na tela, todo o meu cinismo intelectual evaporou. O fato inegável é que a companhia do piá desarma toda e qualquer crítica, e a nostalgia compartilhada perdoa com folga, qualquer falta de ambição narrativa.
No fundo, ver aquele pequeno Koopa de bandana tentando imitar a marra do pai grandalhão acaba sendo um reflexo torto e brilhante de nós dois ali no escuro. É a prova de que, seja para conquistar galáxias na tela ou apenas devorar um balde de pipoca na poltrona, a verdadeira missão de qualquer veterano é passar o controle para o seu “Player 2” e garantir que o moleque se sinta o gigante da aventura.
A trilha sonora está monumental e perfeitamente orquestrada do meu amado game, assim você é transplantado direto para o cinema com uma potência acústica letal, que arrepia a espinha da criança ao marmanjo que jogava sentado pelo chão ou cadeiras de plástico das antigas locadoras. Os famosos arranjos clássicos não apenas ditam a grandiosidade do conflito contra Bowser e seu filho, Bowser Jr., mas atuam como uma ponte emocional fulminante. A sinfonia que orquestra a inusitada relação paterna dos vilões lá na vastidão do espaço é exatamente a mesma que, do lado de cá, martela a frágil memória do pai veterano e não larga a mão do filho maravilhado, unindo as duas duplas sob o mesmo impacto sonoro.

É através da injeção constante desse espetáculo sonoro e visual impecável que o olhar da criança na poltrona se mantém fixo, completamente e silenciosamente hipnotizado pela vastidão da Via Láctea projetada — uma criança que, num truque sorrateiro da nostalgia, ocupa tanto o assento físico (ao meu lado) quanto a minha própria pele adulta. Aquilo que o meu lado veterano capta de imediato como uma homenagem visual aos anos de ouro, a criança absorve a plenos pulmões como a mais eletrizante aventura mágica já concebida, implodindo qualquer fronteira entre o pai que revisita a própria infância e o moleque que a herda.
Ao respeitar com firmeza a essência lúdica que consagrou a obra magna nos videogames, a animação manda um recado letal e direto: este é um filme feito para fãs e crianças adultas, e definitivamente não para o crítico chato, cético e engessado que ainda teima em habitar o meu corpo. Analisando friamente sob esse escopo rigoroso, é verdade que, embora a sequência expanda o universo de forma literal para o cosmos, ela não atinge aquele mesmo impacto arrebatador e inédito que fomos atingidos no primeiro “Super Mario Bros. O Filme“.
Por outro lado, qualquer exigência acadêmica e pedante é sumariamente atropelada pela realidade da (minha) sala escura. Além de tudo, o que vi foi os olhinhos do meu filho brilhando e sorrindo a cada novo plano colorido forrado de nostalgia que me desarmaram sem a menor piedade, me embalando de vez e de braços dados na magia dessa aventura. O resultado na tela é uma consolidação incontestável da linguagem da Nintendo, provando também na tela, que a emoção partilhada vale muito mais do que a técnica fria, entregando um ritmo impecável que não sacrifica a imersão genuína em troca de cenas enlatadas.
A voz que ecoa no cosmos
A performance colossal do elenco de dublagem brasileiro atua silenciosamente como a espinha dorsal narrativa que ancora essa vertiginosa aventura espacial diretamente nos corações e mentes do grande público local. O elenco nacional entrega não apenas as entonações já icônicas dos simpáticos personagens, mas um peso dramático e um timing cômico cirúrgicos que muitas vezes deixam o badalado trabalho gringo de vozes originais escanteado no banco de reservas.
Raphael Rossatto (Mario) mais uma vez veste o macacão do protagonista com uma propriedade absurda, cravando os inconfundíveis “Mamma mia!” e os saltitantes “Vamo lá!” com uma energia vibrante que beira a perfeição tátil de quem comanda o joystick. Do outro lado, o genial Manolo Rey eleva o pânico crônico e as hesitações de Luigi a uma autêntica forma de arte, arrancando gargalhadas genuínas a cada gaguejada aterrorizada ou grito esganiçado ecoando pelo vácuo espacial. A liderança inabalável e guerreira de Peach continua muito bem guardada nas cordas vocais firmes de Carina Eiras, exalando autoridade no front, enquanto Márcio Dondi rouba a cena novamente rosnando as ameaças egocêntricas e as inevitáveis tiradas dramáticas de um Bowser que, a cada rugido, simplesmente engole a tela.
A genialidade da localização do roteiro original desponta como um espetáculo à parte, traduzindo piadas ágeis e expressões com uma naturalidade tão grande que o humor reverbera instantaneamente nas altas gargalhadas infantis. Esse trabalho puramente artesanal de adaptar o áudio nacionalizou o amado universo do Reino Cogumelo sem ferir a sua pureza original, tornando as frenéticas interações muito mais quentes, viscerais e altamente palatáveis.

A aguardada introdução da figura melancólica e maternal de Rosalina e suas adoráveis Lumas exigiu da talentosa equipe brasileira um tom de voz sensível que beirasse e alcançasse o mais puro conforto poético. A direção de dublagem de Flavia Fontenelle entrega de bandeja essa fragilidade cósmica com uma precisão quase cirúrgica, injetando uma camada extra de profundo drama existencial que equilibra com sobras o ritmo caótico dos combates e saltos acrobáticos.
Foi exatamente através da manutenção constante dessa indispensável âncora vocal afiada pelos nossos profissionais que o meu menino de quatro anos permaneceu magnetizado na cadeira estofada, inclusive durante os momentos mais tensos da trama. A voz familiar, limpa e acolhedora em bom português agiu fielmente como a corda de segurança invisível que o guiou de mãos dadas pelas galáxias imensas, impedindo qualquer chance de dispersão na vastidão escura projetada. Esse cuidado impecável e milimétrico da dublagem atua como um sonoro tapa na cara de quem ainda insiste em exigir legendas frias em animações impulsionado puramente por um elitismo cinematográfico barato.
Entre o controle e a narrativa
Pular de um minúsculo planeta esférico para outro no videogame é fácil, mas levar essa loucura fragmentada para a tela do cinema corria o sério risco de picotar a emoção e deixar a história com cara de um amontoado de fases soltas. Só que, na prática, essa viagem vertiginosa pelas galáxias funciona feito mágica. O roteiro costura os cenários caóticos sem deixar a peteca cair, e a cada novo mundo bizarro que surge, a gente só sente o domínio do vilão ficar ainda mais sufocante e esmagador.
Era muito fácil a animação se perder na megalomania cósmica e esquecer o que faz essa franquia ter alma. Mas enquanto o universo inteiro parece estar colapsando no fundo da tela em uma escala épica e destrutiva, o coração da fita soprada bate fundo, e num lugar certeiro. No fim do dia, a história recusa o gigantismo vazio e foca no que realmente importa: a teimosia e a admirável bravura de um simples encanador baixinho de macacão colorido correndo contra o fim dos tempos.
Ver a gravidade pirar de vez e o protagonista correr de cabeça para baixo em mundos forrados de cores neon não é só um truque estético barato: é uma verdadeira avalanche sensorial que literalmente obrigava o meu menino a apontar o dedinho incrédulo para a tela e apertar a minha mão a cada momento de entusiasmo. A direção montou um espetáculo arquitetado sem a menor misericórdia para cortar a respiração da sala, hipnotizando na mesma tacada tanto o fã velho de guerra quanto a criança miúda ao lado.

Assistir a esse balé gravitacional no escuro é levar um soco nostálgico covarde, que me arremessou na hora de volta para as madrugadas em que eu esmagava freneticamente os botões do meu saudoso console. Só que, desta vez, a sensação tátil e áspera daquele controle de plástico foi lindamente substituída pela experiência insubstituível de apertar a mão pequena e maravilhada do meu filho. Estávamos vivendo a mesmíssima magia de antes, mas agora através de uma ótica paterna inédita e que eu nem sabia o quanto precisava.
Essa ponte invisível e arrebatadora erguida entre o meu passado suando na frente da TV e o nosso presente alucinante no cinema prova que a obra sabe exatamente para onde apontar o seu canhão de estrelas mágicas. O longa não tenta ser cabeçudo ou intelectual; ele acerta com força bem no centro do peito de quem um dia já gastou o polegar pisando em goombas virtuais e, com o mesmíssimo e devastador impacto, sequestra de vez o coração livre e atento daquela pequena criança na fileira da frente.
A fidelidade nostálgica como trunfo
A melhor decisão que os produtores tomaram foi bater o pé e recusar a tentação gasta de enfiar uma camada “densa” com sombra de um drama meio adulto forçado onde ele não precisava existir. O espírito puro, colorido e absurdamente lúdico que o genial Shigeru Miyamoto cravou lá nos primórdios da era dos oito bits, por aqui continua nessa sequência ainda mais vivo e pulsante, mas sobretudo, totalmente intacto na tela grande.
Esse respeito fanático pelo DNA do videogame funciona como um escudo contra a maldição das adaptações enlatadas de Hollywood. Longe de engessar a história, abraçar sem medo a velha lógica de “passar de fase” simplesmente soltou a coleira dos animadores, entregando algumas das perseguições e sequências de ação mais insanas e criativas — como o espetáculo de uma corrida de ponta-cabeça que desvia de Bullet Bills e explode num alucinante balé de saltos coloridos rasgando o cosmos.
E não para por aí: o que dizer da cena do despencar das estrelas rememorando a clássica abertura de cada uma delas, caindo cadente feito arco-íris choroso como no game. E claro, o exato momento em que o visual dobra planetas e desafia a gravidade exibe uma genialidade que faria o próprio Christopher Nolan sorrir diante de A Origem, entregando a cena mais arrebatadora que o “cinema gamer”, já viu neste ano.
A bagunça entre os irmãos encanadores e aquele bando de vilões clássicos rende uma comédia física deliciosa e sem freios. É o tipo de humor ágil que faz o moleque pular na poltrona e arranca aquela risada alta e sem culpa do pai. A animação acerta tanto no ritmo das piadas que esfrega uma verdade simples na nossa cara: até a fórmula mais básica funciona absurdamente bem quando a execução é brilhante. E o melhor de tudo é que eles chutam para escanteio aquele clichê cansado de “resgatar a donzela em perigo”, garantindo que a aventura não engasgue em nenhum minuto.
É exatamente por essa confiança inabalável no próprio universo que a ausência sentida de pesos pesados como Donkey Kong por aqui parece ter um propósito. A Nintendo não está apenas fazendo continuações, ao invés disso ela abraçou o modelo hollywoodiano de universos compartilhados, mas ditando suas próprias regras. Guardar o gorilão para um voo solo pode significar uma prova de que a estratégia agora é expandir os horizontes muito além do Reino do Cogumelo.

Dessa forma a “Big N” abre as portas do cinema para Star Fox, Pikmin presentes no longa, e porque não dizer, no “reino da esperança especulativa”, dizer do tão clamoroso Luigi’s Mansion. O próprio Charlie Day (voz do Luigi, no original) já deixou escancarado o seu entusiasmo com a ideia de levar a caça aos fantasmas e os sustos leves do seu personagem para as telas, ao flerta com a possibilidade em uma franquia bilionária que sabe muito bem transformar nostalgia pura em renovação criativa.
E a verdade é que a emoção bate absurdamente forte justamente porque o roteiro não perde um único segundo tentando pedir desculpas aos críticos engravatados por ser “apenas” diversão desavergonhada. Abraçando de corpo e alma o seu sangue de fliperama, a direção chuta qualquer pedantismo intelectual para o espaço e assume o propósito que realmente importa: fazer a sala inteira sorrir com saltos absurdamente impossíveis.
Prova disso é o coroar desse espetáculo em odisseia, o embate final que reserva um golpe baixo em nossa memória afetiva ao trazer de volta o inconfundível martelo e o colapso da velha ponte suspensa. É sim um fan service, mas aqui funciona de modo tão cirúrgico e arrebatador que serve como um teletransporte direto e sem escalas para a era dos 8 bits, recriando a mesma adrenalina de fechar o jogo na antiga TV de tubo.
No fim das contas, o implacável teste de fogo não era agradar jornalistas ranzinzas na cabine de imprensa, mas prender a atenção daquela hiperativa plateia mirim. O longa passou voando em um piscar de olhos, e ver que o meu menino engoliu a projeção até o último letreiro luminoso subir na tela, sem piscar ou perder um único pingo de interesse, serviu como o atestado de vitória definitivo de toda a equipe.
Fechamento
Quando a orquestra épica cessa e os créditos finalmente sobem na tela gigante, o saldo dessa viagem vai muito além de encher os cofres do velho encanador. Longe de figurar nas tristes listas de filmes caça-níqueis vazios e predatórios, essa nova animação se revela um espetáculo com um coração gigantesco, lindamente disfarçado sob a correria frenética dos velhos jogos de plataforma.
O verdadeiro teste de fogo dessa sessão não era descobrir se os antigos polígonos funcionariam na linguagem passiva do cinema. A vitória absoluta do longa foi se provar uma máquina de forjar memórias em tempo real, movida pela força arrebatadora de uma nostalgia compartilhada. A obra abraça, na mesma tacada, a visão calejada do pai que cresceu esmagando botões e o olhar brilhante e maravilhado da criança atenta na poltrona.
Com um visual deslumbrante, o estúdio resgata o propósito mais puro que nos prendia na frente da TV: servir como a nossa melhor rota de fuga para mundos muito mais vibrantes. Guiado pelas luvas brancas do herói, o filme simplesmente estilhaça o teto do cinema e soterra qualquer abismo geracional, unindo a minha infância preservada nos cartuchos com a inocência recém-desabrochada do meu menino.

Quando as luzes se acendem, fica a sensação reconfortante de que a mesma emoção forjada no plástico áspero dos velhos joysticks sobreviveu heroicamente ao tempo. A alma do jogo passou blindada pela ganância da indústria, escolhendo apenas trocar a tensão de suar as mãos nas antigas jogatinas pela experiência visual deslumbrante de dividir essa magia no escuro.
Enquanto os estúdios se afogam em algoritmos calculistas para fabricar entretenimento sem alma, contemplar in loco o seu minúsculo filho irradiar puro encantamento direcionado ao mesmíssimo astro que te inspirou no passado, se consagra como o maior e mais absoluto triunfo emocional de toda uma sessão. E um aviso: quem ficar grudado na cadeira até o último letreiro, recebe de presente duas cenas pós-créditos feito duas fases secretas.
No fim das contas, se existe um segredo para garantir que a sétima arte continue arrebatadora, ele mora justamente no maior trunfo dessa odisseia espacial: a capacidade genuína de fundir a emoção de pais e filhos no escuro da sala. E mais que presenciar, testemunhar a nossa própria infância renascer nos olhos arregalados de uma criança, se comprova um feito afetivo e super autêntico que consegue nos manter cada dia mais vivos, tal como um cogumelo verde de vida extra — e no melhor estilo power-up, supremo contra a ameaça do triste fim da velha e boa magia lúdica que o cinema ainda teima em eternizar. Afinal, as luzes podem até acender e a tela escurecer, mas perceber que o controle agora está nas mãos dele é a prova definitiva de que o nosso jogo está muito longe de ter um game over.
FICHA TÉCNICA:
Título: Super Mario Galaxy
Gênero: Animação, Aventura, Fantasia
Direção (Vozes Originais): Chris Pratt, Charlie Day, Anya Taylor-Joy
Elenco (Vozes Nacionais): Raphael Rossatto, Manolo Rey, Carina Eiras
Distribuidor: Universal Pictures
Duração: 105 min