10 anos de Paris: Stiell pede união contra a crise climática

Stiell, chefe da ONU Clima, apela por união global e pede que as nações combatam juntas a crise climática, em vez de rivalizar em Belém

Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A abertura da Conferência das Partes (COP30), realizada em Belém, foi palco de um apelo contundente do secretário executivo da UNFCCC, Simon Stiell, direcionado aos negociadores presentes. Em seu discurso, o líder ressaltou que a prioridade dos países deve ser a união e o foco exclusivo no combate à crise climática, deixando de lado a rivalidade entre as nações.

“Seu trabalho aqui não é brigar uns contra os outros; seu trabalho é combater, juntos, a crise climática”, afirmou categoricamente Stiell.

A dinâmica das negociações climáticas é frequentemente marcada por disputas acirradas, nas quais cada país busca defender seus próprios interesses. Os principais temas de divergência que polarizam as discussões incluem o financiamento necessário para mitigar os danos gerados por eventos climáticos extremos e a transição energética. Esta transição é vista como essencial para reduzir a dependência de combustíveis fósseis — petróleo, carvão e gás — que são amplamente reconhecidos como os responsáveis diretos pelo aquecimento global.

Do Papel à Economia Real: Acelerando o Progresso

Andre Ribeiro/Agência Petrobras

Stiell destacou que foram alcançadas conquistas importantes em conferências anteriores, como o consenso sobre a necessidade de descontinuar o uso de petróleo, carvão e gás. No entanto, o ponto central do seu alerta foi a necessidade de transformar compromissos financeiros em ações concretas e visíveis. O desafio é tirar os acordos das salas de negociação e levá-los para a prática.

“Precisamos alinhar o mundo das negociações com as ações necessárias na economia real”, observou o secretário executivo.

Como exemplo de cooperação e interconexão, Stiell usou a natureza circundante da conferência. Ele incentivou os líderes mundiais a acelerarem suas iniciativas climáticas, citando o Rio Amazonas como inspiração. O vasto sistema fluvial interconectado do Amazonas deve servir de modelo para uma cooperação internacional mais efetiva e eficiente nas questões climáticas globais.

A década do Acordo de Paris e o risco de 2,6°C

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A COP30 assume um simbolismo especial, pois celebra uma década do Acordo de Paris, formalizado durante a COP21 em 2015. Stiell recordou a jornada iniciada há dez anos, quando as nações buscavam ativamente soluções para reverter a tendência de aumento das emissões de gases do efeito estufa.

“Colegas, sejam bem-vindos a esse futuro. A curva de emissões está declinando, graças ao que foi acordado em salas como esta”, disse ele, reconhecendo o progresso alcançado.

Apesar dos avanços, ele foi taxativo ao afirmar que o caminho a percorrer ainda é longo. É imperativo acelerar o progresso na redução das emissões e no fortalecimento da resiliência das comunidades mais vulneráveis. “Não estou ‘dourando a pílula’; reconheço que ainda há muito trabalho a ser feito”, declarou, sublinhando a gravidade da situação.

O chefe do braço climático da ONU também enfatizou a relevância da Agenda de Ação. Esta agenda não se restringe a esforços governamentais, mobilizando também setores da sociedade civil e empresas em ações voluntárias para mitigar emissões e promover adaptação climática. Segundo ele, “A Agenda de Ação não é um mero complemento; ela é crucial” para o combate à crise climática.

A Resposta Brasileira: 30 objetivos estratégicos

Para dar impulso às medidas de combate à crise climática durante a COP30, a presidência brasileira da conferência apresentou sua própria Agenda de Ação. Este plano é composto por 30 objetivos estratégicos detalhados em seis eixos temáticos fundamentais:

  • Transição energética;
  • Gestão sustentável de florestas e oceanos;
  • Transformação da agricultura;
  • Construção de resiliência urbana;
  • Promoção do desenvolvimento humano;
  • Facilitadores transversais.

Esses eixos foram definidos com base nas conclusões do Balanço Global (Global Stocktake – GST), o balanço da ONU elaborado a cada cinco anos que avalia o estado das ações climáticas em nível mundial. O GST mais recente, divulgado em 2023, serviu como um alarme. Ele indicou que, apesar dos progressos notáveis, o planeta ainda está em rota para um aumento significativo na temperatura média global. As estimativas mais preocupantes apontam que a temperatura pode subir entre 2,4°C e 2,6°C até o final do século, uma marca muito superior à meta de 1,5°C estabelecida pelo Acordo de Paris para limitar o aquecimento e frear a crise climática.

A voz de Simon Stiell na abertura da COP30 ressoa, portanto, como um chamado urgente à responsabilidade compartilhada e à ação imediata para que os líderes mundiais consigam reverter esta perigosa projeção.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 10/11/2025
  • Fonte: MIS Experience