48,9% dos jovens do Bolsa Família já saíram do Cadastro Único
Em 12 anos, quase metade dos jovens do Bolsa Família atingiu a autonomia e deixou o Cadastro Único, revela pesquisa
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 10/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) entre 2012 e 2024 revela que 48,9% dos jovens beneficiários do Bolsa Família não estão mais registrados no Cadastro Único. O estudo analisou a trajetória de 15,5 milhões de jovens durante um período de 12 anos, destacando os fatores que influenciaram tanto a permanência quanto a saída desse importante programa social.
Dados do Bolsa Família:
Os dados foram coletados de indivíduos que, em dezembro de 2012, tinham entre sete e 16 anos e estavam oficialmente listados como dependentes do Programa Bolsa Família. A escolha desse ano para o início da pesquisa foi estratégica, uma vez que representa um período de estabilidade institucional do programa e conta com a disponibilidade de microdados detalhados do Cadastro Único.

Ao final do acompanhamento, constatou-se que aproximadamente 7,6 milhões de jovens deixaram completamente o Cadastro Único. Além disso, cerca de 2,7 milhões (17,6%) saíram do Bolsa Família mas permaneceram no Cadastro Único, indicando uma melhora relativa na renda, ainda que mantendo uma conexão com a rede de proteção social. Dessa forma, no total observado, 66,45% dos participantes se desvincularam do programa de transferência de renda.
A pesquisa também revelou que 33,5% dos jovens, o que equivale a aproximadamente 5,2 milhões de pessoas, continuaram no programa, evidenciando a persistência de condições de vulnerabilidade entre essa população.
Características do Grupo Estudado
No início da pesquisa em 2012, predominava um perfil composto majoritariamente por jovens pardos e pretos (73,4%). Apesar da alta taxa de escolarização — com 96% frequentando a escola — cerca de 27,4% apresentavam defasagem idade-série. Além disso, uma parte significativa das famílias vivia em condições precárias: 14,3% habitavam residências feitas com materiais frágeis e menos da metade (40,4%) tinha acesso à rede coletora de esgoto.
A análise destacou que jovens com melhores condições socioeconômicas iniciais em 2012 tinham maior probabilidade de não serem mais encontrados no Cadastro Único em 2024. O gênero masculino se destacou como um fator significativo que aumentou as chances de desligamento. Jovens alfabetizados e aqueles que ingressaram precocemente no mercado de trabalho também apresentaram maior tendência a deixar o programa.
A pesquisa aponta que as características familiares desempenharam um papel crucial na trajetória desses jovens. A presença de responsáveis com maior nível educacional — especialmente aqueles com ensino médio completo ou superior — elevou as chances de desligamento do programa. A obtenção de empregos formais e uma renda familiar per capita acima de R$ 140 em 2012 também estavam associadas à saída do Bolsa Família.
Por outro lado, fatores relacionados à vulnerabilidade foram associados à permanência na rede de proteção social. Jovens negros e pardos mostraram menor probabilidade de sair do programa quando comparados aos jovens brancos. Condições habitacionais inadequadas também contribuíram para a manutenção no Cadastro Único.
O tempo em que as famílias estiveram inscritas no Bolsa Família até 2012 foi outro fator determinante para os resultados obtidos em 2024. Famílias com menor tempo de participação — até dois anos — tiveram maior probabilidade de se desvincular do programa.
Em síntese, o estudo evidencia que as trajetórias dos jovens beneficiários foram moldadas por uma combinação complexa de fatores individuais, familiares e contextuais. Enquanto a permanência no Bolsa Família está ligada a situações de vulnerabilidade acentuada, a completa saída do Cadastro Único sugere avanços em termos de mobilidade socioeconômica, geralmente favorecidos por condições econômicas familiares mais sólidas e um capital humano mais robusto desde o início.