SPCD realiza temporada no Teatro Sérgio Cardoso

Em junho e julho, a Companhia apresenta três diferentes programas que integram a Temporada 2025 - ‘Todos os Mundos em Nós’

Crédito: Marcelo Machado

São Paulo Companhia de Dança (SPCD) – corpo artístico da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogéa – volta ao palco do Teatro Sérgio Cardoso para sua tradicional temporada de apresentações na casa. O espaço – que também é um equipamento cultural da Secretaria, gerido pela Amigos da Arte – receberá três programas distintos, que serão apresentados de 19 a 22 e de 26 a 29 de junho, e 3 a 6 de julho, compostos por obras que vão do clássico ao contemporâneo, e mostram a versatilidade do repertório da SPCD.

Além dos espetáculos, a programação inclui as já conhecidas atividades educativas, com espetáculos gratuitos, palestras e ações de acessibilidade, com audiodescrição das obras e intérprete de libras durante as palestras aos sábados. Os ingressos já estão à venda e podem ser adquiridos a partir de R$ 30 pelo site: https://spcd.com.br/ingressos/ 

Programação 2025 

Intitulada ‘Todos os mundos em nós’, esta temporada foi inspirada pelo poema de Adélia Prado ao celebrar a intensidade do ser humano, suas pluralidades e o equilíbrio entre profundidade emocional e criatividade. 

“Eu sou composta por urgências: minhas alegrias

são profundas; minhas tristezas, torrenciais”.

Adélia Prado – Poema Composição 

“Somos compostos por urgências, como Adélia Prado nos diz. Nossas alegrias profundas e tristezas torrenciais nos levam a explorar quem somos e o que carregamos dentro de nós. Nesta temporada, cada semana é parte do mosaico que revela a intensidade da existência humana – um convite a olharmos para dentro e encontrarmos os mundos que habitam em nós. A cada semana, “os mundos” que nos compõem se desdobram no palco, revelando as urgências da existência e a autenticidade de cada expressão artística”, nos conta Inês Bogéa, diretora artística da São Paulo Companhia de Dança.

As apresentações têm início em junho, quando a SPCD sobe ao palco do Teatro Sérgio Cardoso com três programas diferentes. De 19 a 22 de junho, o público confere O Lago dos Cisnes – II Ato, por Mario Galizzi, a partir de Marius Petipa (1818-1910) e Lev Ivanov (1834-1901); Cada Olhar, de Henrique Rodovalho; e a estreia de Be Yourself, de Michael Bugdahn e Denise Namura.

Esta última, propõe uma reflexão sobre identidade em um mundo globalizado. A coreografia explora a dualidade entre abundância e escassez, destacando a infinidade de informações acessíveis contrastada com a crescente escassez de recursos naturais e o enfraquecimento das relações humanas. A velha questão “De onde viemos e para onde vamos?” permanece relevante. A fusão de gêneros, o trânsito entre culturas e a construção de conexões fazem parte da identidade artística dos dois coreógrafos, que demonstram uma sensibilidade singular ao indivíduo e à poesia do cotidiano. Voltados para a dimensão humana da vida e da arte, eles propõem uma reflexão profunda sobre a existência e suas múltiplas facetas.

Já o segundo ato de O Lago dos Cisnesé um dos mais aclamados balés do mundo. Este ato mostra o encontro do príncipe Siegfried e da princesa Odete, na floresta. Da meia noite ao amanhecer, ela é a princesa da noite, uma criatura mágica e delicada, que o príncipe deseja amar e proteger. Durante o dia, a rainha dos cisnes: frágil, amedrontada e, ao mesmo tempo, corajosa e protetora do seu grupo. O feiticeiro Rothbart é um nobre e um pássaro. O príncipe que sai para caçar com seus amigos tem a elegância da nobreza. Essa obra marca a história da arte e encanta todas as gerações pelo seu tema e pela ligação entre a dança e a música.

Por fim, em Cada Olhar, Henrique Rodovalho traz o olhar de cada uma das sete bailarinas em palco, como cada uma se sente e se apropria diante deste singular momento de movimentos e música, construído, inicialmente, pelo olhar do coreógrafo. E a partir dessa construção, provocar o olhar de cada espectador, convidando-o a fazer suas próprias escolhas e criar suas impressões genuínas sobre este instante efêmero e intenso, que se desdobra diante dos seus olhos, diante de cada olhar.

Na semana seguinte, de 26 a 29 de junho, o público pode assistir a Autorretrato, de Leilane Teles; dos SANTOS, de Alex Soares e a estreia de A Vingança do Flamingo, de Carlos Pons Guerra.

Em sua primeira criação para a São Paulo Companhia de Dança, em A Vingança do Flamingo, o espanhol Carlos Pons Guerra traz ao centro do palco uma história sobre beleza, resistência e desequilíbrio ambiental. Vistosos flamingos dominam a cena para expor, com ironia e lirismo, as tensões entre espetáculo e natureza. Inspirado por memórias da infância nas Ilhas Canárias, o coreógrafo transforma o palco em um espaço onde a vida selvagem performa para nos entreter — enquanto silencia, esgota e adoece.

“Quando Inês me convidou para pensar sobre a crise climática, voltei à minha infância, onde assistia a shows de flamingos — aves lindas, trazidas da África, treinadas para entreter humanos. Eles andavam de bicicleta, tocavam piano. Mas eu só conseguia pensar que eles deveriam estar voando. Isso me fez refletir sobre como estamos transformando o mundo natural em um circo — um espetáculo que nos serve, mas que tem consequências sérias”, conta o coreógrafo.

Com figurinos de Fernanda Yamamoto que evocam texturas e volumes inspirados nas plumagens, iluminação de Wagner Freire que alterna brilhos e sombras, e trilha sonora que flutua entre lirismo, vaudeville e exuberância, A Vingança do Flamingo é uma obra performática e profundamente sensível, que confronta a crueldade velada por trás do espetáculo e convida à empatia — com o planeta, com os animais, com tudo o que ainda pode resistir.

Autorretrato – segunda criação de Leilane Teles para a São Paulo Companhia de Dança – é uma coreografia que reflete sobre a identidade brasileira e nossas influências ancestrais e foi inspirada em obras do acervo do pintor Cândido Portinari. A trilha sonora e o figurino complementam a narrativa, que contou com a consultoria indígena de Cristiane Takuá e Carlos Papá.

Já dos SANTOS, primeira obra de Alex Soares para a SPCD, é inspirada em uma cantiga do Brasil Colonial chamada “Matais de Incêndio”, uma canção simples e alegre associada a festividades religiosas – cujo autor é desconhecido, datada por volta de 1700. A obra move, cruza e questiona identidades que ao longo do tempo ajudaram a lapidar a nossa rica e diversa cultura.

O terceiro e último programa, de 3 a 6 de julho, apresenta Les Sylphides (Chopiniana), por Ana Botafogo, a partir da obra de 1909 de Mikhali Fokine (1880-1942); Casa Flutuante, de Beatriz Hack e a estreia de Ataraxia, de George Céspedes. 

Ataraxia é a primeira obra de Céspedes para uma companhia brasileira. Reconhecido por seu estilo singular, que combina dança com elementos geométricos e matemáticos, o coreógrafo — um dos grandes nomes da dança contemporânea global — desenha no palco grandes formas por meio do movimento coordenado de grupos de bailarinos, adicionando contrastes dinâmicos e emocionais à narrativa.

O nome da obra, Ataraxia, é uma palavra de origem grega que significa ausência de perturbação. No estoicismo, representa um conceito central: a dor não está na mudança, mas na resistência a ela. Busca-se, assim, um estado de serenidade imperturbável, no qual a mente se mantém equilibrada diante das adversidades. A iluminação enfatiza a precisão dos movimentos e intensifica as atmosferas criadas, amplificando as emoções. Já os figurinos, inspirados na moda urbana, dialogam com a contemporaneidade, proporcionando liberdade de movimento e expressão individual, além de reforçar o caráter vibrante e dinâmico da obra.

O clássico Les Sylphides (Chopiniana) evoca a era romântica do balé para retratar o encantamento de um poeta sonhador pela dança das sílfides, seres mágicos que habitam as florestas. Sob o luar, elas materializam o ato poético em seus movimentos e desenham o palco com arabescos, resultando em uma obra de grande beleza contemplativa.

Por fim, Casa Flutuante, revela diferentes conceitos de “casa” e suas impermanências na cena. Conduzidos por uma trilha sonora eclética, o elenco flutua entre os gestos propostos pela coreógrafa e desenvolvidos a partir da experiência pessoal de cada um. Os movimentos individuais e de grupo exploram as relações humanas e interpessoais. 

Atividades Educativas

Quarenta e cinco minutos antes dos espetáculos, o público interessado em se aprofundar nas histórias e nos bastidores das criações poderá conversar com a diretora da Companhia, Inês Bogéa, em palestras gratuitas sobre os processos criativos das obras. As conversas têm duração de cerca de 30 minutos e, aos sábados, contará com a presença de intérpretes de libras.

A temporada da São Paulo Companhia de Dança é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e São Paulo Companhia de Dança via Lei de Incentivo à Cultura Lei Rouanet, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução. Patrocínio Itaú.

Serviço

Teatro Sérgio Cardoso

Endereço: R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01326-010

Horários: quinta, sexta e sábado às 20h | domingo às 16h 

Capacidade física: 827 lugares 

Acessibilidade: Sim 

Ingressos: balcão – R$ 60 (inteira), plateia lateral – R$ 70 (inteira) e plateia central – R$ 80 (inteira) | à venda via Sympla ou pelo site https://spcd.com.br/ingressos/ 

Programa 1: de 19 a 22 de junho

Link para compra: bit.ly/3FhSmPf

Classificação: Livre 

Programa 2: de 26 a 29 de junho

Link para compra: https://bit.ly/3ZqtVG4

Classificação: Livre

Programa 3: de 3 a 6 de julho

Link para compra: https://bit.ly/4jj9jGZ

Classificação: Livre

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 21/05/2025
  • Fonte: FERVER