SP sanciona mudanças na carreira da Polícia Militar

Projeto aprovado em SP reestrutura a Polícia Militar, amplia promoções e flexibiliza regras para melhorar a carreira e a gestão do efetivo no estado

Crédito: Alesp

O Plenário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou, na noite desta terça-feira (31), o projeto do Executivo que reestrutura as carreiras da Polícia Militar. A proposta tem como objetivo otimizar a progressão funcional, estabelecer critérios meritocráticos e modernizar a gestão do efetivo da Polícia Militar no estado.

Segundo o Governo, a medida traz impacto direto na valorização profissional e na eficiência operacional da Polícia Militar, além de garantir maior previsibilidade na carreira dos agentes. O Projeto de Lei 227/2026, aprovado por unanimidade, segue agora para sanção do governador.

Polícia Militar terá novo modelo de progressão na carreira

Polícia Militar - PM
Arquivo/SSP-SP

Relator da proposta nas comissões permanentes, o deputado Capitão Telhada (PP) destacou que o projeto foi estruturado com base nas demandas internas da Polícia Militar.

De acordo com o parlamentar, o principal eixo da proposta é garantir fluidez na carreira. “É um projeto escrito pela Polícia Militar. A ideia é permitir que o policial ingresse como soldado, avance para cabo e tenha oportunidade de acesso à escola de sargentos”, afirmou.

Promoções na Polícia Militar terão novas regras e prazos

Com quase 40 artigos, o PL 227/2026 promove mudanças significativas em diferentes graduações da Polícia Militar. Uma das principais alterações é a extinção do cargo de soldado de 2ª classe, que deixará de ser a porta de entrada na corporação.

A partir das novas regras, o ingressante será aluno-soldado e, após concluir o curso de formação, será promovido automaticamente a soldado de 1ª classe. A mudança deve beneficiar cerca de 10,6 mil policiais já em 2026, sendo 80% promovidos de forma imediata.

O projeto também estabelece que soldados com cinco anos na graduação poderão ser promovidos a cabo. A medida alcança tanto novos quanto atuais integrantes da Polícia Militar, com previsão de beneficiar cerca de 16 mil profissionais por meio de um cronograma escalonado.

Outras graduações também passam a ter critérios mais definidos:

  • Terceiros-sargentos: promoção após no mínimo dois anos;
  • Segundos-sargentos: promoção após três anos;
  • Subtenentes: exigência de quatro anos na função e conclusão de curso específico para acesso ao posto de segundo-tenente.

Segundo Telhada, a mudança corrige distorções históricas. “Hoje, muitos subtenentes chegam ao topo da carreira das praças ainda no meio da trajetória profissional. O projeto cria novas possibilidades de ascensão dentro da Polícia Militar”, explicou.

Efetivo da Polícia Militar será ajustado por decreto anual

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Divulgação

Outra inovação relevante do projeto é a flexibilização do efetivo da Polícia Militar. O texto fixa um total de 93.802 policiais, incluindo 6.229 oficiais e 73.895 cabos e soldados, mas transfere ao Governo a definição detalhada da distribuição por postos.

Essa definição passará a ser feita por decreto anual, permitindo maior adaptação às necessidades operacionais da corporação. A Secretaria da Segurança Pública avalia que a medida aumentará a eficiência e contribuirá para melhorar o fluxo de carreira dentro da Polícia Militar.

Debate aponta avanços e críticas à reestruturação

Apesar da aprovação unânime, o projeto gerou debate entre parlamentares. O deputado Major Mecca (PL) elogiou a origem da proposta, construída dentro da corporação, mas criticou a redução do impacto orçamentário.

Segundo ele, a ampliação de vagas em postos mais altos ficou aquém do esperado, o que pode manter longos períodos de espera por promoção na Polícia Militar.

Já o deputado Dr. Jorge do Carmo (PT) apontou um possível desequilíbrio estrutural. Para o parlamentar, a concentração de efetivo nas graduações iniciais e o número limitado de vagas nos níveis superiores podem dificultar a progressão.

“O mérito pode deixar de ser determinante, já que a estrutura limita a ascensão de grande parte dos policiais”, argumentou.

Tramitação rápida e ajustes no texto final

Enviado pelo Executivo há menos de duas semanas, o projeto tramitou em regime de urgência e recebeu aval das comissões permanentes. Ao todo, foram apresentadas 67 emendas, sendo cinco incorporadas ao texto final.

Uma das alterações garante que soldados com cinco anos de serviço possam participar do processo seletivo interno para o Curso de Formação de Sargentos, sem a necessidade prévia de promoção a cabo.

“Nenhum policial será prejudicado. O projeto assegura direitos e amplia oportunidades dentro da Polícia Militar”, concluiu Capitão Telhada.

  • Publicado: 01/04/2026 09:55
  • Alterado: 01/04/2026 09:55
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: Alesp