Solo contaminado ainda impede recuperação ambiental em Brumadinho

Estudo aponta que metais tóxicos seguem dificultando a regeneração da vegetação anos após o desastre da Vale

Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

Mais de sete anos após o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG), a contaminação do solo continua comprometendo a recuperação ambiental da região.

Um estudo científico recente revela que a presença de metais tóxicos ainda afeta diretamente o crescimento da vegetação na bacia do rio Paraopeba, indicando que a regeneração natural do ecossistema não ocorrerá sem intervenção humana.

Metais tóxicos afetam germinação das plantas em Brumadinho

A pesquisa identificou que elementos como ferro, manganês e níquel prejudicam a germinação das sementes e o desenvolvimento das plantas, sobretudo das espécies arbóreas em Brumadinho.

O ferro, em especial, forma uma camada sobre as sementes que dificulta a brotação e favorece a entrada de outras substâncias tóxicas, reduzindo drasticamente a diversidade vegetal nas áreas afetadas.

Pesquisa da Unicamp analisou solo da área mais impactada

Tânia Rêgo/Agência Brasil

O estudo foi publicado na revista científica Environmental Pollution e integra a pesquisa de doutorado da bióloga Maíra Silva, desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Amostras de solo de Brumadinho foram coletadas em 2022, durante o período de cheia, em cinco pontos distintos — incluindo uma área de controle não atingida pelos rejeitos. O material passou por um experimento de 202 dias, com monitoramento de temperatura, umidade e emergência de plantas.

Vegetação homogênea aumenta riscos de erosão

Os resultados mostram que, embora algumas plantas consigam emergir, a maioria não sobrevive ao longo do tempo, evidenciando um efeito de contaminação aguda.

Apenas gramíneas, como capins e gramas, conseguem resistir, o que torna a paisagem homogênea e provoca perda de biodiversidade. Além disso, essas espécies possuem raízes curtas, incapazes de conter a erosão do solo, agravando o assoreamento dos rios e a degradação das matas ciliares.

Impactos ambientais e sociais ainda preocupam pesquisadores

Segundo Maíra Silva, visitas recentes à região indicam que o cenário permanece praticamente inalterado. A pesquisadora alerta que a degradação do solo compromete serviços ecossistêmicos essenciais, afetando também as populações que vivem no entorno.

A expectativa é que o estudo contribua para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de reflorestamento e restauração ambiental em áreas contaminadas por rejeitos de mineração.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 25/01/2026
  • Fonte: Fever