Documentário aponta caminhos para revitalizar o centro de São Paulo

Especialistas defendem valorização do espaço público, habitação e escala humana como eixos para a reocupação da região central

Crédito: Divulgação

A recuperação do centro de São Paulo passa, principalmente, pela valorização do espaço público e pela reconexão das pessoas com a cidade.

Essa é a principal conclusão do documentário que encerra a série “Centro em Transição”, lançado às vésperas do aniversário de 472 anos da capital paulista, reunindo propostas de urbanistas, arquitetos e especialistas em planejamento urbano para requalificar áreas degradadas da região central.

Ruas mais caminháveis e seguras como motor da transformação

Entre os pontos de convergência destacados pelos especialistas está a necessidade de tornar as ruas centrais mais caminháveis, verdes e seguras, priorizando a escala humana no planejamento urbano. A ideia é estimular a circulação de pedestres e o uso cotidiano dos espaços públicos como forma de combater a subutilização e impulsionar a reocupação do centro.

A secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento, Elisabete França, ressalta que todas as propostas apresentadas na série passam pela valorização do espaço público. Segundo ela, projetos mais estruturais e ações graduais compartilham o mesmo objetivo: criar um centro mais humano, diverso e integrado, com o cidadão no papel central do processo de transformação urbana.

Anhangabaú e equipamentos culturais como vetores de reocupação

O arquiteto Silvio Oksman, do escritório Metrópole Arquitetos, defende mudanças na lógica de concessões de espaços públicos e incentivos à reocupação de imóveis privados como forma de transformar o Vale do Anhangabaú em um polo econômico e habitacional. Para ele, o planejamento urbano deve considerar o ato de caminhar e vivenciar o espaço público como métrica principal dos projetos.

A proposta também destaca a importância de reunir diferentes setores — mercado, academia e gestão pública — para enfrentar os desafios do centro, sempre com foco na diversidade social e na ocupação ativa dos espaços.

Habitação e permanência de moradores no centro

A presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil em São Paulo (IAB-SP), Danielle Santana, chama atenção para o papel da habitação na requalificação do centro. Para ela, garantir a permanência de quem já vive na região é estratégico tanto do ponto de vista social quanto econômico.

Santana também aponta a falta de uma gestão integrada capaz de coordenar as diversas ações públicas e privadas voltadas ao centro, o que, segundo ela, dificulta a consolidação das iniciativas de revitalização.

Reuso de imóveis históricos e inclusão social

Professores do curso de arquitetura e urbanismo do Mackenzie, Antônio Aparecido Fabiano Júnior e Lizete Maria Rubano, propõem a conversão de casarões históricos dos Campos Elíseos em habitação e espaços para geração de trabalho e renda. A iniciativa se baseia nos debates do projeto “Campos Elíseos Vivo” e busca combater a segregação social por meio do uso inclusivo do espaço urbano.

Já o professor José Police Neto, do Insper Cidades, sugere a transformação do Parque Dom Pedro II em uma grande área ajardinada, conectando os distritos da Sé e do Brás e estimulando o desenvolvimento habitacional a partir do lazer e da convivência familiar.

Segundo Police Neto, o centro de São Paulo já recebeu investimentos significativos e agora precisa de soluções criativas, de alto impacto e baixo custo, para voltar a ser desejado. “O centro precisa de mais vidas para ter vida”, avalia.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 25/01/2026
  • Fonte: Fever